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Unilever venceu o primeiro turno

12 de janeiro de 2013 1

Natália atacando. Foto: Divulgação/CBV

Quando se trata de uma partida de voleibol feminino jamais vou esperar por um jogo disputado ponto a ponto. Sempre esperarei por uma partida na qual um time dá uma escovada no outro em um set, e leva uma escovada no set seguinte.

O jogo de ontem entre Unilever e Sollys no Maracanãzinho não deveu nada às minhas expectativas. E o 3×2 foi apenas reflexo disso.

Entretanto, é bom ressaltar que discordo absolutamente da condescendência do comentarista do Sportv ao referir-se sobre os erros que ambos os times estavam cometendo e creditá-los à parada de final de ano.

Pode até serem decorrência da parada. Mas isso seria um erro gigantesco.

O recesso deve servir, sim, para algum descanso. Porém, para somente algum. Os times não podem involuir em duas semanas. As jogadoras devem receber folgas, mas precisam estar em permanente treinamento para que mantenham a forma e o ritmo.

Honestamente, não foi isso que vi ontem. Principalmente no time paulista.

Não sei nem como colocar isso de forma mais amena, mas achei até algumas jogadoras em má forma física – flácidas inclusive.

Do lado do Unilever, ao contrário, não enxerguei a forma física como responsável pelo fraco rendimento. E sim, a forma técnica.

Quando digo fraco rendimento, refiro-me ao fato de o jogo ter sido muito mal jogado. Por ambas as equipes. Muitos erros grosseiros e situações de falta de entrosamento – algo impensável para quem está a pouco mais de um mês para o início dos play-offs.

No meu entender, venceu ontem quem soube melhor lidar com os próprios erros e encontrar soluções no banco de reservas.

Bernardinho enxergou que Logan Tom não estava jogando coisa alguma e colocou Gabi, a jovem de apenas 18 anos que despontou no ano passado pelo time do Mackenzie e ela não desapontou. Equilibrou as ações ofensivas tornando assim mais fácil a vida de Sarah Pavan, que marcou 20 pontos de ataque em 54 bolas recebidas.

O problema do time do Unilever é sua recepção. E esse é outro ponto no qual discordo veementemente do cometarista da TV. Não acho que a pressão no saque do time do Sollys tenha diminuído. A recepção do Unilever é só a sexta melhor da competição. Atrás até do time de Rio do Sul. Uma linha de passe que tenha Natália e que tenha como líbero uma jogadora que melhor defende do que passa, certamente dará prejuízo. Aliás, Fabizinha ontem deu até xeque em bola de graça.

Porém, para o bem do time de Bernardinho, Natália dá amostras de evolução física, conseguindo saltar melhor. E Sarah Pavan tem confirmado que é uma excelente atacante. E por isso, também, o time carioca venceu, porque atacou melhor.

Do lado do Sollys, ao contrário, mesmo tendo uma ótima linha de recepção, uma líbero passadora e um time mais equilibrado mesmo assim, sofreu com seu ataque ontem. Primeiro pelo ponto citado acima – a notória má forma física de algumas jogadoras.

O segundo ponto foi a fraquíssima atuação da levantadora Fabíola. A ex-titular da Seleção ontem esteve muito abaixo de sua regularidade o que também contribuiu para o fraco desempenho das atacantes do time de Luizomar de Moura.

As bolas chegavam quase sempre imperfeitas, com vários erros de tempo de bola nas jogadas pelo meio e muita irregularidade nas bolas longas obrigando as atacantes a largarem ou pentearem a bola.

Isso acabou obrigando Luizomar a colocar Karine no jogo, e não dá para dizer que a levantadora reserva chega a ser do nível de Seleção. É esforçada e vibrante, mas só.

Sobre os treinadores, é com tristeza que me forço a comentar sobre as atuações de Luizomar. Sinto uma enorme tristeza por perceber que Luizomar não consegue passar para o time, durante os jogos, instruções claras sobre o que ele quer. E não é que ele simplifique suas informações. Não. Pelo contrário, suas informações são emboladas, prolixas e de pouco conteúdo.

Não espero que todos os treinadores passem a gama de informações de Spencer Lee profere, por exemplo, em seus tempos. Mas Luizomar não passa coisa alguma. Narra o jogo, pede o óbvio e não tentou, por exemplo trocar Jaqueline que não estava rodando. Foi ortodoxo nas suas substituições e assim, viu o turno terminar com dois times à sua frente.

Bernardinho, em contrapartida, tem gritado menos; exasperado-se menos com a arbitragem e passado mais instruções. Assim, parece-se mais com o treinador que tornou-se uma lenda ao dirigir a melhor seleção feminina de nossa história (mas que não foi campeã, infelizmente).

Nos outros jogos da rodada, o Sesi fora de casa venceu o São Cristóvão Saúde/São Caetano por 3×0 e confirmou a quinta posição do primeiro turno.

Em São Bernardo, o time do Pinheiros venceu a equipe do ABC por 3×0 e ficou com a sexta posição.

Em Uberlândia, o Banana Boat/Praia Clube perdeu um set mas carimbou os três pontos diante do time de Rio do Sul e pulou para a segunda colocação na tabela. Entretanto, sem a cubana Herrera que na última partida do ano passado diante do Amil sofreu uma lesão no joelho que pode deixá-la de fora do resto da temporada, não acredito que o time de Spencer Lee venha a ameaçar na reta final um dos dois grandes. Acho até que corre sérios riscos de não chegar às semifinais dependendo de quem venha a ser seu primeiro adversário nos play-offs.

E para completar, em Minas, o time do Amil/Campinas confirmou a quarta melhor campanha ao derrotar o Usiminas/Minas por 3×0.

Dessa forma, estariam fora da segunda fase o time de Rio do Sul, em nono; E o time de São Bernardo na décima posição.

O segundo turno começará nessa segunda-feira com o jogo entre São Bernardo e Praia Clube.

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Comentários (1)

  • João Lucas diz: 12 de janeiro de 2013

    Tecnicamente falando foi um jogo muito mal jogado. Fofão ganhou o Viva Vôlei, porém, nada mostrou. A levantadora magistral não entrou em quadra, foram sucessivos levantamentos horrorosos só não foi pior porque no quesito “jacas” Fabíola e Karine superaram. Fabíola está com uma postura estranha, são bolas coladas na rede, erra o tempo das centrais e Karine é vibrante e só.
    Sarah Pavan no ataque sobra, entretanto, é inadmissível que uma oposta com 1,96cm cujas responsabilidades são apenas atacar e bloquear não tenha um bom bloqueio. Sheila foi engolida por Pavan e Ivna não correspondeu.
    Nas pontas Jaqueline segue irregular no ataque, porém, ao lado de Brait passa e defende como ninguém. Já Fernanda Garay está incrível, é a melhor ponteira do Brasil atualmente, erra alguns passes, entretanto, no ataque é difícil pará-la. Já pelo lado do Unilever Natália e Logan Tom não estão bem no passe e vêm entregando o jogo. Tom segue estranha no ataque e Nat vem ressurgindo no seu melhor fundamento que é o ataque. A impressão que fica é que Natália não treinou passe na época em que treinava sem saltar. Gabi (admiro muito essa jogadora) estava iluminada, é corajosa no ataque e equilibrou o passe, se não fosse ela o Rio teria perdido fácil.
    O pesadelo passe do Rio de Janeiro volta a atormentar Bernardo.
    No meio Adenízia é vibrante como ela só, é de encher os olhos ver essa jogadora jogar é apaixonada pelo que faz. Valeskinha está mal na Superliga, entretanto, no principal jogo do primeiro turno foi muito bem no bloqueio e surpreendentemente engoliu Juciely. Por falar em Juciely é notório o bom momento que vive ela vive, só que ela e Thaísa não foram convidadas para o clássico. Aliás, Thaísa esteve outra vez apagada, fez uma partida horrorosa. Todos sabem da minha admiração por essa atleta, mas a central de Osasco vem merecendo ficar no BANCO.
    O duelo das líberos foi para comprovar o que todos sabem, Camila Brait é muito superior a Fabi. Honestamente, Fabi melhor defende do que passa. A líbero do Unilever faz defesas espetaculares, más ao lado de Natália e Tom vêm entregando o jogo no passe. Já Brait além de fazer defesas espetaculares como Fabi, têm um passe soberbo.
    Sobre os treinadores, vejo Bernardo mais calmo e sereno, deu um baile básico em Luizomar, tirou Tom no momento certo e apostou em Gabi. Já Luizomar bom, vou pular essa parte.

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