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Das coisas que eu detesto na Alemanha: “o fim do ano que não acaba”

18 de dezembro de 2015 0

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O calendário Europeu segue o ritmo dos termômetros. As férias maiores do ano são em julho e agosto, quando lojas fecham, o capim cresce nas escolas, os lagos e parques ficam lotados de banhistas e nudistas. É nessa época em que a vida faz sua pausa, se renova. Mas eu, que cresci abaixo do Equador, não me conformo com essa cadência, mesmo depois de vários anos na Alemanha.

O Facebook veio para piorar tudo, confesso. Esta semana, a página inteira está tomada por encerramentos e #partiuférias. E eu aqui, trabalhando. Por aqui se para no dia 24 ao meio-dia e se retorna no dia 2 de janeiro. É isso, quando muito, e nada mais. O ano letivo segue com essa quebra. O semestre nas universidades também. As aulas que começaram em outubro vão se estender até março. Por isso, a pausa de fim de ano é sinônimo de trabalhos para pôr em dia, artigos para serem terminados, pesquisas e leituras. Não tem nada do charme e do glamour do verão tropical.

Isso sem falar no clima das festas de fim de ano, amigos secretos (que já detestei e hoje sinto muita falta), confraternizações. Por aqui elas existem, mas são tímidas. Não tem a mesma euforia de quem conclui uma etapa. É tão chato quanto fazer festa de Páscoa na firma: ninguém celebra de fato.

Essa continuidade que não respeita as folhas do calendário me deixa com a sensação de um ciclo eternamente em aberto. Porque o melhor do fim do ano no Brasil é exatamente isso: a chance de fechar as contas, fazer planos, limpar gavetas e começar tudo outra vez em um ano novinho em folha.

E, por aqui, só se segue em uma procissão infinitas de dias de um ano que, no fundo da alma, parece nunca terminar. Troco todos os mercados de Natal da Alemanha por um encerramento, um panetone da firma e o calor que baste para pular as sete ondas da virada. É, ando mesmo com saudades…

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