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Crianças usam bicicletas sem pedal na Alemanha e aprendem a seguir as regras cedo

30 de junho de 2015 4
Mal aprendem a andar, crianças já ganham bicicletas sem pedal

Mal aprendem a andar, crianças já ganham bicicletas sem pedal

Eu devia ter uns 10 anos quando aprendi a andar de bicicleta. Minha vizinha Simone ganhou uma monareta dobrável de Natal e todos os adultos da redondeza tiveram que se revezar para fazer duas crianças aprenderem a usar a coisa. A bicicleta bordô era dela, mas as voltas pela estradinha de chão de acesso a casa – coisa de 30 ou 40 metros – eram irmãmente divididas e essa é uma das memórias mais felizes da minha infância. A minha bicicleta só chegou uns anos depois: amarela e rosa, com cestinho.

Lembro sempre dessas cenas quando vejo as crianças pedalando aqui na Alemanha. O nosso método, de rodinhas ou de alguém correndo enquanto segura a bike pelo bagageiro, está longe de ser eficiente. E a técnica alemã foi uma das primeiras coisas que eu reparei quando cheguei aqui. As crianças mal começam a andar e já estão em cima de uma bicicleta.

Bem, quase uma bicicleta: uma Laufrad. Esse tipo de bicicleta não tem pedal! A criança senta no banco, guia, mas se impulsiona com os pés: assim, aprende facilmente a se equilibrar em duas rodas e, antes dos três anos, já estão pedalando com segurança por aí. Se gostou da ideia, aqui tem um esquema para montar uma em casa, de madeira (está em alemão). Eu nunca vi para vender no Brasil.

Aqui na Alemanha as bicicletas infantis raramente têm rodinhas. Quando os pequenos deixam a Laufrad para trás, já têm equilíbrio o bastante para pedalar sem auxílio. Assim, as magrelas coloridas dos pequenos ganham, muitas vezes, bandeirinhas: isso facilita que os pais os acompanhem em ambientes mais cheios e previne atropelamentos por outros ciclistas mais afoitos.

Bicicletas infantis esperam seus pequenos donos na porta de um estabelecimento comercial

Bicicletas infantis esperam seus pequenos donos na porta de um estabelecimento comercial

Mas esses não são os únicos acessórios de segurança. Alguns itens são obrigatórios para quem pedala por aqui: luzes, sinalizadores e buzina. As lâmpadas são o item mais fiscalizado: é preciso ter um farol dianteiro e uma luz vermelha na traseira. A maioria funciona com um dínamo acoplado a roda, mas algumas bicicletas mais novas já vem com faróis à bateria. Conheço muita gente que já foi multada por estar com os faróis fora de ordem e pedalando depois do crepúsculo.

Além disso, existem regras: as bicicletas devem andar nas ciclovias no mesmo sentido do trânsito. Andar na contramão também é passível de punição. Nos cruzamentos, é preciso respeitar o sinal: quando não há semáforo exclusivo para as bicicletas, elas param conforme os veículos. E por falar nisso, o ciclista pedala à direita do trânsito e tem preferência. Se um carro for dobrar uma rua, deve observar quem está pedalando antes. O ciclista, por sua vez, tem que sinalizar com mão quando for dobrar.

As regras garantem uma convivência pacífica entre quem usa motores e quem usa as pernas. Mas o bolso ajuda a fazer com que todo mundo obedeça. Ciclistas podem ser (e são!) multados se cruzarem sinais vermelhos, por exemplo. E mais: se quem estiver pedalando tiver carteira de motoristas, terá os pontos registrados na habilitação, como se a infração tivesse sido cometida ao volante.

E para fechar, quer saber como pedalar em Blumenau? Confere o especial que o Santa preparou e leve a magrela passear: Todos pela Bike!

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comentários

Comentários (4)

  • Aline Gonçalves diz: 1 de julho de 2015

    Olá, a Nathor é a maior fabricante de bicicletas da América Latina, localizada na cidade de Blumenau/SC, e produz a bike sem pedal.

  • Carlos R.Pereira diz: 1 de julho de 2015

    Quando estive na Alemanha, isto já final de outono, me surpreendi com o numero de bicicletas, em frente a centos educacionais, todo tipo de bicicletas , infantins, Balances (como estas sem pedais são chamadas aqui), gargueiras estilo Dinamarquês e Holandês, com carretinha, acento no bagageiro etc.

    Aluguei uma bicicleta para passear pelas ruas de Berlim foi sensacional o respeito.

    Confesso que foi meio assustador de inicio, pois o medo de fazer alguma coisa errada, mas também parecia que faltava alguma coisa, para quem esta acostumado com o stress, de uma cidade (Alemanha sem passaporte) onde os motorista não respeitam ciclista, tirando finas, passando a cm do guidão, quando não levando junto o retrovisor da bicicleta, xingando, tacando a mão na buzina para assustar, freando encima da hora, ultrapassando e em seguida cortando a frente etc, etc…

    O sistema cicloviário em cidades medievais, derrubam o argumento de nossos governantes, de uma cidade sem passaporte, que não dá para fazer um sistema cicloviário descente. Se é possível fazer em cidades de 800 anos, por que não dá para fazer em uma de 150?

  • Carlos R.Pereira diz: 1 de julho de 2015

    Assento e não acento… correção

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