
Vi "brasileiros" ("jornalistas") comemorando a eliminação. Cenas assim são mais lamentáveis que aquele primeiro gol da Holanda, resultado de uma trapalhada de Felipe Melo com Júlio César. A seleção em campo representa o Brasil e não um jogador ou um técnico. Aos críticos do Dunga, que se sentem vitoriosos, pergunto: ganharam o quê?
O Dunga que comandou a campanha brasileira nesta Copa do Mundo foi o mesmo que conquistou a Copa das Confederações e a Copa América. O Parreira campeão em 94 foi o mesmo que comandou o Brasil de 2006. Não, não quero viver do passado, muito menos ser advogado de Dunga. Mas tenho certeza que ele tentou acertar, assim como cada jogador convocado. Quem quiser criticar, com bons argumentos, que o faça. Mas comemorar? Sou brasileiro demais para compreender este tipo de comportamento.
A questão é: tínhamos material humano para montar uma seleção melhor que esta? Ronaldinho? Adriano? Não. Ganso? Talvez. O certo é que Dunga, que agora será crucificado, trabalhou com convicção, com planejamento e apostou na coesão do grupo. Poderia ter dado certo. Se ele tivesse chamado Ganso e Neymar e fosse eliminado seria acusado por apostar em promessas, jogadores sem experiência.
A única salvação de Dunga seria o hexa. Agora todos entendem mais de futebol do que ele. A personalidade forte, que penso ser uma virtude, também faz do treinador um alvo fácil. Entretanto, para ser competente não precisa ser sorridente.
Que os "sábios" do futebol pelo menos consigam limitar o bombardeio ao técnico e não ao homem. Falem do futebol e não do mau humor. Dias atrás eu havia escrito que estava torcendo para que Dunga, como campeão, soubesse curtir a glória como uma conquista e não como uma revanche. Agora, espero que ele, acostumado a vencer, saiba assimilar a derrota como aprendizado.
Lamento por Dunga, lamento pelo Brasil, lamento por aqueles que falam de "imprensa esportiva" como se fosse uma pessoa, uma unanimidade. Toda generalização é estúpida. Se dentro de casa encontramos opiniões e atitudes diferentes, na vida profissional então, nem se fala. Na imprensa é assim. No futebol também. Há profissionais de qualidade, éticos e competentes. E há profissionais sem profissionalismo.
Parabéns Holanda. Bola pra frente Brasil!
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