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Na Alemanha, até os cachorros vão para a escola e pagam impostos

13 de julho de 2015 10
Como bons amigos, cachorros esperam os donos do lado de fora do mercado, sem brigas

Cachorros esperam os donos do lado de fora do mercado, sem brigas

Já li vários artigos de psicologia canina, se é que se pode definir assim, afirmando que os cães tendem a ter uma personalidade parecida com os seus donos. Se isso for verdade, fica fácil entender uma das coisas que mais chamaram a minha atenção quando cheguei na Alemanha: não se escuta latidos por aqui.

Para começo de conversa não existe o conceito de cão de guarda, como ainda se vê no Brasil. Cachorro por aqui é sempre parte da família e é tratado com status de gente. Lembro de uma história (triste, na verdade!) de uma professora da universidade que começou a levar o cachorro bem velho e doente para as aulas e para o escritório pois, depois de quase duas décadas de companhia, não se sentia no direito de deixar o animal morrer sozinho em casa enquanto estivesse no trabalho.

Cachorros por aqui são muito mais bem recebidos do que crianças em muitos lugares. Existe um sentimento muito forte por aqui contra a presença de crianças em restaurantes, parques e outros espaços públicos, definido por uma palavra bem específica: Kinderfeindlichkeit (hostilidade contra crianças). Aliás, com a pior taxa de natalidade do mundo (8,2 nascimentos para cada mil habitantes), a Alemanha tem cada vez mais famílias constituídas por duas pessoas em uma relação de amor e um cachorro. Perdi a conta das vezes que vejo um carrinho de bebê passando com um patudo embrulhado em mantas.

Ter um cachorro aqui não significa apenas adotar um animal de companhia: a decisão demanda um investimento que vai além da comida e do veterinário. Os estados já exigem que o cachorro tenha um chip implantado sob a pele e no país inteiro é preciso pagar imposto para ter o bichinho. Uma amiga querida que “dirige” (logo explico a piada!) uma cadela de grande porte pelas ruas de Bonn paga 150 euros (525 reais no câmbio de hoje) de imposto por ano.

Talvez por isso por aqui não exista cachorro de rua. Existem muitos cachorros pela rua sim, mas todos acompanhados de seus donos. Eles (os bichos!) participam ativamente da vida social do país. São bem-vindos em muitos restaurantes, podem entrar em quase todos os lugares. Aliás, a regra aqui é: se não existe uma placa avisando que o cachorro precisa ficar fora, o espaço é compartilhado.

Em muitos estados, só brinca na rua cachorro que já foi pra escola

Em muitos estados, só brinca na rua cachorro que já foi pra escola

Quando precisam ficar do lado de fora, os bichos sabem se comportar e, muitas vezes, compartilham espaço com outros cachorros, sem brigas. Cachorros por aqui também não dão bola para estranhos e os alemães, em geral, odeiam que alguém se aproxime de seus cães e tente interagir com o bicho. Mas não adianta muito: os cachorros são sisudos também e não fazem festinha para quem eles não conhecem. No entanto, sabem se comportar muito bem dentro do trem, mesmo em viagens de longa distância (sim, eles também pagam passagem).

Isso porque, só pode ir para a rua cachorro diplomado! Bom, quase isso. Em muitos estados, donos e cães precisam ter um certificado de que passaram pelo treinamento adequado para que possam frequentar espaços públicos.  Em outros, depende do tamanho do animal. A legislação tem endurecido e pouco a pouco mais estados tem exigido o diploma. E como na escola, se formar não é fácil: é preciso acompanhar as aulas e passar nas provas teórica e prática.

Frequentar a Hundeschule (Hund = cachorro, Schule = escola) é um passo necessário para obter a Hundeführerschein. Como carteira de motorista por aqui se chama Führerschein, eu não consigo evitar de fazer a piada (ruim!) forçando a barra na tradução: a Hundeführerschein é carteira de motorista de cachorro. Só com ela os cães ganham o direito de passear pelas ruas, mas ainda não podem dirigir suas Mercedes sozinhos. Ainda.

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comentários

Comentários (10)

  • Nelson diz: 13 de julho de 2015

    O que é bom deve ser copiado, Porque nossos vereadores não fazem uma lei para criar estas escolas aqui?
    Imaginem conseguir dormir sem os latidos e uivos dos cachorros.

  • Jovenildo diz: 13 de julho de 2015

    Perfeito! Quero que cobrem impostos de cachorro aqui no Brasil. Já que as pessoas se detestam e preferem os cães então que eles paguem impostos como na Alemanha. Chega de uivos e latidos gratuitos.

  • Gilfredo Ballod diz: 13 de julho de 2015

    O brasileiro morre do coração se tiver que pagar uma taxa de $525 reais para ter um cachorro. Nunca vi um povo com tanta aversão a impostos; pensam que os governos fazem as obras do nada, kkk!!

  • Joerg G.Chromy,D-78467 KONSTANZ-Alemanha diz: 13 de julho de 2015

    Parabens,

    Um assunto bem-explicado para o Brasil !

  • Mr. Poodle diz: 14 de julho de 2015

    Eu e meu dono já fomos para a escola aqui no Brasil e agora estamos de férias! Porque vocês não vão procurar assuntos mais interessantes do que falar de animais? Lá na Alemanha também tem roubalheira de impostos também como no Brasil?
    Acho que no Brasil não deveria ser criado mais nenhum imposto, todos que são criados servem apenas para serem desviados!
    Prefiro ficar aqui na minha vidinha de cão de rua mesmo..

  • Luciano de BLUMENAU diz: 14 de julho de 2015

    Gilfredo Ballod !
    Concordo com você.
    Só que o seguinte…….o problema é que aqui pagamos um imposto absurdo para tudo……e melhorias que é bom nada ! E se fazem, é bem meia boca e olhe lá viu !

  • Samya diz: 14 de julho de 2015

    É o que sempre digo… quem não sabe educar cachorros, tb não sabe educar os filhos. A disciplina se aplica nos dois casos. Aqui no Brasil é o que vemos…. Crianças e cachorros mal educados. Não que na Alemanha não haja crianças mal educadas tb, mas a incidência é muito menor. Eu já ouvi muita crítica pq coloco limites na cachorrada em casa, mas estou tranquila pq sei que faço o que é correto.
    Sabe o que vejo nisso tudo? Tratam por aqui as crianças e animais de estimação como bens (materiais). Eu quero …. ter um filho, um cachorro. Mas pq vc quer ser mãe/pai? Pq eu quero!!!

  • Klaus diz: 14 de julho de 2015

    Não da para negar o avanço alemão em vários pontos de sua existência, mas qual a idade deste pais e deste povo?2.300 AC?qual o preço que pagaram para terem sua educação?Quantas guerras, matanças?Povo pacífico?Esperem a crise por lá estourar com mais força, ai veremos quem realmente são e quem irão perseguir ou invadir.

  • Gabriela Santos diz: 4 de dezembro de 2015

    Eu gostei da matéria. Foi-me útil, por que desde a passagem alegre e vitoriosa da Alemanha por aqui durante a Copa, eu desenvolvi uma curiosidade sobre o povo alemão e os seus costumes e cultura. Mas, eu vi com estranheza certas coisas: o fato do cão não latir e a hostilidade contra crianças. Veja bem, um cão bem educado é ótimo, porém um cão robotizado é triste! Eu não gosto de crianças, contudo aversão a crianças é um absurdo! Como sempre, o ser humano é exagerado e muitas vezes injusto.

    Uma dúvida: cães da raça American Pit Bull Terrier são aceitos na Alemanha ( em alguns países europeus a raça é considerada maldita)? como eles lidam com as raças vistas como perigosas?

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