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A seleção atrapalha os times ou é o contrário?

02 de abril de 2013 5

O colunista do Uol, Bruno Voloch, no final de semana que passou publicou post falando a respeito de que a Seleção prejudicou o Sesi quanto a ter esgotado fisicamente e devolvido seus jogadores lesionados.

É uma ótima questão a ser discutida, mas de antemão afirmo que discordo no todo com a tese de Voloch (como normalmente não concordo com nada do que ele escreve).

O prezado colunista, deveria ter discutido algumas questões mais profundas e ter levantado os olhos para além do Sesi – que não foi o único time a ter jogadores convocados.

Porém, ressalto, também não estou defendendo o trabalho realizado na Seleção.

O problema todo não é a Seleção prejudicando times ou times prejudicando a Seleção. É o calendário apertado, ano após ano emendado, dando aos jogadores no máximo uma ou duas semanas de descanso fazendo com que os jogadores no somatório de um ciclo sofram as consequências.

Então, voltamos à questão do calendário não planejado e não pensado naqueles que estão dentro de quadra.

Outro ponto importante e não levantado pelo ilustre articulista, é a competência dos preparadores físicos. Quem sofreu mais e quem sofreu menos nesses dois últimos anos com contusões?

Quem soube planejar mais e quem soube planejar menos?

Apontar o dedo para a Seleção é fácil. Porém, o planejamento da Seleção sofreu também com o calendário. Não foi coincidência apenas que os três principais ponteiros do Brasil tenham chegado à Londres em precárias condições, resultando, quem sabe, na perda do Ouro.

Minha memória falha ou Murilo, Dante e Giba já chegaram à Seleção lesionados e foram poupados das primeiras partidas da Liga Mundial?

Portanto volto a pergunta, a Seleção prejudicou ou foi prejudicada?

Poderiam ter sido levados outros ponteiros? Maurício, Bravo, Filipe Ferraz…poderiam.

O comandante confiaria em tão pouco tempo em outro?

Quem prejudicou quem?

O fato é que o calendário como está é um pesadelo para os Preparadores Físicos e trabalho dobrado para Fisioterapeutas e Médicos.

Se o Sesi foi prejudicado, como afirmou Voloch, quanto tempo o Sada/Cruzeiro levou para colocar Wallace em forma? Lucão não disputou a Olimpíada? Dante não parece estar bastante recuperado? Bruno, Thiago Alves e Lucarelli estiveram em Londres. Lucarelli não jogou, mas esteve com a Seleção o tempo todo.

Quiroga, que além de ter jogado a Liga Mundial, os Jogos Olímpicos e ter contundido-se gravemente, voltou a jogar em janeiro e está jogando o fino da bola.

Agora, Voloch não posicionou-se quanto a Eder não ter histórico algum de lesão anterior, ter realizado a temporada com a Seleção e não ter conseguido jogar toda a Superliga.

Outro jogador esquecido pelo colunista foi Léozão que pelo segundo ano consecutivo não jogou e deixou o time sem oposto quando o titular não pode jogar. Ou então, esqueceu de mencionar que o Sesi não conseguiu recuperar Tiago Barth e Léo Mineiro, ambos também jogadores fora da Seleção.

Assim, parece-me que muito antes da Seleção ter prejudicado o Sesi, a Comissão Técnica do time paulista não conseguiu recuperar os jogadores da Seleção e nem sequer colocar em forma os que não são da Seleção, além de lesionar diversos jogadores pela segunda temporada consecutiva.

Então, para concluir, minha opinião é que há dois problemas aí:

1- O calendário que realmente sobrecarrega os jogadores e em algum momento há lesões em decorrência disso.

2- A competência dos Preparadores Físicos em ajustar o planejamento das equipes para que haja a recuperação correta e o retorno à ótima performance no período necessário.

P.S.: Escrevi e publiquei o post antes de saber da demissão de Giovane Gávio. Até porque, como Giovane levou o projeto que era da Unisul e estava em Joinville para o Sesi-SP, não era possível imaginar que ele próprio fosse demitido. No máximo que fossem acontecer mudanças na comissão técnica. A nota oficial da FIESP fala em comum acordo. Porém, Giovane deu declarações sobre ter sido pego de surpresa assim como todo o mundo do voleibol, de certa forma.

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Comentários (5)

  • Joel diz: 2 de abril de 2013

    Não vou pisar no molhado e falar da comissão técnica-amizade do SESI. Vamos analisar a questão seleção-equipes:

    1.- Questão econômica: o atleta fica a disposição da seleção 60 a 70% do seu tempo,mas quem paga é o Clube. Perde o clube e o patrocinador em visibilidade.Proposta já feita e não aceita pela CBV: os atletas treinariam com as camisetas de seu clube, o que não tem nenhum problema técnico ou tático. Claro, a CBV alega que seu patrocinador não aceitaria.

    2.- O Bernardinho exige este tempo pois (não confia) alega que a preparação física dos clubes , na maioria das vezes é precária (em grande parte com razão como vemos no SESI, mas não vimos no Sada, Minas, Canoas para citar alguns). Solução: unificar a preparação física e os preparadores da seleção acompanhariam (já que a seleção não estaria convocada) in loco, orientando.

    3.- Não vou entrar na parte técnica, mas na maioria dos países de ponta, a seleção usa a preparação dos clubes e só é convocada para a parte técnica.

  • Vinícius diz: 3 de abril de 2013

    Não vou entrar muito no mérito do seu argumento, já que concordo com praticamente tudo o que você disse.

    Só acho que o voleibol já tem problemas demais para ainda por cima, sofrer com os argumentos sofríveis (desculpe o trocadilho) de alguns jornalistas/colunistas/comentaristas, que fazem certas críticas ou opinam sobre certos assuntos sem conhecimento de causa.
    Cobrir jogos de voleibol por 10 ou 15 anos não lhe dá carta branca e nem conhecimento sobre certos temas mais complexos que abrangem o referido esporte (ou qualquer outro). Até porque, tenho amigos que jogaram por muito tempo e quando vão comentar sobre as atuações ruins de certos atletas ou times, não pensam que existe toda uma metodologia de treinamento (físico ou tático, por exemplo) que possa estar “segurando” o desempenho de um atleta, para que ele chegue em seu ápice de desempenho num determinado momento da temporada. Seja na seleção ou no clube. Isso é só um exemplo.

    Explico fazendo uma analogia: quando um jornalista vai fazer crítica de arte ou cinema, acredito que ele deve sair da zona-de-conforto e se aprofundar o máximo possível na área à qual ele vai resenhar. Senão, qual é o crédito que ele passa a quem lê seus textos? Jornalismo, opinativo ou não, é antes de tudo informação. Informação e apuração (da notícia ou do conteúdo que se vai passar a quem lê).

    E é justamente isso que se pode concluir do jornalista em questão. Faltam apuro e conhecimento, sobram superficialidade e achismos.
    Quem perde com isso são os leitores

    Um abraço

  • Andrews diz: 3 de abril de 2013

    Como você também não concordo com nada publicado pelo blogueiro da Uol. O fato dele afirmar que o Sesi foi prejudicado pela seleção é mais uma forma dele tentar atacar o Bernardinho. Quanto mais ele ataca a seleção masculina e o Bernardinho,os jornalistas sérios reconhecem o valor da seleção e do Bernardo.

  • Tony diz: 3 de abril de 2013

    Sim, preparadores físicos parecem defasados.
    E, pelo calendário, os caras tão indo da fisio pra quadra.
    Não há como pegar atalhos sem riscos.
    Hoje, tem que ter estrutura, excelentes profissionais e equipamentos (bons já não são o suficiente, tem que ser top mesmo)
    Mas a já citada amizade pesa.
    O calendário atrapalha inclusive a formação e evolução destes profissionais, amarrados com os técnicos desde cedo, não só no vôlei.
    Além dos ciclos não serem respeitados, a má distribuição de folgas também colabora muito.
    E nem seleção nem clubes querem abrir mão dos rostos conhecidos.
    Uma certa preguiça em trabalhar novos nomes, arriscar novos estilos de jogo.
    Bruninho+Lucão parecem ser as cenas dos próximos capítulos.
    Assim, desacostumamos com o nosso jogo pela saída. Adeus, invencibilidade e supremacia.
    Se calcularmos o número de saltos semanais de treino+jogo, numa avaliação até simplória, já teremos um indicador da origem das inúmeras contusões.
    E um campeonato com 12 equipes não pode se espremer tanto.
    Quanto ao Voloch, depois de tanto tempo no meio e casado com ex-atleta desafeto de vários, é fácil arrumar alvos favoritos.

  • Joel diz: 3 de abril de 2013

    O sonho do sr. Ari são as seleções permanentes – Adulta, Novos, Juvenis, Infanto e agora Infantil. Masculina e Feminina. Ah, alguns campeonatos, em que estas seleções representariam alguma cidade ou estado que desse grana para a CBV. Como todo representante totalitário, este sonho, muitos vezes dito entre uma dose e outra, é muito parecido com o que acontece em Cuba. Para o Sr. Ari, os clubes só atrapalham…

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