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O olho de tigre

24 de julho de 2012 4

Em um post que fiz no dia 15 de julho, tratei de como enxergo o que faz um time ser campeão e a influência que o ambiente tem nesse processo.

Depois, no dia 20 de julho, fiz um post provocativo a respeito do que os atletas  brasileiros tem postado no twitter. E quase concordo com os amigos leitores que se dignaram a comentar ou melhor, indignaram-se com meu post por entenderem que se não externam nada sobre seu trabalho não significa necessariamente que não estão focados.

Eu quase concordo porque sigo também atletas de outras seleções e sempre leio coisas referentes ao treinamento.

Porém, não é bem por aí que vou hoje. Nesse post vou explicar um pouco do porquê não acredito na medalha de ouro para o voleibol de quadra brasileiro, apesar de torcer muito – sempre.

Mas a minha torcida não acontece com olhar distorcido.

Eu simplesmente acho que falta para ambas seleções brasileiras, nesse momento, o olho de tigre. Quem assistiu ao filme Rocky O Lutador sabe do que estou falando. Aquele olhar faminto de quem quer algo com a força de suas entranhas.

Então, Rodrigo, queres dizer que o voleibol brasileiro não quer o ouro de Londres? Não. As seleções brasileiras querem, mas não tanto assim, com o olho de tigre. E isso porque simplesmente as lideranças, aqueles atletas que dão o prumo, que direcionam o foco dos demais já o venceram – não tem a fome dos que nunca o conquistaram.

E principalmente em relação ao time masculino, aquela balela dita pelo comandante-mor de que a cada conquista diminuia a zona de conforto do time para que os jogadores não se acomodassem parece que foi abandonada porque nos dois últimos finais de semana no Brasil os jogadores receberam folga. Esperem aí, receber folga nos dois últimos finais semana antecedentes ao evento mais importante de uma vida? Os jogadores pediram e aceitaram isso? Então não estão com o olho de tigre.

Certa vez, dirigindo um time de meninas até 13 anos, na semana anterior a uma decisão estadual havia um feriado bem no dia de treinamento delas. E eu, inocentemente disse que não treinariamos em função do feriado. Pois elas por unanimidade me fizeram dar o treino naquele feriado. Aquela seção de treinamento seria decisiva? Não. Mas o foco, o olho de tigre sim. Resultado? Vencemos.

E esse olho de tigre eu enxergo no time feminino dos Estados Unidos, que nunca venceu o ouro em sua história, tem Lindsey Berg e Dani Scott como principais lideranças e o perseguem há algumas edições dos Jogos (Scott disputará sua sexta Olimpíada e Berg a quarta) e tem a base do time que perdeu a final em Pequin para o Brasil. Elas tem o gosto da prata e estão babando pelo ouro.

Assim como vejo o mesmo olho de tigre na seleção polonesa masculina.

Esse é um fator que decide, mais do que o ambiente tratado pelo post que citei acima.

O olhar de tigre vai fazer das americanas e dos poloneses campeões olímpicos? Pode ser que sim.

O Brasil, então, não tem chances e pode abandonar a disputa? Não é isso. Não adianta querer muito, fazer tudo certo e não ter bola. Na hora que a bola sobe precisa saber jogar. E isso todos nós sabemos que o Brasil sabe.

Se jogar chega, se vai ganhar aí depende da soma de fatores que fazem a diferença entre o vencedor e o perdedor.

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Comentários (4)

  • Vinícius Crevilari diz: 24 de julho de 2012

    Continuo acreditando que Voleibol se joga na quadra. Essa história de favorito, previsão e etc. é um tremenda balela sem sentido. Nunca vou esquecer da seleção da Iugoslávia nos Jogos de Atlanta-1996. Era uma seleção nada favorita para aqueles jogos, não tinha participado de nenhum campeonato de expressão naquele ciclo (Campeonato Mundial, Liga Mundial e Copa do Mundo) e deixou muita equipe em Atlanta chupando o dedo. Inclusive Brasil (com aquela seleção cheia de “estrelinhas”, onde cada jogador só olhava para o próprio umbigo e um técnico que naquele momento não tivera competência para controlar aquela briga (guerra?) de egos) e a Rússia (que perdeu a decisão do bronze).
    Acredito que a Polônia no masculino e os Estados Unidos no feminino estão morrendo/matando por uma medalha de ouro. Mas “sanguinozói”, na minha opinião, é condição necessária, mas não suficiente.
    Só um adendo, não concordo com algumas coisas que você escreve. Mas respeito seus textos e seus pontos de vista. Até porque, tirando esse blog, me diz onde se discute voleibol de forma inteligente na internet? Tem jornalista que acha que 20 anos cobrindo vôlei como repórter dá credenciamento para sair dando pitaco e esquece que, para falar sobre qualquer assunto, é preciso estudar.
    Parabéns pelo blog.

  • Emanuella diz: 24 de julho de 2012

    eu gostei do post, e até concordo com o tal olho de tigre, mas não acho que esse é o problema não, nossa seleção esta velha e esta superada pelos adversários, esta desunida e etc.

    no post no blog do Daniel no lacenet ele diz que eles se desentendem até por treinamento, imagino porque o Bernardo exige demais e eles não aguentam mais isso. Eu acho que a chance de medalha desse time é se eles se superarem, não imagino que Giba, Dante, Sérginho vão para lá sem determinação e vontade de ganhar. disso não me preocupo muito, o que eu acho é que eles não tem mais a técnica para vencer, não são mais o time melhor do mundo, esse time é o melhor do mundo de 2004 oito anos mais velho.

    se o Brasil perder, ai perder porque os outros times são melhores, eu particularmente vejo dessa forma bem simples.

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