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Nunca conheci um alemão sem bicicleta: o país pedala rumo ao futuro da mobilidade urbana

22 de junho de 2015 4
Ciclistas estão por toda a parte de Berlim e da Alemanha

Ciclistas estão por toda a parte de Berlim e da Alemanha

Outro dia me pequei pensando em algo curioso. Em quase sete anos por aqui nunca conheci uma pessoa que não tivesse bicicleta. Ao mesmo tempo, posso contar nas mãos quem tem aí em Blumenau. Quando eu era criança lembro que meu pai nunca saia ou voltava para casa de carro perto das 13:00: veículos motorizados não tinham vez nesse horário no Progresso. Era quando a antiga Artex tocava o apito do fim do turno – que se ouvia no bairro todo! – e milhares de pessoas buscavam suas bicicletas na garagem pra voltar pra casa.

Eu cheguei a ter uma bicicleta na adolescência e fiz furo nos caminhos da Nova Rússia com ela. Mas o programa já era restrito a um grupo pequeno de amigos: cada vez menos gente tinha bicicleta. Escrevo para lembrar que Blumenau já foi Amsterdã um dia e que na pressa de chegar ao futuro deixou para trás alguns de seus melhores hábitos. Mas ainda há tempo de repensar.

Voltando aos alemães: essa constatação de que todo mundo tem bicicleta é quase acertada. Encontrei estatísticas de 2013 que dão conta que 72% da população possui uma magrela. A mesma pesquisa aponta que 57% dos alemães gostam ou gostam  muito de andar de bicicleta. Basta sair nas ruas para ver as estatísticas pedalando freneticamente. No total, 47% das pessoas usam a bicicleta não apenas como lazer, mas como meio de transporte.

E sabe porque isso acontece? Não apenas porque pedalar é saudável (para quem pedala e para o meio ambiente!) ou divertido: por aqui, é seguro. Em Berlim acontecem acidentes com ciclistas mais do que em outras cidades, claro, mas os números, ainda assim, tornam a prática convincente. As ciclovias cortam a cidade inteira e, mais que isso. Pela Alemanha, as ciclovias ligam uma cidade a outra e há quem faça caminhos intermunicipais para chegar ao trabalho todos os dias. Entre os usuários, 25% usa a bicicleta como meio de transporte para chegar ao trabalho todos os dias. Entre os estudantes, 10% chegam a escola pedalando.

Outro dia recebi visitas do Brasil que, ao ver o vaivém pela cidade, lembraram da polêmica em torno das ciclovias de São Paulo. “Para que tirar espaço dos carros se ninguém usa aquilo”, argumentou meu amigo. Bom, porque primeiro se faz a rua, depois começam a circular os carros, certo. E com bicicleta não pode ser diferente. Primeiro é preciso que existam espaços para elas, é preciso que os motoristas respeitem esses espaços e então os ciclistas chegam. E com um pouco de incentivo, muitos motoristas passam a ser ciclistas também.

O bacana de tudo isso é a mudança cultura. Percebi isso quando cheguei aqui. Um dos meus professores na universidade, um senhor doutor cheio de diplomas, títulos e com um cargo bem poderoso na instituição, chegava meio esbaforido para dar aulas. Eu sempre achei que era por conta das escadas, mas fui descobrir depois que ele pedalava vários quilômetros todos os dias para trabalhar. E sabe como descobri isso? Em um dia de chuva, em pleno inverno em que ele chegou com um macacão de plástico preto impermeável sobre o terno. O strip-tease do professor tentando se livrar do macacão molhado não foi a cena mais bonita da minha vida acadêmica, mas foi uma das maiores lições: pedalar é parte da vida dos alemães, faça chuva ou faça sol. Adotei o hábito para a minha vida tem uns anos e poucas coisas, hoje, me deixam mais feliz.

Confesso que o cenário ajuda: eu também vou de bicicleta pra lá e pra cá

Confesso que o cenário ajuda: eu também vou de bicicleta pra lá e pra cá

Mas andar de bicicleta por aqui, como tudo, tem suas regras. Se a magrela não tiver luzes (farol dianteiro e sinalizador traseiro) é multa garantida. Freios tem que estar em dia e na hora de dobrar uma esquina é importante fazer sinal com a mão. Mas o apetrecho de segurança mais importante por aqui é, sem dúvida, o cadeado! O valor da tranca tem que ser proporcional ao valor da bike. E mesmo assim vale apelar para a sorte e para qualquer mandinga. Em Berlin, no passado, 30.758 bicicletas foram roubadas. Na proporção, este ano, já foram 16% a mais.

É possível fazer um registro da bicicleta na polícia e, com esse código, informar o furto. Mas com ou sem ele, as chances de recuperar a bike são mínimas. E conforme a polícia, não só os ciclistas alemães que têm feito longas distâncias. As bicicletas roubadas por aqui têm viajado por toda a Europa.

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comentários

Comentários (4)

  • Ralf Spin diz: 22 de junho de 2015

    Realmente a bicicleta é uma excelente meio de transporte limpo e eficiente, só que muitas coisas mudam como andei por alguns países da Europa constatei uma boa diferença, a primeira Blumenau tem um relevo muito mais acidentado, e é uma cidade que pelo menos 9 meses por ano é muito quente, onde seria impossível trabalhar ou estudar suado.
    Até porque muitos lugares não possuem banheiro para tomar banho.
    óbvio que por mais tenhamos essas dificuldades devemos ter a opção de utiliza las.
    Outro realidade que mudou muito nos últimos são os preços exagerados das bicicletas, pelo menos aqui na região muitos compram bikes para fazer trilhas com os amigos, o preço deu um boom, exagero que bikes que custam menos de 1500 reais são ruins.
    Ah, em relação Blumenau e Amsterdã acho que aqui o povo é mais civilizado em relação de respeitar as leis, pelo menos nos 3 dias que andei pelas ruas de Amsterdã, constatei muitos ciclistas andando fora da ciclovia, e andando em alta velocidade nas calçadas, e até mesmo aquelas motonetas, que aqui no Brasil só podem rodar na rua, lá utilizavam as calçadas e também andando em alta velocidade.

  • Joerg G.Chromy diz: 22 de junho de 2015

    Halloooooooooooo !

    Senhora,was machen Sie in BERLIN ? Wie konnten Sie einen
    Studienplatz in einer UNIVERSITÄT dort bekommen,ohne ABITUR
    da Alemanha ?
    Sei muito bem,problemas de tránsito e com bicicletas ai,mesmo
    em BLUMENAU,algo de suizicidios-ai-kkkkkkkkkkkkkkkk !
    Blumenauense conhecido como condutor de carro,sem respeitos,
    as Auto-Escolas ai naum funcionandos-certo,melhor andar de
    Ònibus-ai ou de TAXI,meus jeitos em atravessar ruas ai,em faixa
    marcada,somente com sinais e apitos-sonores ! E Falam,é cidade
    da Alemanha ??????????????? Putzzzzzzzzzzzzzzz !!!!!!!!!!!

  • Bernadete Kertzendorff diz: 23 de junho de 2015

    Apendi a andar de bicicleta com uns 8 ou 9 anos(era uma bicicleta de adulto, da minha mãe) e ainda gosto muito. Até andaria mais, mas minha rua não tem acostamento, só buracos, ciclovia então nem pensar. Minha filha também tem uma, mas por falta de uso vai colocar a venda. Somente meu marido ainda usa a dele para trabalhar. Tenho saudade do tempo em que uma bicicleta era artigo de primeira necessidade em Blumenau.

  • Roosewelt diz: 15 de julho de 2015

    Houve uma época que diariamente utilizava a bicicleta para me locomover, no meio das plantações, entre Wolfenweiler em Schallstadt e a Universidade de Freiburg, em Freiburg im Breisgau – um dia me perdi no meio da plantação e, então, foi a primeira vez que me vi forçado a “falar” em alemão, pois uma agricultora de idade, que passava de bicicleta, não falava inglês, assim como a maioria das pessas de muita idade que moram em vilarejos. Foi fantástico!

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