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É mais fácil conseguir emprego do que lugar para morar na Alemanha

02 de abril de 2015 0
Preços são salgados e a procura por imóveis é maior do que a oferta

Preços são salgados e a procura por imóveis é maior do que a oferta

Na Alemanha é mais fácil conseguir um emprego em uma grande empresa do que uma casa ou apartamento para alugar. E essa afirmação é baseada em fatos reais. Vou contar uma historinha. Um amigo português, engenheiro, decidiu abandonar o bacalhau em busca de uma oportunidade na terra do chucrute, onde sua namorada já estava trabalhando (escrevi sobre o mercado de trabalho alemão aqui). Chegou por aqui, mandou meia dúzia de currículos e, em menos de um mês, estava com um contrato bem generoso assinado com uma das maiores montadoras de veículos da Alemanha. Nesse meio tempo, ficou hospedado no quarto de 12 metros quadrados da namorada, dormindo com ela em uma cama de solteiro enquanto procuravam casa. Foram três meses de busca.

O mercado imobiliário alemão está aquecido e em Berlim o governo está tendo que intervir para que a escalada de preços de aluguel, que quase dobrou os valores pagos pelos inquilinos nos últimos cinco anos, não saia ainda mais do controle. Apesar dos preços cada dia mais altos, não faltam candidatos para as vagas que aparecem no mercado e nem pense que por aqui quem viu primeiro é quem leva.

O processo começa por encontrar o anúncio e escrever uma mensagem a quem oferece a moradia. É quase como mandar uma carta de motivação para uma empresa: você tem que convencer a pessoa de que pode ser um excelente vizinho, que não faz barulho, que tem dinheiro para pagar suas contas em dia, que tem um grande senso de vida em comunidade e blá blá blá. Com sorte, será chamado para fazer uma visita ao tão sonhado imóvel!

O dia da visita é tão importante quando uma entrevista de emprego.  É preciso ir cheiroso, arrumado e bem vestido. Chegando lá vão estar outras 50, 60 pessoas já pré-selecionadas querendo convencer o dono (ou geralmente o agente da imobiliária) do quanto a-do-ra-ram o apartamento de paredes descascadas, piso riscado e cheiro de mofo no banheiro. E depois de encher o imóvel de elogios, todos deixam seus documentos – como comprovantes de renda, certidão negativa do que seria o SPC ou Serasa alemão, uma cartinha pessoal falando do quanto quer o raio do imóvel. Em uma ou duas semanas vem a resposta e, se tudo der certo, assina-se o contrato.

Não preciso dizer que essa é uma missão ainda mais árdua para um estrangeiro, que tem que competir com alemães cheios de garantias por um teto. E esse processo todo não é apenas para quem planeja alugar uma casa sozinho. Mesmo as repúblicas de estudantes fazem entrevistas de seleção para escolher o futuro morador e as histórias são pra lá de constrangedoras. Uma amiga minha jornalista portuguesa reuniu algumas nesse post.

Eu mesma colecionei meus desencantos enquanto procurava casa em Berlim. E por fim, depois de ser aceita, tenho um contrato de aluguel nada ortodoxo. Além da clausula que me impede de ter animais de estimação – sequer posso receber bichinhos de visita, a que mais me deixou perplexa foi aquela na qual me comprometo em somente limpar o piso (arranhado!) com produtos ecologicamente corretos.

Mas no fim das contas, dei sorte. Foram SÓ oito meses de procura e não cheguei ao desespero. A situação é tão complicada que a última moda de Berlim são os speed dating pra candidato a aluguel. Sabe aqueles encontros em que se fala com todo mundo por alguns minutinhos? Pois é. Criaram a versão balada, que reúne os poderosos donos de um cobiçado espaço (com crachá azul) e os desesperados procuradores de casa (de crachá amarelo), como mostra o vídeo feito por uma tevê alemã. O bom disso tudo é que de repente, se acha o kit completo: um apartamento com um parceiro novo já instalado!

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