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No Dia da Mulher, a história da Menina Distraída que precisa de ajuda

08 de março de 2016 0

Foto: Arquivo Vanessa Bencz/Divulgação

Vanessa Bencz, a menina distraída: palestras em escolas sobre bullying e história de superação

Vanessa Bencz, a menina distraída: palestras em escolas sobre bullying e história de superação

Dia da Mulher é mais uma daquelas datas em que todo o jornalista é obrigado a escrever um texto comemorativo, fazer uma homenagem, dizer o que pensa.  Pois então, aí vai a minha parte. Confesso que detesto o Dia da Mulher. Acho ridículo ter que existir um para que as pessoas se lembrem dos nossos direitos e da nossa importância na sociedade. Mas em vez de reclamar, decidi usar o dia de hoje e esse espaço para falar de um assunto muito sério e que não tem nada a ver com os temas comuns desse blog. Quem me segue sabe que não faço propagandas, que não apoio ideias de ninguém: mas hoje abro uma exceção porque quero falar de um trabalho que me comove profundamente.

Conheci a Vanessa Bencz na faculdade. Fui professora dela, mas foi ela quem me ensinou, na verdade. Em sala, era uma menina tímida, mas escrevia (e escreve) com um talento ímpar. Fui conhecer a história dela um tempo depois: nos anos de escola era aquela que os professores consideram uma aluna “burra”, foi desestimulada por quem deveria a ter apoiado, foi motivo de piada por conta das notas, virou chacota entre os colegas. Mas essa menina provou que todo mundo estava errado e hoje faz um trabalho sem paralelo no Brasil inteiro: ela fala sobre bullying.

No meu tempo não existia essa palavra, mas o problema sempre esteve lá. As escolas é que não o viam e tratavam algo muito sério como coisa de criança. O que a Vanessa Bencz fez foi transformar essa experiência dolorosa em uma história em quadrinhos chamada A Menina Distraída. E não só. Ela, que também é jornalista – das melhores! –, deixou de lado as redações e partiu para a ação: ministra palestras em todo o Brasil para crianças e adolescentes contando a história dela de superação e encarando de frente a questão do bullying nas escolas.

O trabalho dela é daquelas coisas que me emocionam. Eu acho, sinceramente, que todo mundo deveria convencer a escola dos seus filhos a chamar essa menina distraída para uma conversa. No site, ela explica como isso funciona. Mas o trabalho dela não para por aí.  Nessas idas e vindas pelas escolas, ela se tornou um porto seguro para as meninas e meninos que precisam de ajuda. Ela escuta suas histórias, dá conselhos, serve de inspiração.

Ao longo do tempo, ela passou a colecionar esses relatos (fortes) e decidiu mostrar ao mundo o tamanho da dor que se esconde por traz de rostos tão jovens. Tudo começou com um bilhete que ela recebeu de uma menina dizendo: Leia quando chegar em casa. E esse é exatamente o título que ela escolheu para o novo livro, onde outras histórias como essa vão estar reunidas.

Bom, chegamos ao ponto. O livro vai ser feito por financiamento coletivo. É assim: cada um dá um pouco e, como pagamento, recebe uma recompensa. E pouco, é pouco mesmo: com dez reais já dá para participar. E é por isso que resolvi escrever sobre isso hoje. Em vez de flores, chocolates e sabonetes de Dia da Mulher, que tal se parte de uma ideia que realmente pode ajudar a tornar o mundo um lugar melhor para mulheres e homens?

Eu já participei e deixo o convite: o financiamento coletivo está sendo feito pelo site Catarse. Há cotas em que, como recompensa, você recebe o livro em casa e ainda a história da menina distraída. Vale a pena, prometo. E, se quiser saber um pouco sobre educação na Alemanha, sugiro ler esse post aqui, que fala sobre a estratégia polêmica dos alemães de separarem as crianças em escolas diferentes já nos primeiros anos de estudos.

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