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Cinco coisas irritantes que acontecem nos supermercados do Brasil e que você não vai ver na Alemanha

31 de julho de 2015 10
A fila do caixa seria bem menor se cada um fizesse sua parte

A fila do caixa seria bem menor se cada um fizesse sua parte

Ir ao supermercado faz parte da rotina de todo mundo e por isso se torna uma das tarefas mais marcantes quando se vai morar fora. Fazer supermercado na Alemanha é uma aventura, como já contei aqui no blog: falta espaço depois do caixa, alguns não oferecem cestinhas, os produtos são bem diferentes e por ai vai. Mas nem tudo é ruim: com o passar dos anos passei a gostar muito mais da forma como algumas coisas funcionam por aqui e agora, quando estou no Brasil, fico irritada com coisas que antes nem percebia. Por isso fiz uma lista com as cinco coisas mais irritantes que os brasileiros fazem no supermercado e que você não vai ver na Alemanha.

Largar carrinhos nas vagas do estacionamento e passagens de pedestres – Os carrinhos são largados por todos os cantos, forçando o motorista a sair do carro para fazer espaço ou o pedestre a desviar. A medida para acabar com isso é simples, pode copiar da Alemanha: por aqui, para retirar o carrinho é preciso colocar uma moeda, geralmente de 1 Euro. É preciso devolver o carrinho para receber a moeda de volta. Assim, todo mundo se encarrega de colocar no exato lugar que pegou. Simples, né?!?!

Estacionar em vagas de idosos e deficientes – Isso não é só no supermercado. É geral. Eu sempre prometo que vou fazer um cartão xingando o sujeito pra colocar no vidro e não faço. Mas como todo mundo deve pensar o mesmo que eu – fica indignado e não faz nada – a coisa fica por isso mesmo. E pior: tem cidadão que ainda liga o pisca alerta do carro. É para alertar o mundo do tamanho da falta de educação do motorista? Só pode. As vagas reservadas para idosos e deficientes não apenas dessas pessoas e você não pode usar esses espaços nem por cinco minutinhos.

Não empacotar as próprias compras – Essa é provavelmente a coisa mais irritante que acontece em um supermercado brasileiro, lotado de pessoas acostumadas a serem servidas (essa espécie de escravidão aceita culturalmente e que deveria envergonhar o país). Não sei o que é pior: a caixa se virado do avesso para colocar tudo em 1394819891 sacolinhas ou o mercado contratar mais uma pessoa, geralmente um “menor aprendiz” (aprendiz do quê? Da manutenção do status quo da subserviência?) para fazer isso. Na Alemanha a coisa é extrema: você compra, coloca as coisas em uma esteira enorme, separada por plaquinhas entre um cliente e o próximo, passa no caixa, coloca tudo de volta no seu carrinho o mais rápido que puder (e nem assim isso vai ser rápido o suficiente!) e depois, em um balcão ao lado, empacota calmamente nas sacolinhas que trouxe de casa ou nas que comprou. Assim, uma fila gigante no caixa não significa uma hora esperando.

O excesso de sacolinhas plásticas – Por aqui, cada sacola custa entre 10 e 25 centavos de euro, dependendo do tamanho e da qualidade. Existem as especiais também (e mais caras): de papel, especiais para conservar alimentos frios e as reutilizáveis, de algodão cru, vendidas no caixa de todo e qualquer mercadinho.  A maior diferença é que você passa a usar as sacolas com mais parcimônia: no Brasil, coloca-se duas ou três sacolas, uma dentro da outra, para que o cliente leve até a porta do carro, estacionado no pátio do mercado, meia dúzia de coisas, que por sua vez já estão dentro de outros sacos (como as frutas) ou embalagens. Eu uso sacolinhas ecológicas sempre e tenho as mesmas há quase sete anos.

Há quem defenda que essas sacolinhas plásticas são reaproveitadas para armazenar o lixo doméstico, mas eu discordo desse argumento com uma simples observação. Todo mundo no Brasil tem em casa muito mais sacolinhas do que precisa para usar no lixeiro, além de jogar a maioria delas fora porque rasgaram no caminho, molharam… Além disso, na verdade, a maioria das pessoas também compra sacos de lixo (e coloca dentro de uma sacolinha pra levar o saco com os sacos para casa!) e depois coloca o lixo nas sacolinhas e as sacolinhas no saco…

Terminar de fazer as compras quando já está pagando – O mundo precisa parar porque a pessoa esqueceu de comprar farinha de rosca. Enquanto busca, aos demais da fila espiam as fofocas da novela na revista, falam sobre o tempo, jogam Candy Crush. Ai a pessoa volta, coloca a farinha de rosca na esteira e lembra que esqueceu dos ovos. Sorri para caixa e vai buscar. Essa falta de empatia e respeito me irrita profundamente. Primeiro: faça uma lista antes de sair de casa. Depois, se esqueceu, paga tudo, leva no carro (porque no Brasil todo mundo anda de carro, mas isso é assunto para uma próxima conversa) e volta para buscar o que faltou: Ah, isso vai me fazer perder tempo!! Sim, vai. Mas você vai perder o seu tempo, não o de todo mundo que continua na fila esperando.

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comentários

Comentários (10)

  • Juliana diz: 31 de julho de 2015

    Super concordo! Todos os itens citados por você são irritantes a todos nós, mas o último é o que mais me irrita. Tem muita gente sem noção.

  • Gilfredo Ballod diz: 31 de julho de 2015

    Exato, essas manifestações de ignorância que você citou acontecem a todo instante nos supermercados de Blumenau, e certamente é assim no resto do país.

    Deixar o carrinho nas vagas de estacionamento, estacionar em vagas de idosos e deficientes, não empacotar as próprias compras, tudo isso parece normal por aqui.

    E olha que o IDH de Blumenau está entre os maiores do Brasil. Além de indicadores de longevidade (saúde) e renda, o índice também leva em conta o nível de educação da população. Nem parece, né? kkkk !!

  • Andreas diz: 31 de julho de 2015

    Excelente matéria.
    Ah, tem mais uma: se você precisar pagar pela sua compra por exemplo R$20,03 em espécie, vai ter que desembolsar os R$20,03 centavos. Não tem arredondamento. Da mesma forma, se tiver que receber 3 centavos de troco, você vai receber!

  • Bruno diz: 31 de julho de 2015

    Uma coisa que me irrita muito em Blumenau, e que eu só vejo acontecer aqui, é a pessoa colocar as coisas do carrinho na esteira, e deixar o carrinho ali, na frente da fila, pro próximo se virar com ele. Quando pego uma situação dessas, vou empurrando o carrinho pra frente, até a pessoa se sentir incomodada e dar um jeito.

  • Rafael F. diz: 31 de julho de 2015

    Deixar o carrinho no meio de uma vaga, ou em qualquer local que atrapalhe alguém que quer estacionar ou sair, é mesmo o cúmulo do egoísmo e da visão “foda-se os outros”. Infelizmente estamos cheios de pessoas assim no Brasil, e não há salvação. É algo cultural, enraizado, infelizmente.

    E do jeito que a coisa anda, deixar carrinho no meio do caminho é o de menos. Se eu vejo que a pessoa estacionou certo e não totalmente torto ou ocupando duas vagas, já me dou por satisfeito.

  • deblu diz: 31 de julho de 2015

    Tenho o costume de fazer as compras quando o supermercado abre, junto com o pessoal da terceira idade. Tudo é mais tranquilo. Sem tumulto, sem filas, todos os produtos estáo arrumados e organizados, enfim é o preço de se acordar cedo mas vale muito a pena.

  • Fabricio José Barbosa diz: 1 de agosto de 2015

    Pessoal, não podemos jogar para a plateia e dizer que o problema é cultural, aparentando que não tem solução. “Ah, mas é cultural”. Ok, mas como muda-se uma cultura? É esta a questão. Infelizmente muitos defensores do conceito de que o Governo não pode interferir nas nossas vidas nem sempre tem 100% de razão. O Governo não pode interferir na educação dos nossos filhos e por ai vai. É o lema: escola ensina, família educa. Mas o que fazer quando a família não educa? O Governo tem que tomas as rédeas e agir como um pai educador. Dar o exemplo (começar a fazer nos órgãos públicos) e começar a dar incentivos para quem mudar comportamentos. Só assim teremos uma sociedade que culturalmente evoluirá e ficará semelhante às melhores democracias Europeias.

  • Siegrid Ane Creutzberg diz: 2 de agosto de 2015

    Concordo em gênero, número e grau, eu uso minhas “eco bags” que trouxe da Alemanha há 20 anos!

  • André Luiz BONDAVALI diz: 2 de agosto de 2015

    Bom dia !! Eu percebo que você não comentou sobre vagas para idosos e deficientes na Alemanha .

  • Jeanderlei Pereira diz: 2 de agosto de 2015

    Por aqui se cobrar uma moeda pra pegar o carrinho vai ser pior, por aqui acham que se estão pagando podem fazer o que quiserem, aí que vai largar o carrinho em qualquer lugar mesmo . E quanto a buscar mais itens quando já estão passando as compras no caixa é irritante mesmo .

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