Na continuidade da cobertura sobre o terremoto que arrasou o Chile, o grupo RBS está enviando àquele país uma equipe composta pelo repórter Humberto Trezzi, o fotógrafo Jefferson Bottega e o motorista Edmundo Fernandes. Eles chegaram há pouco a Mendoza, última cidade de porte na Argentina, antes de cruzar a fronteira com o Chile. Veja curiosidades da viagem, feita por muitos caminhoneiros brasileiros:
- Os Andes estão por toda a parte aqui em Mendoza. Podem ser vistos da janela dos prédios, desde as ruas, desde as mesinhas dos cafés caprichosamente espalhadas pelas calçadas largas das amplas ruas da cidade. É a porta de entrada para o Chile, mas aqui não há sinais do terremoto que abalou os vizinhos chilenos. Nem uma rachadura, nada. Mendoza é como se fosse situada em outro planeta, não apenas em outro país, embora fique a pouco mais de 300 quilômetros da capital chilena.
- Acabo de encontrar o colega Daniel Scola, da Rádio Gaúcha, no hotel em Mendoza. Fizemos caminhos inversos. Ele veio hoje do Chile, nossa equipe de Zero Hora está para entrar lá. O carro de ZH, uma Parati, fez 2.100 quilômetros em dois dias. Um estirão, com retas intermináveis, horizontes a perder de vista, que parecem inatingíveis.
- Passamos por todo o tipo de rodovia - foram 11 estradas diferentes na Argentina, até agora - e todo o tipo de topografia. Começamos, em Paso de Los Libres, pelo majestoso e largo Rio Uruguai. Percorremos mais de 600 quilômetros em meio a plantações de soja, milho e criações de gado, espalhado em pastos verdejantes. É a Mesopotâmia argentina, assim chamada por ser fértil como sua congênere iraquiana e por estar, como aquela, situada entre dois grandes rios. O outro, fora o Uruguai, é o Paraná. A paisagem muda totalmente na região de Mendoza. Vira quase um deserto, pontilhado de plantações de uvas, que o vinho é o produto local mais famoso. De água, nem sinal, só alguns arroios pedregosos e quase secos.
- Pernoitamos em Paraná, cidade argentina situada às margens do rio do mesmo nome. Difícil descrever tanta imponência num rio. É mais largo que o Guaíba, ali. Domina a cidade e pode ser visto de toda a parte. Passamos por um túnel embaixo do rio, que une as províncias argentinas de Entre Rios e Santa Fé. Parece o Eurotunnel, em miniatura. Sensacional.
- Que os argentinos são alucinados no trânsito, já sabia de cruzar com eles pelas estradas gaúchas. Mas vi cenas de arrepiar. Como uma senhora de uns 60 anos, bem vestida, que cruzou oito sinais vermelhos em sequência em Paraná. Ou malabarismos feitos por motos em que as pessoas não usam capacete (todas as que cruzei tinham motoqueiros com cabelos ao vento).
- O pior problema para brasileiros que desejam ir ao Chile é a falta de placas indicando o caminho. Percorri 1.560 Km até encontrar a primeira placa, na Argentina, que menciona a cidade de Mendoza, a porta de entrada dos Andes e caminho para o Chile. Foi na cidade de Rio Cuarto que estava a placa. Sem mencionar o Chile, mas aí é pedir demais. Depois disso, é necessário trocar umas seis vezes de rodovia.
Assim que cruzarmos os Andes e a partir das primeiras horas no Chile, pretendemos realimentar esse blog.



