Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

Ah, o verão... aquela estação do ano que a Alemanha não sabe como lidar

06 de junho de 2015 6
De Berlim a Bonn (foto): faz calor no país da calça de couro

De Berlim a Bonn (foto): faz calor no país da calça de couro

O verão chegou na Alemanha e, definitivamente, a Alemanha não sabe lidar com o verão. São seis, oito meses às vezes em que não se pode sair com apenas uma camada de roupa. Braços e pernas de fora? Esses mais raros ainda: confirmadas, com a benevolência do sol, umas quatro ou cinco semanas, sem passar muito disso. Não fica difícil imaginar, então, o quão esperados são esses dias em que a temperatura arranca vertiginosamente para além dos 25C. Bem isso: 25, com picos de 30 em três ou quatro dias. Se passar disso, preparem os hospitais.

E hoje é um desses dias de Alemanha tropical em Berlim. Aquele festival de unhas do pé que fazem qualquer um se equilibrar em um poleiro dando as caras nas sandálias sem meia. É dia de gente deitada nos parques, filas imensas nas sorveterias, cafés e restaurantes servindo nas calçadas. Depois de um inverno tão longo é possível entender a relação desse povo com o sol. A temperatura acima dos trintas é até manchete de vários jornais!

Para deixar mais claro, é preciso que se diga que dias bonitos não são regra por aqui. O clima não chega a ser cinzento como o do Reino Unido, mas não é tão melhor. O sol por aqui é venerado e todos querem ficar ao ar livre de todas as maneiras. Em alguns estados – como Bremen – há uma regra das escolas: nos dias em que a temperatura passa dos 30C, as aulas são suspensas pois as salas de aula não oferecem conforto térmico adequado para temperaturas tão elevadas. Já dá para imaginar que as escolas não são os únicos espaços não preparados e com o calor é possível notar alguns probleminhas, digamos assim.

Verão é sinônimo de férias e com isso de trens lotados e toda a pontualidade do serviço ferroviário germânico, imprescindível para conexões de quatro ou cinco minutos, desaparece e se transforma em um pesadelo de estações lotadas. Mas fica pior: os velozes e eficazes trens da Alemanha são muito confortáveis: no inverno. No verão, prepare-se para uma sauna: o ar condicionado não dá conta de tanta gente que, além de lotar os bancos, fica empilhada nos corredores e escadas de cada vagão com malas gigantescas e fiapos de suor a escorrer da nuca.

E vai além. O transporte coletivo urbano na grande maioria das cidades sofre do mesmo mal. Os ônibus, principalmente. Raros têm refrigeração e, diferente do Brasil, onde um janelão ameniza o sofrimento (quando não chove!) por aqui as aberturas são minúsculas. Apenas basculantes ajudam a refrescar: isso quando abrem!

Mas a coisa toda continua. Nós, brasileiros, crescidos em temperaturas próximas aos 40C, somos afeitos a banhos diários. Mais de um até. Há quem tome dois, três. E por aqui, esse último número é, em alguns casos, a média semanal de chuveiradas. Claro que existem alemães cheirosos, não vou generalizar: mas na média, os brasileiros dão um banho (há!) nesse quesito. Já fui xingada por tomar muito banho, juro. Então some essa prática (que no inverno não é tão perceptível) a falta de costume de usar desodorante. Coloque tudo isso dentro de um trem lotado e boa viagem. Bem-vindo às férias de verão na Alemanha.

Quem pode, foge. Os próprios alemães saem correndo em direção a Palma de Mallorca. A piada aqui é que Mallorca é o 17º estado alemão: é quase como os argentinos que costumavam invadir Florianópolis ou os ingleses que tomam conta do Algarve português. Já fui abordada diretamente em alemão por uma atendente de uma companhia aérea em uma escala na ilha espanhola. Por lá, senhores de papetes e meias, bermudas curtas e caras muito vermelhas desfilam com suas esposas igualmente coradas (muitas vezes com a alaranjada ajuda das câmaras de bronzeamento), usando calças brancas até as canelas: uma espécie de uniforme oficial das férias.

As calças brancas eu ainda não tenho, mas hoje comecei a desconfiar que estou virando alemã: deve ser água!  Me dei conta que uso Havaianas em casa, com meia (me julguem!), 350 dias por ano, mas hoje sai com elas pela rua para comemorar o calor (sem meia!). E nesse único dia do ano em que a temperatura passou dos 30ºC, fiquei com calos de Havaianas nos dois pés. O jeito vai ser comprar uma papete!

E para fechar, pense que tudo isso inspira uma sensação tropical, muita caipirinha (feita com açúcar mascavo e Pitu, claro!) e uma força caribenha emerge da alma alemã na hora de embalar o ritmo da temporada. Deixo todos vocês com o vídeo que prova isso e me despeço, suando em bicas, pedindo desculpas antecipadas por abalar a imagem que muitos tem da Alemanha.

Comente

comentários

Comentários (6)

  • Jörg G.Chromy diz: 6 de junho de 2015

    Senhora !
    Sim o calor atualmente aqui,no Sul da Alemanha no grande-Lago,
    é quase insuportável-fora com 35-graus ! Gente procurandos sombras de árvores,pois as águas no Lago-pertinho,apenas com
    17-graus !
    Nos mercados-aqui,águas-minerais e cerveijas sendos raridades !
    Já porqué os Suissos comprandos em lojas-daqui.
    Mas-tempestades já nas esperas-aqui!

    Bom fim de-semana em BERLIM !

  • carmem diz: 6 de junho de 2015

    Kkkkkk, ri ao ler sua descrição. É bem isso. Gosto de calças brancas e estou em ter uma exatamente pq tenho essa mesma impressão.

  • Jörg Chromy diz: 6 de junho de 2015

    Sim,os Ingleses sendos os piores,nas paraias da Espanha,e depois
    os Suecos-bebados durante 24-horas-kkkkkkkkkkkkkkk !
    Eu em viagem para Rio de Janeiro em ano 1976,assisti os Ingles-
    soldados soltos,na Copacabana-ai,soltos de Porto-Aviáo de
    “ARC-ROYAL” atracando-ai! Um CÁOS em todos os BARES-ai !!!
    Nunca vi na vida,mais-estragos em uma unica-noite !
    Obrigado,pelos navios de HMS-Ships,mostrandos educamentes,os
    culturas-deles-kkkkkkkkkkkkkk !!!!!!!!!!!!!!!!

  • Elcio Cadene diz: 7 de junho de 2015

    Depois de ver o Blog, comecei a desistir (fortemente) de conhecer a Alemanha.

    Vamos a NY, pelo menos os americanos tem mais flexibilidade legal e etilica.

    Forte Abraço

  • Roger diz: 11 de janeiro de 2016

    Oi Ivana, bom dia! Sabes estou buscando o reconhecimento a minha nacionalidade alemã, pois sou neto de alemão vindo da Alemanha, enfim. Estou em contato com o consulado aqui. Esses dias comentei com a minha esposa que havia lido um blog e não tive boas impressões da Alemanha. Casualmente hoje, acabei por acessar sem querer outro blog e vi a tua imagem, comentei coma minha esposa, veja disse eu a minha esposa, essa é a moça que havia comentado que tirou o brilho da Alemanha. Agora lendo toda a tua publicação, concordo com o Elcio Cadene, fiquei bem desestimulado de ir a Alemanha, até porque penso em viver na terra dos meus ancestrais junto da minha família, mas depois de ler o teu blog, estou a pensar, parece uma extensão do Brasil. Não posso acreditar nisso, foi a segunda vez que li algo seu e não gostei.Você passa uma impressão muito negativa, não vi nada positivo nos dois posts teu que li, e tu estás aí segundo você mesma desde 2008, puxa é estranho isso. Não me leve a mal, mas muito pessimista a tua visão ou pelo menos o que você passa aos leitores do teu blog. Sou de Porto Alegre/RS.

Envie seu Comentário