Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

Na Alemanha, homens fazem xixi sentados e nem adianta reclamar

30 de março de 2015 3
Homens de nível sentam na privada

Homens de nível sentam na privada

Homens alemães fazem xixi sentados. Ao menos os bem educados. E isso não causa nenhum espanto por aqui: os meninos aprendem desde cedo e acham engraçado quando alguém estranha esse costume. As mães ensinam seus filhos a sentar para evitar gotas e respingos pela privada, já que elas mesmas terão que limpar! (Aqui as pessoas limpam suas próprias casas e empregadas são artigos de luxo que poucos podem ou costumam bancar).

Se você perguntar a um alemão se ele senta para fazer xixi, espere duas coisas: primeiro, a resposta direta (Claro que eu sento!) e depois, a expressão de quem não entendeu (leia-se: Por que você está me perguntando isso? Você, por acaso, não senta?).  Os latinos de plantão costumam ter crises de riso, se negam até a morte e fazem protestos na hora de sentar. Mas prepare-se porque há muito alemão disposto a fazer valer a regra. Já vi gente com o ouvido na porta aos berros coagindo o macho a sentar em seu momento privado na casinha. “Tô escutando barulho, tu não estas sentado!”

Mas os banheiros alemães guardam outros segredos entre suas quatro paredes. E que o leitor não se atreva a pensar em maldades agora. Trata-se de uma questão cultural mesmo, a começar pelo famigerado cestinho de papel que 99 em cem brasileiros têm em casa. Pois é, por aqui não se usa isso. O papel vai direto, junto com a descarga e o cestinho serve somente para cotonetes, absorventes e afins. Quer saber se estou recebendo visitas recém-chegadas do Brasil? É só olhar o cestinho! Se estiver cheio de papel…

Aliás, a descarga poderosa do banheiro tem dois botões e queria saber porque isso não é regra no Brasil. Um deles é para um fluxo de água menor (se você fez o número um) e ou outro para a descarga completa, em caso de número dois. Mesmo as descargas mais antigas, com um botão só, podem ter o fluxo de água interrompido depois que a coisa toda já sumiu.

Esse truque de parar o fluxo serve especialmente nos prédios mais antigos, onde o design da privada – ou patente, como só a gente do Vale fala! – tem uma espécie de plataforma. A primeira vez que você usa é meio assustador: fica o “serviço” todo lá, esperando para ser conferido. E a intenção era exatamente essa. Em épocas de guerras ou doenças, o autor da obra podia verificar a presença de sangue – ou mesmo vermes – nas fezes. Era uma forma importante de controlar a própria saúde.

De plataforma ou não, o fato é que difícil encontrar banheiro gratuito nesse país. Mesmo em shoppings. As vezes até em restaurantes (especialmente naqueles de cadeias, gigantões). Sempre tem uma pessoa na porta (homem ou mulher, sem distinção) com um pires esperando uma moeda. Em muitos lugares ela é obrigatória. Em outros ela é moralmente obrigatória, já que fica bem chato encarar a pessoa de luvas, esponja e escovinha na mão sem estender uma moedinha. Ou seja, não tem como fugir.

Se quiser saber mais sobre os mistérios dos banheiros da Alemanha, você pode ler o post que publiquei aqui, no blog De Volta a Nave Mãe.

Comente

comentários

Comentários (3)

  • Isabel diz: 1 de abril de 2015

    Parabéns pelo Blog. Estava faltando esse tipo de assunto tratado dessa forma. Essa de jogar papel higiênico no cestinho deveria servir de debate por aqui. É que li num panfleto da Foz que o tratamento de esgoto em Blumenau está sendo alardeado como se fosse de primeiro mundo. Mas, pasmem, não pode jogar papel higiênico no vaso sanitário, tem que descartar no lixo do banheiro. É a velha manha dos nossos políticos de fazer um serviço ruim e espalhar aso quatro ventos que é uma maravilha! Precisamos saber se estamos pagando por um tratamento de esgoto de primeiro mundo mas receberemos um serviço de mundo subdesenvolvido. Essa que não pode jogar papel higiênico no vaso sanitário mesmo com tratamento de esgoto, deixa Blumenau muito mais longe ainda da Alemanha.

  • Luciano de BLUMENAU diz: 1 de abril de 2015

    Muito bom este sistema.
    Afinal não é nada bom você deixar um “chokito” boiando para o próximo usuário ver !!kkkk

  • Julio Schmitt diz: 1 de abril de 2015

    A questão do papel é realmente um ponto importante para se discutir. O fato de que na Alemanha o papel higiênico está sendo jogado no vaso NÃO deveria ser considerado um aspecto necessariamente positivo. É “cultura” de longa data e seria no mínimo difícil de mudar isto. Pois a remoção deste papel, ou melhor das fibras, através do tratamento por meio de um gradeamento, custa por lá muito dinheiro. Portanto, se por aqui existe a “cultura” de jogar o papel no cesto, vale muito a pena de continuar com esta prática, pois tende a desonerar a conta do esgoto que todos, em algum dia, irão pagar.

Envie seu Comentário