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Supermercado na Alemanha: mais que uma tarefa cotidiana, fazer compras é um exercício de velocidade e adaptação cultural

27 de maio de 2015 19
Esteiras longas antes do caixa, mas nenhum espaço depois

Esteiras longas antes do caixa, mas nenhum espaço depois

Quando a gente muda para um novo país, algumas das tarefas mais simples se tornam complicadas. Ir ao mercado, por exemplo. Nunca tinha parado para pensar que até mesmo aí existem diferenças culturais. Nunca até me deparar com o primeiro caixa de supermercado passando as compras em uma velocidade que eu nem sabia que era possível. Eu nunca consegui filmar isso: porque se eu filmar, não guardo as compras e se não as guardo, ai ai ai. Por isso compartilho aqui um vídeo que achei pesquisando no Youtube, quando descobri que não fui a única a levar um susto!

 

Pois bem, os anos foram passando e eu me acostumei com esse jeito alemão de comprar e tenho que confessar que, hoje em dia, prefiro aqui. Ir ao mercado no Brasil é uma das coisas que mais me irritam: por que as pessoas simplesmente não empacotam suas compras? E não é só isso. A coleção de diferenças é grande e separei algumas que poderiam inspirar as redes de varejo brasileiras.

Carrinho de mercado -  Para começar, não se acha carrinho espalhado pelo estacionamento e nem pelo mercado. Para usar um carrinho de supermercado, você precisa de uma moeda de 1 Euro. Você coloca essa moeda no lugar específico, na parte onde se empurra o carrinho, e solta ele dos demais. Quando termina de fazer as compras, tem que levar ele ao local certo, trancar com a corrente do carrinho anterior e pegar seu dinheiro de volta. O difícil é ter sempre uma moeda de 1 Euro na carteira (alguns poucos mercados aceitam moedas de 50 centavos também). Mas existem fichinhas plásticas, chaveiros com moedas e até a moedinha brasileira daquelas antigas (a prateadinha) de 25 centavos serve para liberar o carrinho. O importante disso é o hábito que cria: pegar, usar e devolver no local adequado.

 

É preciso usar uma moeda para liberar o carrinho de compras

É preciso usar uma moeda para liberar o carrinho de compras

Esteiras sem espaço – As esteiras para as compras aqui são bem longas, mas apenas no lado que antecede o caixa. Como é possível ver no vídeo, não há espaço depois que o produto foi registrado e é preciso ser rápido (muito rápido!) para colocar tudo de volta no carrinho. Então, funciona assim: você coloca suas coisas todas na esteira e, ao fim delas, coloca uma divisória plástica que está disponível no balcão. Não tem essa de sair para buscar uma coisinha que faltou. Você tem que estar lá para recolher tudo assim que for registrado. Só depois é que vai pensar em sacolas. Existem balcões na saída do mercado para empacotar suas coisas com calma. Se você demorar no caixa, vai levar cara feia ou mesmo será repreendido por outro cliente com menos paciência (ou seja, todos!).

Sacolas – Na hora das compras você precisa levar suas próprias sacolas ou pagar pelas sacolas plásticas que os mercados oferecem (de 7 centavos as mais simples até 25 pelas mais reforçadas, ou mesmo 1 Euro por sacolas de pano reutilizáveis). Escrevi sobre as sacolinhas aqui e faço campanha a favor da cobrança para diminuir a quantidade de lixo no mundo. Caso for usar as plásticas do mercado, precisa lembrar de comprar antes e pagar por elas junto com suas compras.

Cestinhas – São poucos os mercados que oferecem cestinhas de compras para os clientes. Essa é uma diferença que pontuo aqui, mas que não gosto. Acho um exemplo negativo. Então, ou você usa carrinho ou usa suas sacolinhas recicláveis – as mesmas que vai colocar as compras depois de pagar – para colocar as coisas enquanto escolhe. Um jeito bem alemão é pegar uma caixa vazia em uma estante qualquer e acomodar os produtos nessa caixa.  Eu já aprendi amargamente que é melhor pegar um carrinho sempre que for comprar mais do que cinco coisas, tendo em vista o pânico todo da hora do caixa.

Confesso que no começo eu achava tudo muito complicado, mas hoje em dia dei o braço a torcer para os alemães. Mesmo quando a fila do caixa parece enorme, pode ter certeza que a coisa vai andar rápido. O trabalho todo é otimizado, todo mundo faz a sua parte e fazer compras demora muito menos tempo. E depois de um tempo por aqui, juro que a graça é bater o próprio recorde: colocar tudo no carrinho mais rápido que o caixa consegue registrar e ficar olhando para ele com cara de impaciência. Uma vingançazinha na mesma moeda…

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comentários

Comentários (19)

  • Marcos diz: 27 de maio de 2015

    Pois é… Já morei na Alemanha e confesso que estou seriamente pensando em voltar. Aqui tem gente muito, mas muito abusada em tudo quanto é lugar. Não pensam no coletivo em momento nenhum. Supermercado, então, só Deus pra nos dar paciência…

  • jair diz: 27 de maio de 2015

    Já estive na Alemanha há pouco tempo e também fui ao supermercado. Porém, como estava em outra cultura tinha que me adaptar ao modus operandi do local. Nós temos a nossa cultura, o nosso jeito de ser e fazer as coisas. Quem quiser se alemoasar que vá pra a Alemanha. Sou mais brasileiro. chega desse complexo de vira-lata que invade algumas mentes alienadas.

  • Sido diz: 27 de maio de 2015

    Realmente nesse quesito os Alemães estão anos luz na nossa frente. É bem assim que nem você narrou. Prefiro mil vezes o sistema alemão do que ficar perdendo uma hora na fila aqui no Brasil.

  • Rafael F. diz: 27 de maio de 2015

    Seria ótimo adotarem por aqui esses carrinhos liberados com moedas. O problema aqui são dois:
    1 – há muita gente folgada, que mesmo estando com o carro perto da entrada do mercado, vai acabar deixando o carrinho no meio de uma vaga ou num canto qualquer, onde o carrinho pode acabar batendo em outro veículo ou tirando uma vaga de estacionamento.
    2 – os estabelecimentos poderiam criar alguns “bolsões” dentro do próprio estacionamento, onde o cliente pode deixar o carrinho. Como os estacionamentos às vezes são grandes, a pessoa tem preguiça de andar tanto pra devolver o carrinho. Mas se existissem alguns poucos locais espalhados para isso, resolveria bastante.

  • Julio Schmitt diz: 27 de maio de 2015

    Olá. Já observou que os caixas mais ágeis até já têm o troco na mão quando a gente vai pagar em dinheiro? Que um caixa chama por campainha outro, assim que a fila fica longa (e o pessoal já começa reclamar)? Que muitos caixas daqui provavelmente seriam demitidos já no primeiro dia por causa da lerdeza? Que quase todos os produtos contam com código de barra grande / ao redor de tal modo que o trabalho do caixa é facilitado na hora de passar pelo scanner (que nunca alguém precisa digitar o código – que acho por aqui um desrespeito da indústria com o comércio por aqui; para que esse negócio às vezes minúsculo que precisa passar várias vezes para pegar)? E para terminar, os clientes por aqui que não são apenas lerdos para colocar as compras na esteira, tirar e empacotar, mas que nem mexem um dedo sequer, esperando os auxiliares de empacotar chegar…

  • Rodrigo diz: 27 de maio de 2015

    Não é só o sistema, mas também a ganância: no Brasil, se for implantado um sistema 10x mais rápido, os supermercados vão colocar 10x menos caixas pra atender. O supermercado fatura mais, e a fila continua.

  • Guilherme diz: 27 de maio de 2015

    Muitos hábitos como estes bons, como usar sacola retornável e devolver o carrinho de compras no lugar de onde tirou, mas que mal tem passar as compras no caixa mais devagar que esta do exemplo? Que mal tem esperar um pouquinho? Que tanta pressa que se tem! Essa rapidez toda, que só faz a gente se desesperar no supermercado pra empacotar as compras (neste caso) é um pouco desnecessária. Desacelerar também é uma atitude para uma vida melhor. Mas, claro, cada lugar tem seu costume e nós conseguimos nos adaptar, só acho que estes exemplos não devem ser tratamos como “a maneira certa de fazer” e vender o Brasil como país de hábitos ruins, cada lugar tem seu jeito, alguns bons e outros não. O ideal seria unir o lado bom de cada lugar, né? É um desafio para ntodos!

  • Alemão sem passaporte diz: 27 de maio de 2015

    Nosso país é governado por sindicalistas.
    Tentem diminuir o número de caixas ou empacotadores(ou eliminar os empacotadores) que se verá o berreiro.
    Ou então, outro exemplo, tentem não contratar frentistas para encher o tanque de combustível dos carros. Não se conseguirá alvará para abertura, pois é ilegal. O Brasileiro não é preguiçoso. Este país com suas leis do tempo do reinado é que não nos deixam crescer.

  • Lauri diz: 27 de maio de 2015

    Pra ser sincero vc nao tem algo mais produtivo a publicar?? Tenho lhe acompanhado com anciedade e estou tendo decepcoes com suas postagens!! Da uma analizada a fundo na cultura alema e nos transmita !!

  • Renato G. Santos diz: 28 de maio de 2015

    Legal saber como funciona mercados na Alemanha, mas querer mudar a cultura de um povo, além de difícil deixá de ser o meu País varonil.

  • Simone diz: 28 de maio de 2015

    Já estive na Alemanha algumas vezes e fui ao supermercado.Sensacionais, as pessoas não ficam em cima de você na fila, dão espaço para respirar.Certos brasileiros sempre vão preferir nossa cultura egoísta por não conhecer coisa melhor.Só defende nosso sistema, aquele que mais o “utiliza”.

  • Marcos diz: 28 de maio de 2015

    Realmente, Jair, você não querendo mudar, com esse Brasil que é um “exemplo de convivência”, e o “alienado” sou eu, rsrsrs… só das mais razão ao meu argumento! Sinceramente prefiro passar meu tempo livre em outro lugar e não na fila de um supermercado, mas isso deve ser coisa de alienado, não é mesmo?!

  • Cristiano diz: 28 de maio de 2015

    Esse sistema de caixa foi criado justamente para diminuir o número de atendentes. Isso só não agiliza o atendimento como diminui custos de pessoal. Esses supermercados transformaram idéias simples e são imbatíveis no preço.
    Bate qualquer supermercado grande que conheço no Brasil em rapidez no atendimento e com muito menos atendentes.

    Antigamente os preços dos produtos eram adaptados nos centavos para facilitar o troco e a rápida digitação do caixa, antes do sistema de código de barras. Tudo orientado a um rápido atendimento ao consumidor. Essa é a história do início dessa idéia e que transformou os donos em milionários mesmo repassando preços baixíssimos aos consumidor.
    Existem 2 redes principais (Lidl e Aldi) que começaram com essas idéias e as 2 famílias estão entre as mais ricas da Alemanha.

    O preço do produto tb encontras por Kg ou por litro, junto com o preço final. Assim consegues de fato comparar os preços. Idéias voltadas ao consumidor.

    Os supermercados são todos praticamente iguais. Não importa qual lugar do país tu vais que os produtos estão sempre no mesmo lugar, não precisa procurar muito.

    Nesse mercado foi o único lugar do mundo que o preço do litro de suco de laranja brasileiro é mais barato que no Brasil. Só para terem idéia de quanto eles poupam com esse sistema. Sem mencionar que os produtos de segunda linha é que ficam no Brasil, etc.

    Um ponto positivo nos supermercados brasileiros é a forma de como os produtos estão distribuídos dentro do supermercado. Mas o ser humano se acostuma a tudo.

  • Daniel diz: 18 de junho de 2015

    No Brasil até o pagamento demora. O sistema do caixa é lento e o operador precisa pressionar um monte de teclas. O cliente é indeciso para escolher a forma de pagamento e confuso para para digitar a senha. Pior é o cliente que opta por recarregar o celular e pagar contas no supermercado.
    Na Alemanha, o caixa passa toda a compra só no tempo que o brasileiro demora para pagar.

  • Isabel diz: 3 de julho de 2015

    Gostei dessa ideia de passar os produtos no caixa, recolocar no carrinho e só depois tratar de empacotar. Isso agiliza o tempo e evita filas. Em Blumenau, alguns tem uma atitude deplorável, não se tocam quando chegam ao caixa do supermercado: nada contra usar o carrinho para pequenas quantidades, pois às vezes um item não cabe na cestinha, mas é irritante quando o sujeito passa o produto no caixa, empacota (isso quando não espera que o próprio Caixa empacote), vai embora e deixa o carrinho que usou parado na frente da fila. Muita falta de educação! Se fosse na Alemanha penso que levaria uma bela bronca.

  • Roberto Linhares diz: 3 de novembro de 2015

    Gostaria de saber se tem na Alemanha supermercados que vendem somente marca própria, ou que a maioria dos produtos seja de marca própria. Outra pergunta o Netto é considerado o supermercado mais barateiro?

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