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Cuca alemã genuinamente catarinense é a melhor do mundo

15 de outubro de 2015 3
Na Alemanha, até a mistura para a farofa da cuca pode ser comprada pronta

Na Alemanha, até a mistura para a farofa da cuca pode ser comprada pronta

A segunda coluna do Fala, Alemôa na edição impressa do Santa foi de dar água na boca! O assunto foi a culinária do Vale inspirada na tradição germânica e a cuca é a grande estrela da página!!! Para quem ainda não leu, vai aqui o conteúdo. E melhor! Vai com uma receita campeã da Asta Hetzer (que acompanha o blog!!!) e venceu o Festival de Cucas de 2014 com uma versão de maçã com nozes!!! Deixo vocês com o texto do fim de semana enquanto corro pra cozinha pra preparar a minha!

Ah, e quem perdeu a coluna da semana passada, sobre a dama descabelada da Oktoberfest, pode aproveitar pra ler agora!

Página publicada pelo Santa no dia 10 de outubro

Página publicada pelo Santa no dia 10 de outubro

Comida alemã tipicamente blumenauense

Se tem uma coisa que eu gosto muito é de cuca. Para quem está só visitando Blumenau, favor não confundir com a Cuca, vilã do Sítio do Pica-Pau Amarelo. A nossa, só faz mal para a silhueta! Cuca é uma corruptela do alemão Katarinisch para Kuchen, a palavra alemã que significa bolo. É fácil fazer: pegue uma receita tipicamente alemã, troque as frutas de clima frio por banana e outros sabores tropicais, acrescente o dobro de açúcar e pronto. Está feito!

O caso é que eu e todo mundo que vive em Blumenau crescemos comendo cuca. A de banana com farofa é, provavelmente, a campeã. A massa feita geralmente com fermento de pão, a banana docinha acomodada no meio de uma camada de farofa doce crocante. Se você é de fora e não provou isso ainda, por favor, largue o jornal agora e vá correndo até a padaria mais próxima!

Fiquei pensando que só uma cuca verdadeiramente alemã poderia ser mais saborosa que as catarinenses. Então me mudei para a Alemanha, há sete anos, e comecei uma saga pouco saudável, de encontrar a cuca perfeita. Comi cucas – Streuselkuchen, por aqui – de Norte a Sul, de ameixa, de creme, de queijo, de damascos, de pêssego, mirtilo, framboesa, morango e digo: nenhuma chega nem perto das de Blumenau e região. Existem outras coisas gostosas aqui, claro: o doce de creme com sementes de papoula, o strudel de maçã, os bolos de queijo. Agora quando se trata de cuca mesmo, me perdoem os alemães, mas superamos os mestres faz tempo.

Nessa minha saga de reencontrar a origem dos sabores tão característicos do Vale do Itajaí, me deparei com outros pratos. Como Sülze, aquela gelatina salgada com pedaços de carne da cabeça do porco. A que a minha Oma fazia em casa era muito melhor. Pão com banha, aquele que quem levava para escola era motivo de bulling – bem antes dessa palavra ser levada a sério –, é, por aqui, uma iguaria vendida em quermesses.

Também comi chucrute até dizer chega e nesse ponto, estamos empatados. Já as nossas beterrabas em conserva dão de dez a zero na Alemanha, mas eles ganham nos pepinos por 7 a 1, no mínimo. Palmito não existe aqui e, para os alemães, é coisa de mexicano. Tweet: Palmito não existe aqui e, para os alemães, é coisa de mexicano. #Alemanha #FalaAlemôa #Curiosidades http://ctt.ec/kdLf7+ Hackerpeter, aquela carne crua temperada servida com pão preto, é originalmente de porco. E antes que a vigilância sanitária me telefone, um conselho: é melhor não tentar repetir em casa ai no Brasil!

Essa exploração gastronômica serviu para notar a falta de um prato: sabe a famosa torta alemã? Pois é, não existe por aqui. Nem a bolacha Maria, ingrediente básico da receita lá de casa, se acha e as similares, por assim dizer, são bem sem graça. O mais perto que cheguei do bolo alemão foi o italianíssimo Tiramisu.

No entanto, o mais engraçado foi lembrar da comida que alemães blumenauenses, pomerodenses e vizinhos consideram um ícone da sua culinária: aipim! Delícia, não? Eu amo, mas só posso comer quando volto de férias, já que alemão nenhum nunca ouviu falar da iguaria e o produto mais próximo que consigo achar é uma mandioca de qualidade duvidosa em mercados asiáticos e africanos.

Salsichas, joelho de porco e pratos com pato não faltam. Marrecos são os primos que vão para panela em Santa Catarina, confirmando que a nossa culinária alemã é um reflexo do nosso processo imigratório. Salsicha alemã é outro termo que soa bem engraçado na Alemanha, um país onde existem mais de 1500 tipos de Wurst. No fim das contas, a culinária alemã do Vale é feita de receitas adaptadas, sabores que ganharam complemento do caldeirão cultural que é o Brasil e garanto, muito mais saborosa!

Receita da cuca de maçã com nozes da Asta, publicada originalmente pelo Jornal do Almoço:

Ingredientes:

1 xícara de leite
1 colher de manteiga
1 colher de banha
1 ovo
1 pitada de sal
Raspas de limão
2 colheres de sobremesa de fermento biológico

Modo de preparo: Reserve o fermento. Coloque todo o resto numa panela. Aqueça e depois de morno coloque a farinha por cima. Não tem medida certa (a quantidade é o que for preciso para deixar a massa no ponto de cuca – nem tão mole quanto bolo, nem tão dura como pão). Um detalhe importante é que que o fermento deve ser colocado no meio da farinha – seco. Depois disso, amasse até ficar bem misturada e lisa. Coloque para crescer por 15 minutos.

Depois disso, coloca na forma. Deixa descansar mais 15 minutos. Começe a preparar o recheio. Descasque seis maçãs. Pique em em pedaços médios. Numa panela, coloque os pedaços de maçã, junte uma xícara de açúcar e um pouco de água. Só o suficiente pra deixar a mistura úmida. Cozinhe até levantar fervura. Numa xícara, misture 2 colheres e meia de maizena com uma xícara de água. Jogue na panela para ajudar a engrossar o recheio. Assim que a calda engrossar, tire do fogo e reserve. Em separado, pique 1 e meia xícara de nozes.

Cubra a massa com a maçã. Por cima, espalhe as nozes picadas. E para finalizar, misture uma xícara de açúcar com canela e jogue por cima. Depois é só levar para assar por meia hora ou até ficar dourada.

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comentários

Comentários (3)

  • Bernadete Kertzendorff diz: 16 de outubro de 2015

    Minha mãe fazia uma cuca deliciosa. Nós chamávamos de Hefenkuchen e podia ter cobertura de nata ou banana ou farofa ou queijo. Pena que eu não tenha seguido a tradição e não aprendi a fazer. Tenho saudade imensa de comer a cuca que ela fazia.

  • Daise diz: 17 de outubro de 2015

    Sobre a receita: como fazer para substituir a banha?
    Minha avó, que é de Brusque, onde cresci, faz uma cuca maravilhosa também. Ficou entre as dez finalistas do último festival na cidade.

  • Aline diz: 21 de outubro de 2015

    Fala alemoa!!! Sou de Blumenau-SC também, quase vizinha, do Garcia, kkkkkkk e “casada” com um alemao, da Bavária, pertinho da maravilhosa Rothenburg ob der Tauber!
    Quando ele veio conhecer minha família, já fui logo falando que minha Oma faz um Kochkäse maravilhoso! E ele: hein???
    Acredita que ele nao conhecia o Kochkäse?
    Pois é, para mim é típico e faltou falar dele no blog, hein???
    Beijos, adoro seu blog e sempre espio ele, afinal, hoje ele mora aqui, mas quem sabe um dia nao nos mudamos para aí? :)

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