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Pão com bolinho é o prato mais típico de Blumenau

30 de novembro de 2015 8
Versão alemã, o Frikadellen,  é servida com salada de batata

Versão alemã, o Frikadellen, feito com carne moída de porco, é servido com salada de batata

Blumenau foi fundada por alemães, certo. Depois vieram italianos, uns poloneses, e gente do Brasil e do mundo inteiro que fez a cidade ser muito mais colorida e alegre. Junto com essa mistura toda nasceram coisas tão típicas, tão específicas que em lugar nenhum se pode encontrar. E é exatamente essa coisa tipicamente blumenauense que eu mais sinto falta nas andanças pelo mundo.

Já falei do cachorro-quente com chucrute, que de alemão não tem nada. Ou melhor, tem tudo: tem salsicha, tem chucrute, tem pão. Mas colocar tudo isso junto, cozido com molho de tomate, é exclusividade nossa e razão para qualquer alemão ter uma crise de riso. Tem o tal do pastel de massa folhada, com uma azeitona dentro, que nunca comi em outro lugar. A cuca de Blumenau é, definitivamente, a melhor do mundo. O pastelão de frango com palmito daquela confeitaria famosa que, nem seguindo a receita fica tão bom quanto o deles. Tem ainda a torta Glória, que só pelo nome já se sabe onde comer, e que faz meu coração bater acelerado só de pensar.

E os churrascos de igreja? Aquele pedação de carne temperado na salmoura, servido em um prato de papelão com farinha, pão, maionese e pepino? Perdi a conta das vezes que, quando percebi, já tinha comido meio prato de papel e cortava a carne na mesa. Vai ver por isso é tão bom. Tão bom quanto a feijoada do quartel: eu posso sentir o cheiro daqui e a alegria que é entrar lá no batalhão para comer, encontrar todo mundo, bater papo.

Ando mesmo nostálgica. Faz quase dois anos que não piso aí. Isso aliado ao horário que escrevo – quase duas e sem ter almoçado – me faz pensar em saudade com o estômago. Estava aqui fazendo uma lista mental de coisas e, junto com todas essas aí de cima, lembrei da minha amiga Luciana, que me ensinou que comer pão com um pastel dentro é algo perfeitamente aceitável.

Nessa maré de nostalgia, o Facebook só atrapalha. Vai o Paulo César lá e posta uma foto de pão com bolinho. Mas foi nessa hora que caiu a ficha! (Aliás, ninguém com menos de 30 anos deve entender de onde veio essa expressão, né!) Enfim, nessa hora me dei conta que, se Blumenau tem um prato típico, é esse! Vende em qualquer esquina e, quem mais no mundo come pão com bolinho? Só em Pomerode, mas aposto que copiaram da gente!

As notícias que chegam aqui dão conta que até restaurante especializado em pão com bolinho já tem, lá na rua do Brueckheimer. A coisa ficou séria, agora. Aliás, ainda tem Brueckheimer, onde eu comprei milhões de missangas e lantejoulas? E o pão com bolinho de lá é bom? Preciso provar com urgência, já que não existe nada mais blumenauense que isso.

Aqui na Alemanha até  existe algo parecido, mas nem de longe mata a minha saudade: Frikadellen, que muitos também chamam de Bulleten, dependendo da região. É quase um hambúrguer, mas feito de carne de porco moída e com bastante pão ou farinha de rosca, modelado como um bolão de carne achatado e a venda em qualquer esquina da cidade.

O tempero varia conforme o lugar: tem quem use tomilho, lavanda, sálvia ou páprica. Por aqui, come-se o Frikadellen com Kartoffelsalat (a nossa maionese de batata) ou dentro de um pãozinho, com mostarda amarela. Por aí, aposto que a mostarda escura deixa tudo melhor e essa, não existe aqui: só no contrabando.

Pra quem ficou com vontade de comer a versão alemã, ai vai a receita:

Frikadellen:
(4 a 5 porções)

Ingredientes: 

500 gramas de carne moída de porco (é possível fazer com carne bovina também, mas o sabor muda)
1 pãozinho francês (pode ser pão amanhecido)
Leite (para molhar o pão)
1 ovo
1 cebola
Sal, pimenta, páprica doce e outro tempero de sua preferência (sálvia, alfavaca, manjericão, etc) a gosto
1 colher de sopa rasa de mostarda amarela meio picante (mittelsharf)
Farinha de rosca
Óleo para fritar

Preparo:

Umedeça o pão no leite. Corte a cebola bem fininha. Misture todos os ingredientes, exceto a farinha de rosca, até obter uma massa homogênea. Com as mãos molhadas, modele o Frikadellen: use a quantidade de massa do tamanho de uma bola de tênis, faça a bola e depois achate, como um hambúrguer. Passe na farinha de rosca e frite. Pode ser servido com pão ou com maionese de batatas e mostarda amarela.

 

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comentários

Comentários (8)

  • bfrederico diz: 1 de dezembro de 2015

    Se a Alemoa falou, tah falado. Comentario oportuno o dela que, mesmo longe, sente saudades das iguarias daqui. Entao, por que nao aproveitar a dica e difundir melhor essas comidas de esquina aqui de Blumenau, com o cuidado em nao alterar demais essas goluseimas. O turista agradece.

  • Maicon Eduardo Prange diz: 1 de dezembro de 2015

    Lendo essa matéria eu lembrei que trabalho quase ao lado do melhor pão com bolinho da cidade, aquele mesmo que fica bem perto da Furb e que todo mundo conhece hahaha, se você pedir o completo ele vira um x-salada completão, muito bom seu texto mas não tão bom quando estamos lendo ele 08:30 da manhã kkkkk a fome apertou bastante agora.

  • Claudia diz: 1 de dezembro de 2015

    “Tem o tal do pastel de massa folhada, com uma azeitona dentro, que nunca comi em outro lugar” Onde você comeu isso???
    Pão com bolinho tem em qualquer rodoviária do Brasil. Prato típico de Blumenau?!

  • Bruno diz: 1 de dezembro de 2015

    Engraçado, conheço muita rodoviária pelo Brasil, e nunca vi pão com bolinho em mais lugar nenhum, só Blumenau. Só o bolinho, até já encontrei, mas servido dentro de um pão, nunca vi.

  • Beto diz: 1 de dezembro de 2015

    Os comentários são realmente de quem entende da coisa, e está com saudades!!!

  • marcos heise diz: 9 de dezembro de 2015

    Será que tem kochkase na Alemanha?

  • Daniel diz: 13 de abril de 2016

    Eu já comi cachorro quente na Alemanha com chucrute! Numa estação do metrô em Munique, tinha uma banca/loja vendendo cachorro e a moça perguntou se queria colocar o chucrute (só que não entendi nada e disse que sim), foi o cachrorro quente mais forte que já comi na vida! A cada mordida era uma lágrima escorrendo …

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