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Alemão gosta mesmo é de andar... “pelado, pelado, nu com a mão no bolso”

08 de junho de 2015 4
Crianças, banhistas e pelados se misturam em praia de lago em Bremen

Crianças, banhistas e pelados se misturam em praia de lago em Bremen

A musiquinha ai do título denuncia que já não sou adolescente. Para quem nasceu depois da queda do Muro de Berlim, eu explico: foi uma gravação da banda Ultrage a Rigor e que abria uma novela que já não lembro qual era. O fato é que volta e meia me pego cantando isso por aqui. Isso porque a relação que os alemães têm com a nudez é muito diferente do que estamos acostumados no Brasil. Não se trata de julgar quem está certo ou quem está errado: o que quero é mostrar que pudores e valores não foram exatamente um costume herdado por nós ao Sul do Equador.

Vou contar uma história que aconteceu comigo para ilustrar. Na época em que eu morei em Bremen, no Norte, frequentava um lago perto da Universidade. Nas margens, famílias com crianças, jovens estudantes fazendo churrasco, muçulmanas de véu na cabeça buscava refresco sob a sombras das árvores nos dias mais quentes. Depois do fim do expediente, muita gente pedalava até lá (sim, porque alemão vai trabalhar de bicicleta!) e dava um mergulho.

Em um desses dias, fui com meu marido e um amigo alemão dar uma volta. Confesso que nunca fui muito fã de banhos de lago – ainda mais com algas volta e meia batendo na perna – e decidi sentar no gramado do lado de fora esperando os dois peixes nadarem um pouco. Nos primeiros três minutos, um senhor saiu do lago e, já com água no joelho, tirou a sunga e saiu da água pelado. Pouco tempo depois, uma mulher tirou a parte de cima da roupa e colocou um sutiã de biquíni. O marido dela, ao mesmo tempo, baixava as calças e colocava uma bermuda. Em menos de dez minutos, outro cidadão tirou as roupas molhadas, secou-se todo calmamente e se vestiu, a uns cinco metros de onde eu estava. Não sou puritana, mas em 15 minutos eu tinha visto três homens pelados e nenhum deles era meu marido. Confesso que fiquei chocada.

Nem adianta dar zoom: a foto da praia de nudismo é de longe e a água estava gelada

Nem adianta dar zoom: a foto dos nudistas é de longe e a água estava gelada

O assunto tomou conta da pedalada de volta. Essa relação mais natural com o corpo vem do início do século 20, com a publicação de pesquisas que asseguravam os efeitos benéficos a saúde de banhos de sol e práticas esportivas sem roupas. Esse conceito, o Freikörperkultur (abreviado para FKK), que quer dizer a cultura do corpo livre, logo se popularizou na Alemanha. Como esse é um blog de família, não vou publicar fotos, mas uma pesquisa rápida mostra que até a chanceler Angela Merkel era adepta do naturismo antes da política.

E ela não é a única. Existem clubes por todo o país e as mais variadas atividades para os praticantes de FKK. Alguns parques e quase todos os lagos costumam ter áreas reservadas aos nudistas, topless é bem comum, mas o calendário de opções vai além do verão. Há, inclusive, anúncios de repúblicas onde os moradores já avisam que, por lá, todo mundo anda pelado.

Essa visão menos sensual do corpo rende momentos cômicos. Se frequentar uma sauna – que os alemães amam! – muito perto do trabalho, pode ser que acabe batendo um papo com seu colega de sala peladão enquanto dá uma suada. Nas piscinas, aulas de ginásticas, os chuveiros quase sempre são coletivos e sem qualquer divisória. Todo mundo está lá para tomar banho, embora seja difícil não reparar nas diferenças de hábitos entre o Brasil e a Alemanha. Depilação aqui segue um conceito diferente.

Outro susto da minha vida foi no curto período em que morei em um prédio com sauna aqui em Berlim. Nunca fui muito adepta, mas em uma semanada de -20 graus pode ser uma boa forma de se sentir aquecido. Separei a toalha, coloquei as havaianas e desci. Mas quando vi metade dos meus vizinhos pelados e apinhados em um cubículo cheirando a eucalipto, voltei para casa, tomei um banho quente e um chá para esquecer a cena… Até hoje não funcionou.

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comentários

Comentários (4)

  • olga diz: 8 de junho de 2015

    Algo parecido vivenciei quando vivi na Alemanha. Contei neste post aqui, dá uma olhada:

    https://frausantana.wordpress.com/?s=nackt

    Experiências inesquecíveis!

  • margarida diz: 8 de junho de 2015

    nunca entendi o Brasil,nesse aspecto. Desfilam no sambódromo nuas e na praia se vestem com peças ínfimas,muitas vezes,vários tamanhos abaixo do recomendado.É comum,na Alemanha,tomar banho de sol num parque,num relvado citadino,nú! Lembro-me da ida ao Sanssouci,nas margens de Wansee,grupos,perfeitamente à vontade,a apanhar sol,nús e nós passávamos pelos caminhos a 50 cm deles. Mesmo nos países escandinavos,sempre que está um sol agradável,muitos vêm para os jardinzinhos à porta de casa,apanhar sol,nús!O homem mais belo que conheci,era bronzeado integral kkkkkk

  • Julio Schmitt diz: 9 de junho de 2015

    Se esses costumes já podem parecer estranhos, vá até a Finlândia onde é bem comum reuniões empresariais “formais” acontecem, advinhou? Numa sauna. Todo mundo pelado. E se cada pessoa é “munida” de toalha, ela só tem um propósito: colocar acima da esteira de madeira porque contato da pele com a madeira seria “pecado imperdoável”. Assim os costumes variam.

  • Cândida izôlda diz: 13 de junho de 2015

    kkkkkkk

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