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Desventuras do cotidiano: o fiscal do lixo é pior tipo de vizinho que se pode ter na Alemanha

21 de abril de 2015 3
Quem não separa o lixo, corre o risco de ser xingado pelos vizinhos

Quem não separa o lixo, corre o risco de ser xingado pelos vizinhos

Mudar de casa é sempre uma loteria: a gente nunca sabe o tipo de vizinho que vai ter. Depois de anos ouvindo histórias escabrosas aqui na Alemanha, colecionei as minhas: já morei em um prédio estudantil que tinha três salas de ensaio para música por andar, todas minhas vizinhas de parede, com dois pianos e um espaço para canto lírico e outros instrumentos. Parece lindo e “europeu”, até que dez pianos, três cantores, um violino e um saxofone irrompam as oito da manhã ao mesmo tempo, cada qual tocando uma coisa diferente.

Mas fugi logo de lá e meus vizinhos anteriores, em Weimar, eram santos, surdos ou não existiam. Vivia em cima de um restaurante e todas as vezes em que motivada por saudade, cerveja e inconsequência decidi cantar Raulzito as três da manhã, não veio a polícia. Estava ansiosa por saber quem seriam os meus vizinhos aqui em Berlim, já que o dono do apartamento alertou que eu estava me mudando para um prédio em que as pessoas gostavam de viver em comunidade. Fui recebida com geleia caseira, biscoitos de Natal e relaxei.

No entanto, moro no térreo e minha mesa de trabalho – sim, eu trabalho de casa! – tem vista para o jardim e, além dele, para a área onde ficam depositados os toneis de lixo. Como os ruídos da rua são sempre mais interessantes que o trabalho a ser feito, logo comecei a notar os hábitos dos vizinhos. Mas o que eu não esperava era que, entre as senhoras fofinhas, políticos aposentados e jovens pais com quem troco cumprimentos simpáticos no corredor havia ele, o pior e mais temido vizinho que se pode ter na Alemanha: o fiscal do lixo!

Já tinha lido histórias de horror em blogs, de vizinhos que aparecem na porta de casa com o saco de lixo rasgado, um envelope para comprovar que o saco era seu, e uma cara furiosa querendo saber sobre os motivos que levaram o pote de margarina vazio a parar no contêiner preto (de lixo não-reciclável) e não no amarelo, dos plásticos, no qual deveria ir. Mas nunca tinha me deparado com o tipo pessoalmente. Na verdade, confesso, que nunca vi o senhorzinho fazer cobranças na porta alheia, mas já acompanhei – dissimulada pela cortina e pelo reflexo da luz no vidro – a paciência com que ele desfaz saco por saco e separa o que foi negligenciado. Apesar da invasão de privacidade que isso possa representar, achava a tarefa do senhorzinho inofensiva (para mim, não para ele!), até que, há uma semana, tenho um saco de cuecas e calcinhas velhas para me desfazer e fico sem coragem de jogar tudo isso lá no latão preto…

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Comentários (3)

  • Gerson Luiz diz: 21 de abril de 2015

    Acho que é melhor ter um vizinho assim “chato” do que ter, como aqui em Blumenau, vizinhos que colocam o lixo nas lixeiras e nas calçadas no dia seguinte após a coleta. Inclusive no sábado sendo a próxima coleta somente na segunda-feira à noite. Isso em todos os bairros e em todos os níveis sociais.

  • Luciano de BLUMENAU diz: 22 de abril de 2015

    Concordo com o Gerson acima !

    O problema que aqui em Blumenau além de não termos um vizinho chato como esse, ainda por cima o sistema de coletas deixa a desejar ! O que aqui é negligenciado e mau feito, acaba indo parar nos bueiros e rios ! Pena que quando ocorre uma enchente. Os culpados disso tudo acabam não sofrendo as consequências !

  • Fabiana Staudinger diz: 22 de abril de 2015

    Ivana, penso que uma boa ideia é fazer um cartão (dobrado) no nó ou fecho do saco e nele escrever “roupas íntimas usadas”…só não identifique o andar. Ah, e fique de olho para ver se ele não leva alguma coisa junto, aí é para ter muito medo (risos)!!!

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