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Oktoberfest: uma eterna festa de casamento

25 de outubro de 2015 0

Ta aí a terceira coluna do Fala Alemôa publicada pelo Santa na edição impressa do dia 24.10.2015:

culuna 24-10-15

Quando a festa de casamento dura muito além dos noivos

Era uma vez uma festa de casamento em 1810. O Rei Luis I se casou com a Princesa Teresa da Saxônia e organizou um baita festerê em Munique, no Sul da Alemanha. Dizem que foi uma festa tão boa, mas tão boa, que na verdade ela nunca acabou. A rainha morreu em 1854, o rei em 1868 e a gente segue comemorando o casório dos dois todos os anos e não apenas em Munique, mas no mundo inteiro, inclusive em Blumenau. Foi assim que nasceu a Oktoberfest.

Bom, em Blumenau a coisa toda começou por outros motivos – duas enchentes bem grandes destruíram a cidade e todo mundo andava meio borococho: faltava uma animação e foi aí que decidiram fazer a festa. A coisa começou tímida, mas no início da década de 90, chegou a receber mais de um milhão de visitantes e consagrou-se como a segunda maior Oktoberfest do mundo (em Munique, a conta passa dos seis milhões de pessoas). Mas hoje em dia pode não ser bem assim: em 2014, 458.550 visitantes cruzaram as catracas da Vila Germânica.

Existe uma Oktoberfest no Canadá, em Kitchener-Waterloo, duas cidades coladinhas uma na outra, nos arredores de Toronto, que propagandeia mundo a fora um público de 700 mil a um milhão de pessoas por ano. O pessoal que cuida da edição blumenauense disse que os organizadores canadenses estiveram na cidade e admitiram que a nossa é maior. Mas oficialmente a matemática ainda é outra. E há ainda os norte-americanos de Cincinati querendo jogar água no nosso chope: a Oktober deles recebe meio milhão de visitantes, conforme a organização. E agora?

Está claro que a gente gosta de Oktoberfest, mas os alemães gostam ainda mais desse tipo de festa e já vou explicar isso. Bom, para quem acha tumultuado demais visitar Munique em pleno mês de setembro (por que raios eles insistem em chamar de Oktoberfest é uma pergunta que eu não sei responder!), o calendário de festas tipicamente alemãs se estende o ano inteiro pelo país. Quando a Oktoberfest acaba no Sul da Alemanha, as coisas se animam no Norte. É em Bremen uma das maiores festas do país, a Freimarkt, que divide o segundo lugar em público, com cerca de 4,4 milhões de visitantes, com a Cranger Kirmes, a quermesse da cidade de Crange. A Größte Kirmes am Rhein, ou simplesmente Rheinkirmes, em Düsseldorf, também recebe mais de 4 milhões de pessoas.

Conheci bem a Freimarkt: fui a várias edições. Ok, a poucas, considerando que a festa existe desde 1035. A história é bem interessante e bastante viva por lá. Bremen foi uma importante cidade da liga Hanseática, uma zona de cooperação comercial entre algumas cidades do Norte europeu no fim da idade média e é, até hoje, um estado independente. Duas vezes por ano a cidade abria suas portas por uma semana para que comerciantes estrangeiros pudessem montar suas barracas pelas ruas e fazer negócios. Era a chance de comprar provisões para o duro inverno do Norte. Hoje em dia, as provisões perderam espaço e vende-se muito mais salsichas e cerveja, claro.

No fim das contas, essa matemática toda de visitantes, só serve para provar que a Alemanha é um país bem festeiro, contrariando a fama de frieza. Há quem faça piada com o a animação e o talento musical dos alemães e diga que o último músico decente que o país lançou para o mundo foi Beethoven. Mas implicâncias a parte, as bandinhas alemãs são hit internacional. Ao menos em outubro.

Quanto à capacidade de reinventar a formula e de fazer essa trilha sonora virar diversão, garanto que a Oktoberfest de Blumenau não tem concorrentes, nem aqui na Alemanha. Se o quesito for animação, a festa blumenauense é a campeã em todos os números. O Rei Luis I e a Rainha Teresa que me perdoem. Nós nunca casamos ninguém da realeza em Santa Catarina, mas nossa Oktoberfest é muito mais divertida que o casamento deles. E nem precisamos servir bem-casados.

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