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Nem tudo são flores: em homenagem ao 7lista, as 7 coisas que eu odeio na Alemanha

15 de maio de 2015 13
A Merkel "azeda": minha cara com as coisas que odeio aqui

A Merkel “azeda”: minha cara com as coisas que odeio aqui

Eu adoro viver na Alemanha e isso não é segredo para ninguém. Mas não entenda esse meu carinho como deslumbramento: já passei dessa fase. Hoje em dia consegui separar o que admiro do que entendo, mas não aceito. E transformei tudo em uma lista.

Na verdade, a ideia de transformar em lista veio de outro blog aqui do Santa, o 7lista. Eu adoro o blog e por isso fechei em sete também o número de coisas que eu odeio na Alemanha. Você concorda com elas?

1 – Tudo fecha aos domingos

Todo o sábado os supermercados se transformam em uma praça de guerra. Quem deixa para ir depois do almoço já sabe que pode ficar sem muitos dos produtos, uma vez que não existe o padrão de repor mercadorias o tempo todo nos mercados. No domingo, nada abre. Em Berlim, a maior cidade da Alemanha, é possível contar em uma mão os mercados que trabalham. Já no interior, nenhum. Se esqueceu de um dos ingredientes da receita, o negócio é mudar o cardápio, por que não se acha.

2 – Furadores de fila

Acho que furar fila é o esporte nacional favorito dos alemães. Nunca vi nada assim no mundo. Eles têm uma cara de pau sem paralelos. Chegam pela lateral e vão se enfiando até que alguém berre reclamando. Se não berrar, eles ficam. E a prática começa cedo! Outro dia estava em uma loja de rede, em um sábado (nunca faça isso!) esperando para provar umas roupas. Uma adolescente veio pelo lado e foi se enfiando, entrando pelo corredor para “ver se todos os provadores estavam mesmo ocupados”. Soltei a brasileira que vive comportada dentro de mim e mandei a fulana para o fim da fila perguntando se a mãe dela não tinha dado educação. Depois pensei que a mãe dela deveria estar naquele momento tentando furar a fila de um caixa de supermercado.

3 – Inverno longo e escuro

O inverno aqui é quase infinito. Em setembro se começa a usar uma blusinha e a blusinha só sai do corpo depois da metade de maio e olhe lá. Ou seja, são pelo menos oito meses por ano com uma camada a mais de roupa. Ou muitas. Camiseta e braços de fora, só em poucos dias e raras noites. Mesmo no verão é melhor levar a tal da blusinha. Mas isso não é o pior. Que tal dias em que o sol nasce só perto das 9:00 e as 15:00 está se despedindo? Bem-vindo a Alemanha. A escuridão me deixa com a sensação de ter tido o meu dia roubado e isso me deixa mais para baixo do que as temperaturas negativas.

4 – Televisão

Nunca fui a pessoa mais aficionada por televisão na vida, mas a tv aberta na Alemanha não é ruim: é pior. As primeiras vezes que eu liguei achei que estava vendo algum especial dos anos 80, mas depois me acostumei que a estética é assim, digamos, peculiar. Filmes antigos estão em todos os canais (dublados, claro!), seguidos de documentários mais velhos ainda, sempre sobre a guerra. Os jogos de futebol são o maior sonífero: o narrador fala duas palavras a cada cinco minutos e você acha que o som da televisão estragou. E tudo isso custa caro. Não ia me importar com a qualidade se eu não tivesse que pagar um imposto pelo serviço, mesmo que eu nunca – ou raramente! – use. São quase 18 euros por mês, obrigatórios e debitados em conta a cada três meses. E quem não paga pode ser fiscalizado e multado.

5 – Egoísmo

No Brasil tudo se partilha. Você ganha um chocolate, tem que oferecer para quem está por perto. Você compra um pacote de chiclete? Pega um e esquece do resto. Por aqui não. Ninguém oferece nada, nunca. E quando você oferece as pessoas não sabem muito o que fazer. Essa coisa do egoísmo é, na verdade, individualismo. Já vi casais (felizes e bem casados) em que cada um lava a sua própria roupa: eu acho que a tarefa é responsabilidade dos dois, mas seria menos complicado revezar de quem é a vez de lavar tudo, não acham? Outra coisa comum por aqui é a pessoa sentar no banco do trem ou do ônibus e colocar qualquer coisa para ocupar o banco do lado: uma mochila, um casaco, o que tiver à mão. Assim, quem quiser sentar tem que pedir para que o ser humano em questão remova seus pertences e vai ganhar uma olhada feia em resposta, quase sempre. É normal o trem estar razoavelmente cheio e ninguém se dar ao trabalho de abordar o “dono do espaço”. Eu peço e ainda dou um sorrisinho para cara feia.

6 – Erdnuss flips e Rumkugel     

E aí você vai na festinha dos seus amigos estudantes e quando chega lá encontra aquela bacia cheia de chips, aqueles amarelos, que passou a infância comendo. É um momento de felicidade, sempre. Um reencontro com a infância. Até encher a mão e levar os primeiros a boca. Difícil mesmo é não ter nenhum lugar por perto para cuspir. Os tais salgadinhos amarelinhos, tão iguaizinhos aos nossos, são uma fraude! Eles têm sabor artificial de amendoim. Um viva (SQN!) para quem inventou essa porcaria. E outro viva para quem teve o dom de avacalhar com a sagrada receita do brigadeiro. Por aqui existem as tais das Rumkugeln, ou seja, bolinhas de rum. Elas são exatamente iguais aos nossos brigadeiros, mas vem em caixinhas ou saquinhos, sem as forminhas. Tudo lindo até o momento de pôr na boca e sentir aquele sabor forte de álcool e um doce que nem doce sabe ser. A propósito, nesse caso existe o outro lado da moeda. Os alemães olham nossos brigadeiros e pensam: oba, Rumkugel! Gosto não se discute… E aí colocam na boca e tem uma crise diabética: a maioria detesta porque acha doce, doce, mas doce demais.

7 – Ordnung

Meu caso de amor e ódio com a Alemanha é o Ordnung e está aqui na lista também. Se por um lado é muito bom que existam regras para tudo, por outro a margem de manobra para a criatividade é muito pequena. Espontaneidade é quase proibida por aqui, já que fazer qualquer coisa sem pedir a autorização meses antes, sem avisar, sem convidar é fora da lei. E nem pense em bater na casa de alguém dizendo que estava passando pela rua e resolveu visitar. Está fora do Ordnung.  Sabe aquele parque lindo do lado da sua casa, perfeito para um piquenique e um churrasquinho? Não pode, o Ordnung não permite. Essa palavrinha significa muito mais do que regras, é o status quo de um país que não sabe o que fazer quando a vida cria situações que não estão nos manuais.

E pra quem acha que eu só sei falar mal, fica aqui o outro lado da moeda: fiz uma lista com as coisas que eu amo e odeio na Alemanha e publiquei no meu outro blog, o De Volta a Nave Mãe. Passa lá pra conhecer!

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comentários

Comentários (13)

  • Gabriel diz: 15 de maio de 2015

    Sensacional!

  • Julio Schmitt diz: 15 de maio de 2015

    Horário de abertura de lojas: não viu nada. Antes da reforma foi muito pior com mercados e lojas fechando às 18h / 18h30 de seg. a sexta e 13h / 13h30 aos sábados. Por outro lado funcionava também. Requer um pouco de organização apenas. E às vezes a gente se perguntando se queria trabalhar mesmo neste regime com apenas folga mesmo no Natal, no 1o de maio e no Dia das Mães.
    Inverno, concordo. Mas verão por aqui, com meses de roupa colada no corpo também não precisaria se estender tanto.
    TV: Bem sobre preferências não dá para discutir. Concordo que reportagens sobre a II Guerra neste ano é um exagero. Pior, no entanto, acho Talkshow. Mas não deve acreditar que “TV aberta” por aqui saia de graça – cada um paga com cada produto que compra. Que o sistema lá estimula gastança das emissoras, não discuto.
    Egoismo: Bem, por aqui basta dirigir-se a um restaurante, barzinho etc. Se o garçon / o dono pedisse dividir a mesa com alguém estranho, o cliente jamais iria aceitar. “A mesa é MINHA” – mesmo quando duas pessoas ocupam uma mesa para 6.
    Doces ou comida em geral: cada um tem as suas preferências – e flips não são em nada piores do que os OCNIs (Objetos Comestíveis Não Identificáveis) por aqui que se dizem sabor de pizza, sabor de bacon e sei lá o que mais.
    Ordnung: Não discuto, há sim exageros. Tem até a dúvida sobre como foi posta a placa “Não pise na grama” (em alemão, lógico) no meio do gramado.

  • Luciano de BLUMENAU diz: 15 de maio de 2015

    KKKKKK Pior que é verdade Ivana.
    Eles também tem algumas coisas estranhas se comparadas aqui com o Brasil.

    Agora uma coisa que achei boa foi a capacidade que os alemães tratam a comida. Digo isso pois foi o que eu presenciei no pouco tempo que eu estive por ae ! Nos lugares que eu estive, as pessoas colocam pouca coisa na mesa em um café da manhã ! O leite é metodicamente contado cada ML que será posto para servir. Eles não colocam uma caixa de 1 litro de leite a disposição como é aqui no Brasil. Tipo assim……para que colocar 1 litro de leite na mesa se você irá somente utilizar 250 ml ? Deixa o restante na geladeira para não estragar oras !

    Não que eles sejam chatos, acho que isso é bem tipico de um povo que passou por guerras ! Que passou fome e sabe o valor das coisas. Por isso não esbanja, mesmo havendo fartura !

    Aqui no Brasil temos fartura demais, comida demais e mesmo assim jogam fora. O povo daqui não dá muito valr as coisas até chegar o momento em que começa a faltar ! Olhem o exemplo da agua em São Paulo etc.

  • Jorge Tadeu diz: 15 de maio de 2015

    Então esse costume aqui em Blumenau de furar fila é herança genética.

  • Carlos Roberto Pereira diz: 15 de maio de 2015

    Eu tive a Felicidade de ir conhecer, a Alemanha, tenho que dizer que depois de 5 anos de economia, e este país passou do improvável, pois nem na lista estava de escolhas, para o escolhido.

    E esta dos domingos me pegou de surpresa, mas também me ajudou, pois economizei uma grana para a próxima viagem.

    Adorei o sistema de transporte, simples e funcional até para quem não fala a língua, só saber a regras básicas e como comprar os tikets nas maquinas.

    Mas no ultimo dia todas aquelas Padarias insonsas, para um brasileiro, me surpreendeu com um doce, parecido com um massa de Sonho, só que montam como se fosse uma pizza, eu pedi a minha (SONHOPIZZA) básica simplesmente com açúcar e canela encima, pois na duvida vamos no simples. E esqueci de anotar o nome.

    As 5 horas já estava escuro.

    Outar coisa que me surpreendeu é a Diferença, entre drogarias, supermercados e Farmácias. Supermercados nem tantos pois as lojas de departamentos são enormes, mas os mercados estão mais para mercadinhos, aos montes as vezes até 2 ou 3 da mesma rede a poucas quadras um do outro, farmácia é mais para remédio, pelo que vi, e drogaria é um mercado de cosmético, limpeza e revelação de fotos.

  • Pedro diz: 15 de maio de 2015

    E Lakritz!!!!

  • Jörg Gregor Chromy diz: 15 de maio de 2015

    Meine liebe Frau !

    Cada Pais tem os seus regras e “ORDNUNG”,no Brasil igualmente !
    Sou nascido aqui,no Sul da Alemanha,no Lago de Constáncia,faz
    fronteiras com a Suissa e com Austria. Já conheceu “ORDNUNG”
    na Suissa ???
    O fato lojas fechadas em Domingos aqui,surgindo já no Testamento
    do Cristo,veja os JUDEUS em SABBAT !
    Contra o tempo frio aqui,nadico podemos a fazer,além nois vestir
    devidamente !
    Recebi durante os anos,muitos de visitas do Brasil-aqui na Cidade
    de CONSTÁNZIA,e morei durante 10-anos dentro do Brasil,e tbm
    em SC-Blumenau,cidade qual gostei muito,como Joinville-tbm,além
    do interior de MINAS,desde ano 1972!
    Acho,Vc. esgueceu mais coisas,como siléncio depois da 22:00 hr,
    ou prohibido lavagem-carro em Domingos e Feriados-Católicos na
    Alemanha.
    Vc.já fora uma vez roubado-assaltado na Alemanha ? Eu-no Brasil
    varias-vezes,mas com meu “Jeito”,sempre saindo ganhando perante dos criminosos,na maioria adolecentes das Favelas.
    Aliais,os meus 2-filhos,Brasileiros-natos,vivendos agora em BRASILIA-DF,depois virandos adultos.

    Pois é,cada um considerando o ponto de visto-pessoal.
    Imagino,maioria do pessoal da sua terra,lambando todos os dedos
    em tendos uma vida como Vc.tem em BERLIM !
    Was machen Sie eigentlich dort in Berlin?

    Atenciosamente,

    Jörg G.Chromy

  • Jane diz: 15 de maio de 2015

    Bem parecido com a Suica. Mas aos domingos tem sempre um mercadinho de franquia aberto nas cidades grandes e um Migros ou Coop nas Bahnhofs!

  • Waldemar Ziemann diz: 15 de maio de 2015

    1. Domingo é dia de descanso. Você teve 6 dias para fazer as compras. Organize-se.
    2. Furador de fila, nunca vi. Nós brasileiros somos campeões neste quesito.
    3. Inverno longo. Setembro e outubro são meses de belas paisagens (Goldenen Oktober) outubro dourado, lindo.
    4. Televisão, concordo. U.B. (Uma Bosta, como diz o Gaúcho)
    5. Egoismo – visito famílias e amigos em pequenas cidades e nunca vi isto. Uma “Haussfrau”, inclusive é de Blumenau.
    6. Erdnuss, Rumkugel. é o fim. Tome uma “Bier mit Bratwurscht”. Brigadeiro nem no Brasil
    7. Ordnung. Podem ser exagerados, mas funciona.
    Conclusão: gosto do “Alimanha” e tenho amigos que compartilham e são muito atenciosos e hospitaleiros. Já fizeram por mim, que ninguém fez no Brasil.

    No mais “Ein Prosit de Gemütlichkeit”

  • Flávio Borges diz: 16 de maio de 2015

    Esqueceu do número 8, não se pode falar mal da Alemanha, eles odeiam, se acham os melhores do mundo…e em Blumenau, os que pensam que moram na Alemanha, possui mesmo defeito…

  • Sido diz: 16 de maio de 2015

    Prezada Ivana!
    Sua postagem realmente me surpreendeu, já fiz 9 viagens para essa terra maravilhosa e tem coisas que você narra que eu nunca vi. Furar fila nestas minhas 9 andanças pela Alemanha eu nunca cheguei a presenciar, alias o povo é muito educado e cortês. Aqui no Brasil furar fila é coisa normal. Realmente os supermercados não abrem no domingo, mas sempre pode se encontrar uma loja de conveniência geralmente numa estação de trem ou um bom restaurante aberto aos domingos. Quanto a organização ou a famosa Ordnung eu não vou discutir, mas posso te garantir que no Brasil está em falta e devido a isso tudo por aqui virou uma grande bagunça. Todo mundo acha que pode fazer tudo, mesmo que isso vá te prejudicar. Gosto muito da Alemanha pois posso andar na rua tranquilamente sem medo de ser assaltado, coisa que no Brasil é normal. Tem amigo meu que já foi assaltado 2 vezes por semana. Mas aqui isso é tudo normal. Só para ilustrar aqui no Brasil morreram em 2014 56000 pessoas assassinadas a bala em assaltos ou por morte violenta.
    Sinceramente sempre quando volto ao Brasil depois de minhas andanças pela Europa eu literalmente fico numa depressão durante uns 15 dias, pois você sai de um País onde as coisas funcionam e onde o povo tem educação e de repente se depara com a nossa triste realidade de país de terceiro mundo.
    Aí então é cair na realidade e tocar o barco adiante, trabalhar correr de assaltante e por aí vai. Pergunta pra mim se eu quero trocar isso daqui pela Alemanha? Acredito que a resposta você já pode adivinhar. Um abraço e sucesso para você Ivana. Ein Prosit de Gemütlichkeit

  • Bruno diz: 16 de maio de 2015

    Em Blumenau, os tais “alencar” (Alemão do cara….) são famosos por furar fila. Dê bobeira na fila do supermercado, que algum “superior ariano” já surrupia-lhe o lugar. Estranhei isso quando vim de são paulo pra cá, pois nem lá se vê um comportamento tão sem educação assim.

  • silvia helenice nitschke diz: 27 de maio de 2015

    Ivana, parece até que combinamos previamente. Eu apenas acrescentaria mais tópicos: 1. mesmo nos grandes supermercados, apenas um caixa funciona (as demais estao ocupadas com outros afazeres, formando uma fila enorme. 2. Obrigatoriamente, vc marca com antecedencia um Termin no médico e se apresenta na hora certa, a atendente te manda para a sala de espera e lá vc consegue ler todas as revistas do consultório(para que marcar hora?). 3. Adoro o Berliner (sonho) daqui, mas bem que eles poderiam variar o recheio. 4. As criancas normalmente sao dóceis, mas extremamente choronas e gritonas; e se cairem ou se machucarem entao, sai de perto…
    Grüße

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