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Curiosidades da Alemanha: muro de Berlim, pepinos Spreewald e a ostalgie, coisas que são marca registrada da Alemanha Oriental

13 de agosto de 2015 0
Provavelmente os pepinos Spreewald são o mais famoso produto da DDR ainda no mercado

Provavelmente os pepinos Spreewald são o mais famoso produto da DDR ainda no mercado

Há exatos 54 anos o Muro de Berlim – que cercava uma “ilha” capitalista no coração da Alemanha comunista (Deutsches Demokratische Republik, ou DDR) – começou a ser erguido. A cidade já tinha seu controle divido desde o fim da guerra, mas foi quando médicos, engenheiros, professores e outros profissionais começaram a fugir em massa do lado comunista em busca de uma nova vida no lado capitalista, foi que o governo começou a cercar Berlim Ocidental com arames, soldados e depois com o muro que separou os alemães por 28 anos. Esse ano a Alemanha vai celebrar os 26 anos da sua queda, mas alguns costumes e hábitos o tempo não apaga.

Existe um termo curioso que aprendi quando cheguei aqui na Alemanha: Ostalgie, que é um neologismo que mistura nostalgia e “Ost”, de Ostdeutschland, a antiga Alemanha comunista e nostalgia. O termo se refere a costumes, modo de viver, mas também a produtos que as pessoas consumiam naquela época em que o pais eram dois. E mesmo décadas depois da reunificação (3 de outubro de 1990), há quem ainda prefira ter nos armários de casa os produtos que eram vendidos nos mercados controlados pelo governo nos tempos de comunismo. Existem lojas especializadas só em produtos da época.

Livros sobre o design da DDR e as tradicionais galinhas para comer ovo

Livros sobre o design da DDR e as tradicionais galinhas para comer ovo

Aqui em Berlin, essa coisa toda das duas Alemanhas ainda é muito presente. Tanto aqui como em Weimar, onde morava, uma cidade que fica no coração do que um dia foi a DDR, as prateleiras do supermercado têm muitas coisas que nunca vi em outras cidades da “Alemanha Ocidental”. Na lista estão mostardas Bautzner de todos os sabores, ou mesmo o Russisch Brott, um doce bemmmm doce que fica no meio termo entre biscoito e suspiro, vendido em forma de letrinhas. Tem ainda a versão oriental da Nutella, o creme de avelãs Nudossi, que eu acho bem mais gostoso que a versão famosa. O pró-seco Rotkäppchen (Chapeuzinho Vermelho!) e o refrigerante Vita-Cola (que fora a cor, não tem nada a ver com os outros de nome parecido!) são vendidos na Alemanha inteira até hoje!

Creme de avelã da DDR é muito mais gostoso que o da marca famosa

Creme de avelã da DDR é muito mais gostoso que o da marca famosa

Eu adoro produtos inspirados no design da DDR. Como sou fã de livros, acabei montando uma pequena biblioteca com vários títulos que falam da história das peças e da relação da produção: o assunto é um prato cheio! Mas o interessante disso tudo é perceber que muitas das coisas que eram 100% DDR foram parar na minha casa em Blumenau. Como, não sei! Mas volta e meia reconheço brinquedinhos e souvenir que minha Oma deve ter recebido de alguém. Será que era uma “subversiva” e eu nunca desconfiei!? Por via das dúvidas ou por pura nostalgia também, sigo a coleção. Essas galinhas de plástico para colocar ovos – muitos alemães comem ovo mole no café da manhã – é uma das minhas peças favoritas.

Como as galinhas, muitos desses produtos seguem no mercado. Em uma loja popular da Alemanha (a Woolworth, mas pode chamar de Wooly) vende-se até mesmo uns vestidos coloridos e de um material duvidoso que custei a entender: em uma visita ao Museu da DDR descobri que eram, na verdade, uma espécie de guarda-pó, peça central do vestuário feminino para o trabalho doméstico. As peças, chamadas Damenkittel, eram oferecidas pelas lojas estatais e embora não estejam nas vitrines, ainda são facilmente encontradas.  Fiquei com vontade de comprar um só pelo valor histórico da peça, mas com essa vida de mambembe, não sei se vale ficar arrastando mais um pedaço de pano mundo a fora.

Mostarda Bautzner de todos os sabores, só na antiga DDR

Mostarda Bautzner de todos os sabores, só na antiga DDR

Mas tem outro item que se enquadra na ostalgie que eu acabei comprando. Trata-se do pepino em conserva Spreewald, que levam o nome da região onde são produzidos. Eles ficaram famosos com o sucesso do filme Adeus Lenin (Goodbye Lenin!, de 2003).  Em uma cena bem clássica, o personagem Alexander Kerner  (interpretado por Daniel Brühl), vai ao supermercado em busca do tal pepino, o favorito de sua mãe doente. Sem encontrar, acaba buscando alternativas para repor a iguaria e não permitir que sua mãe perceba que o muro caiu.

Bom, já formam spoilers o bastante para um post só e eu recomendo muito o filme. Quem não viu ainda, precisa resolver isso o quanto antes. Para quem já viu, vale dizer que a mãe da história, Christiane Kerner (interpretada por Katrin Saß) tinha razão em ser fã dos pepinos: suaves e ao mesmo tempo levemente picantes, entraram na lista dos meus favoritos. Por hora, eles têm sabor de Alemanha. Mas creio que um dia, se estiver de volta ao Brasil, também vão ter para mim um gostinho de saudade.

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