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Diferenças culturais: O mito do cachorro-quente alemão, uma receita exclusivamente... blumenauense!

28 de maio de 2015 4
A versão alemã não tem chucrute. Só um pão pequeno e salsicha

A versão alemã não tem chucrute. Só um pão pequeno, salsicha e ninguém chama de cachorro-quente

Desde que eu me conheço por gente, gosto de cachorro-quente. Lá em casa, nunca se ouviu falar de outra receita: é pão francês (ou aquele mais docinho) com molho de chucrute, tomate e salsicha. E na falta de chucrute, é feito com repolho fresco mesmo, cortado fininho. Cresci comendo isso: na escola, nas lanchonetes da rua XV de Novembro, em Blumenau. Para mim, cachorro-quente era isso e eu sequer podia imaginar que existisse uma versão diferente. Pois bem, fica fácil entender o tamanho do desapontamento adolescente ao comer o primeiro sem repolho.

Na Oktoberfest blumenauense fomos obrigados a explicar esse nosso hábito excêntrico para o mundo e passamos a chamar nossa iguaria de cachorro-quente alemão. Há até uma empresa bem famosa da cidade que vende uma lata que diz isso no rótulo.

Com o passar do tempo e minha gula, conheci o buffet de cachorro-quente, modinha na época da universidade, depois a versão com tomate e cebola crua de Florianópolis, cachorro-quente prensado do Rio Grande do Sul, com purê de batata em São Paulo e por aí vai.  Mas foi quando cheguei na Alemanha que veio a surpresa maior: cachorro-quente alemão é, na verdade, única e absolutamente blumenauense.

Por aqui se come muito pão com salsicha, como já contei aqui no blog, especialmente Bratwurst. Trata-se de um pão minúsculo com uma salsicha enorme: o pão serve basicamente como um suporte para a salsicha. Come-se com mostarda amarela e é isso. Até existem versões com a salsicha Wiener (desfeito o mistério do porquê os curitibanos chamam de vina!), que teoricamente é a mesma usada no Brasil, mas com uma diferença grande de sabor e qualidade. A versão alemã é mais “crocante”, por assim dizer.

Em Viena, um pão furado com uma salsicha de queijo dentro

Em Viena, um pão furado com uma salsicha de queijo dentro

Outra versão popular em uma Alemanha cada vez mais multicultural é a receita do cachorro-quente dinamarquês, vendido em uma famosa rede sueca de móveis. E viva o mix cultural! O pão é adocicado (o tal do pão de cachorro-quente igual ao nosso de Blumenau), servido com uma salsicha Wiener. Em um buffet – isso varia conforme o país – está disponível pepino fatiado em rodelas em uma conserva de vinagre adocicada e cebola frita, quase a “batata palha” daqui… É só montar com catchup, maionese e mostarda amarela e ser um perito em equilibrismo para comer tudo sem deixar tudo cair na roupa.

Na Áustria há um Hot Dog bem peculiar. Uma máquina com um cilindro metálico fura o pão em sentido longitudinal e no buraco vai a salsicha. Não é a coisa mais simples de explicar em um blog familiar como esse, mas é bom. A salsicha é tipo Knacker – e não Wiener, como se podia esperar em Viena! Oh ironia! –, mas com queijo. Logo, uma Käsewurst. Vale colocar mostarda e maionese para completar.

Em Buffalo, os norte-americanos quebraram a hegemonia blumenauense do chucrute

Em Buffalo, os norte-americanos quebraram a hegemonia blumenauense do chucrute no hot dog

Mas antes que o Sul do Brasil comece a planejar a patente do cachorro-quente alemão, sou obrigada a acabar com a festa. Não foi só em Blumenau que comi cachorro-quente com chucrute nesta vida. Achei a iguaria na cidade norte-americana de Buffalo, estado de Nova Iorque. É mole? A única diferença da versão blumenauense é que o chucrute vem sem o molho de tomate. Não faço a menor ideia de como os americanos acabaram se apaixonando por essa mistura tão diferente, mas está lá em qualquer barraquinha de rua.

Por aqui, na Alemanha, sobra o consolo de ter os ingredientes em qualquer supermercado e quando bate a saudade, faço um parecido com o da minha mãe. Não igual ao dela e nem igual ao da latinha, mas bom o suficiente para matar a vontade.

E para quem ficou curioso com essa receita milenar blumenauense, é simples. Basta refogar o chucrute (ou na falta dele, repolho cortado em tiras bem finas) até que fique bem molinho. Vale adicionar cebola e alho, mas eu prefiro sem. Então, coloque molho de tomate – de caixinha mesmo!- , um pouco de pimenta preta, acerte o sal e cozinhe a salsicha no caldo. Rapidinho e caprichado. Apesar de parecer, não é uma receita alemã, mas aposto que faria sucesso por aqui também!

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comentários

Comentários (4)

  • Bernadete Kertzendorff diz: 28 de maio de 2015

    Esta receita de sua mãe é a mesma receita que minha mãe fazia e todos os filhos e netos continuam fazendo. Uma delícia.

  • Maicon Eduardo Prange diz: 28 de maio de 2015

    Mesma receita que eu faço hoje, mesma que minha mãe fazia e a mesma que minha vó fazia e com certeza vai ser a mesma que meus filhões vai fazer até por que já comeram e gostaram e vamos combinar que essa receita é muito melhor que outras.

  • Djalma diz: 28 de maio de 2015

    Independente de quem vá fazer ou fez lá no passado, a delicia continua a mesma. Os alemães não sabem é nada…….rsrsrsrsr

  • MTP diz: 23 de julho de 2015

    Sou de Porto Alegre e confesso que nunca tinha visto cachorro-quente com repolho kkkkkkk. Deve ficar tri bom!

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