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A maior celebração europeia da festa judaica Chanucá é em Berlim

08 de dezembro de 2015 3

Foto: Yitzak Behrens / Arquivo pessoal

Festa judaica no espaço que já foi palco do nazismo

Festa judaica no espaço que já foi palco do nazismo

Nas calçadas de Berlim – e da Alemanha toda – espalham-se as pedras de tropeço, Stolperstein, um projeto artístico que marca, com placas metálicas inscritas, os lugares onde moravam os judeus que foram deportados e assassinados nos campos de concentração durante o nazismo. Nessas placas estão os nomes, datas de nascimento e morte de milhares de pessoa: um percentual bem pequeno se comparado aos milhões de mortos. É uma forma de não deixar que a história se apague.

A Alemanha luta diariamente para fazer as pazes com seu passado, mas existem neonazistas, partidos de direita contra a acolhida de refugiados, ataques a imigrantes pelas ruas. Mas o país se esforça para reconhecer seus erros e conviver com essa história. Em Berlim, isso se faz com a mistura de povos e costumes pela rua da cidade. Junto aos tradicionais mercados de Natal (assunto para outro post!), a capital alemã é palco da maior Chanucá ou Hanucá da Europa: a festa das luzes celebrada pelo povo judeu.

A celebração envolve o acendimento da Chanukiá, um candelabro de nove velas. A festa começa no pôr-do-sol do 24º dia do mês judaico de Kislev e é comemorada pelos oito dias consecutivos: no primeiro, a luz central e mais uma vela são acesas e, em cada um dos outros, uma das luzes é acesa para simbolizar o milagre da vela que, mesmo sem óleo suficiente, queimou por oito dias iluminando o templo de Jerusalém depois da guerra em que os judeus derrotaram as forças do Império Selêucida, que tinha raízes helênicas, e tentou impedir a prática do judaísmo.

Pedras de tropeço mostram locais onde viviam os judeus assassinados

Pedras de tropeço mostram locais onde viviam os judeus assassinados

Bom, tudo isso é para explicar o significado da festa para o povo judeu e para dizer que a Chanukiá de Berlim, em frente ao Portão de Brandemburgo, onde no período da Segunda Guerra as bandeiras nazistas eram hasteadas, é a maior da Europa. A primeira luz foi acesa no dia 6 de dezembro, coincidindo este ano com a data em que os alemães cristãos festejam o dia de São Nicolau e colocam presentes nos sapatinhos das crianças deixados na porta da casa. O acendimento da primeira luz é o mais importante, mas as celebrações seguem a semana toda por lá e em outros lugares da cidade.

As tradições judaicas e cristas tem origens distintas, mas a convivência dos povos fez com que os costumes influenciassem uns aos outros. Há quem diga que a tradição de usar luzes nas árvores de Natal veio das velas da Menorá. Há outros que garantem que os judeus trocam presentes na época da Chanucá por influência do Natal. Mas de tudo, o que importa é a lição da convivência pacífica, de um país que respeita credos diferentes e tem espaço para todo o tipo de fé. E até para a falta dela: já que o número de ateus é elevado na Alemanha e ninguém acha que o mundo vai acabar por causa disso.

* A foto do Portão de Brandemburgo que ilustra o post foi feita por Yitzak Behrens, paulista que vive em Berlim e que sugeriu o tema e cedeu a foto da Chanucá para a publicação no Fala, Alemôa.

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comentários

Comentários (3)

  • Marcelo diz: 9 de dezembro de 2015

    A árvore vem da tradição dos Nórdicos (alemães, austríacos, etc). Era uma oferenda a Odim e a Thor os deuses nórdicos, e incorporado pela Igreja na evangelização destes povos.

  • Dr.Ademar Boos diz: 9 de dezembro de 2015

    Gostei do texto,

    P.S. Também sou de Blumenau,vivo aqui à 40 anos.Bjs

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