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Falando de Vôlei com o levantador Marlon Yared

25 de julho de 2012 7

A entrevista do Falando de Vôlei dessa semana é com o levantador Marlon, campeão mundial com a seleção brasileira em 2010 e bicampeão da Liga Mundial em 2009 e 2010.

Na temporada de 2001/2002 tive a honra de trabalhar com ele na Unisul e hoje Marlon, na véspera de embarcar para a Rússia onde vai defender o Dínamo Krasnoda, concede essa entrevista ao blog na qual fala do início de sua carreira, da temporada que passou, do futuro e é claro da Seleção.

foto: Alexandre Arruda / CBV

FV – Você saiu do Paraná na adolescência e foi jogar em Concórdia. Como foi o salto de jogar na SER Sadia e ir parar na Olympikus, no Rio de Janeiro?

Marlon - Após a SER Sadia, fui para Londrina com Percy Oncken (há muitos anos técnico da seleção brasileira infanto-juvenil), fiquei por três anos e cheguei a Olympikus através do caríssimo e competente Benhur Sperotto, hoje com trabalho sensacional em Jaraguá do Sul que havia me dito que no futuro se lembraria de mim, e assim o fez.

FV – A sua primeira oportunidade como titular de um grande time foi em 2001 na Unisul. Qual a importância do Javier Weber nessa transição de reserva dele para ser o titular?

Marlon - Foi crucial a fase com o Weber, através dos seus conhecimentos e da sua crença  na minha capacidade, pude fazer como ele mesmo dizia, evoluir na parte “fina do levantamento” ou seja, desenvolver a sensibilidade, a visão de jogo e aprimorar a precisão. Sem dúvida o melhor técnico com quem trabalhei.

FV – Os levantadores de todos os quatro semifinalistas da última Superliga tem mais de 33 anos. Onde está o problema da renovação do voleibol brasileiro? Por que não temos mais levantadores jovens de qualidade surgindo como há alguns anos?

Marlon - Os bons levantadores que atuaram nas semifinais da superliga pussuem grande experiência internacional, grande vivência no esporte, sendo assim um diferencial em relação aos outros atletas. Acredito que a falha na formação desses atletas, esteja ainda na fase inicial de desenvolvimento, quero dizer, que quando percebido o talento para ser um levantador, não deva-se levar em consideração apenas o o biotipo (altura…), mas sim suas habilidades para tal posição. Aliado a isso, precisamos de profissionais qualificados, estrutura, presença e contato com jogadores profissionais, apoio completo para que as crianças se motivem e se desenvolvam.

FV – Conte um pouco da experiência de ter sido campeão mundial em 2010 e ter ficado de fora durante quase todo o campeonato.

Marlon - O campeonato mundial na Itália 2010, não posso dizer que foi especial, pois atravessei a fase mais difícil como atleta e ser humano. Desenvolvi uma doença intestinal (retocolite ulcerativa) a poucos dias do início, o que me levou a perder quase seis quilos em dez dias. Foi um momento de rever alguns conceitos profissionais e pessoais.

Seria o titular naquela ocasião, mas só consegui me preparar para o jogo da semifinal contra a Itália, quando me encontrava ainda muito debilitado e o grande diferencial naquele dia foi a força dos meus companheiros que precisavam de mim e acreditavam que eu conseguiria. Deu certo, fomos campeões.

FV – A temporada pelo RJX não foi a esperada e o seu rendimento esteve muito abaixo da regularidade e do desempenho que você sempre apresentou, que tipo de dificuldades foram encontradas?

Marlon - Realmente não consegui competir no nível desejado, porém encontramos muitas dificuldades que se tornariam justificativas para o insucesso. Ainda salvamos a temporada mesmo com tantos problemas. Para mim, foi muito difícil de fazer a equipe se doar dentro do comprometimento necessário. Tinhamos pensamentos diferentes em relação a aspectos de comportamento, não possuíamos disciplina individual, ou seja, um grupo com buracos, sem falar de problemas físicos. Foi um temporada para esquecer.

FV – Você foi surpreendido pela sua não convocação para a seleção brasileira nesse ano?

Marlon - A minha não convocação para a seleção já se desenhava, eu não fui pego de surpresa. A volta do Ricardo seria determinante para minha continuidade, sendo assim desde a minha chegada em 2008 com 30 anos eu não criava grandes expectativas lá dentro, pois tudo poderia mudar de repente e eu nunca escondi de ninguém essa possibilidade. Porém, fui profissional, cumpri o meu papel ao qual fui designado, estive sempre presente, não deixei brechas para ser questionado. Portanto a decisão do treinador fica questionável, mas ele é o treinador e tem o poder para escolher dentro das suas preferências. Não tenho mágoas, nem frustrações, já que para mim seleção nunca foi um sonho a ser realizado e sim consequência do meu trabalho. Sinto-me muito tranquilo, pois sobre os problemas que aconteceram nesses anos eu fui honesto e sincero para resolvê-los.

Quanto à escolha do treinador, só o tempo irá dizer e por enquanto fico na torcida pelos meus parceiros que lutam diariamente para serem felizes e vencedores com a seleção brasileira.

FV – Depois de experiências no Japão e na Europa você está embarcando para jogar no voleibol russo, como você encara mais esse desafio na carreira? Esposa e filho estão indo também?

Marlon - Será como costumo dizer: “desafio na terra de gigantes”. Estou muito empolgado para encarar mais uma cultura tanto no esporte quanto na vida pessoal. Isso não tem preço, será para a vida inteira e o melhor, fazendo aquilo que amo que é jogar voleibol. Minha família irá posteriormente. Vou deixar tudo preparado para que minha esposa e filho cheguem e fiquem tranquilos.

FV – Como foi a decisão de fixar residência em Floripa, mesmo tendo morado em tantas outras cidades?

Marlon - Decidir por Florianópolis não foi nada difícil, pois com tanta beleza natural e o acolhimento das pessoas desde a minha chegada em 1999, ficou muito claro que não sairia mais da ilha da magia.

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Comentários (7)

  • adriana diz: 25 de julho de 2012

    Essa colocação é o resumo do que é ser profissional: “Não tenho mágoas, nem frustrações, já que para mim seleção nunca foi um sonho a ser realizado e sim consequência do meu trabalho.”
    Parabéns Marlon. Entrevista muito boa.
    Esse ano, em Joinville, o Sr. Benhur estava lá, com a equipe de Voleibol Master de Jaragua, no XX Campeonato Estadual de Voleibol, como técnico… sempre na ativa.

  • Fernando teixeira diz: 25 de julho de 2012

    Parabens pela entrevista , sempre acompanho seu blog.
    Quanto a entrevista oq me chamou atenção foi ele dizer que o melhor treinador com que trabalhou foi Weber.
    Ja tinha ouvido isso do Willian do Sada , ou seja 2 grandes levantadores que podiam claramente esta em londres .
    Oq vc acha Rodrigo ,sinceridade ou uma alfinetada no Bernado?

  • Emanuella diz: 25 de julho de 2012

    Gostei muito da entrevista, e gostei principalmente das perguntas. No orkut a gente brinca que o pai de santo do Marlon é muito bom, porque depois que ele saiu o Brasil não jogou mais nada.
    Marlon foi vitima dessa panela que ninguém sabe quem manda, como ele mesmo disse em outras entrevistas, baita hipocrisia.
    Talvez o desempenho do RJX atrapalhou ele, mas duvido que tenha sido isso mesmo.

  • Luciano diz: 25 de julho de 2012

    Tive o prazer de jogar com o Marlon na Sadia e posso dizer que além
    de grande atleta, é uma pessoa maravilhosa. Parabéns Japa e boa sorte nesse novo desafio.

  • Vinícius Crevilari diz: 26 de julho de 2012

    O Weber me parece ser um ótimo treinador de levantadores. Basta vermos quem já passou pelos seus comandos: Marlon, William, De Cecco e Uriarte (dois ótimos levantadores da jovem seleção argentina).
    Além de um dos melhores levantadores da história do voleibol, é um ótimo técnico. E o Brasil que se prepare, porque futuramente os hermanos vão brigar frente-a-frente com o Brasil pela hegemonia na América do Sul. Basta vermos os resultados da Argentina nas categorias de base.
    Aliás, óbvio que essa é uma POSSIBILIDADE IMPOSSÍVEL. Mas não acharia nada ruim o Weber como técnico da seleção adulta do Brasil.

  • Romaniele Crispim diz: 3 de dezembro de 2012

    Parabéns pela entrevista. Li que voce tem Retocolite, sou portadora de uma outra Doença Inflamatória Instestinal. Gostaria de pedir que nos ajude a divulgar as DIIs. O diagnóstico ainda é muito difícil e os portadores ainda sofrem muito, pela falta de informaçao. Voce como uma figura pública tem muito a nos ajudar. Conto com voce!

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