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Final de semana de vitórias espetaculares

24 de fevereiro de 2014 13
Foto: Renato Araújo - Divulgação Sada/Cruzeiro

Foto: Renato Araújo – Divulgação Sada/Cruzeiro

Os atuais campeões da Superliga e do Campeonato Mundial de Clubes obtiveram vitórias espetaculares nesse final de semana.

Logicamente que a magnitude das vitórias se diferencia pelo significado de cada uma, o Sada Cruzeiro, atual campeão do mundo, ao vencer de virada por 3×2 o UPCN da Argentina amealhou o bicampeonato da América do Sul. O RJ Vôlei, atual campeão da Superliga, ao vencer o Sesi-SP no sábado em plena Vila Leopoldina mostrou a todos o real significado da palavra profissionalismo.

Começo comentando mais especificamente o jogo da Superliga.

Não se pode criticar Marcos Pacheco por poupar Lucão e Lucarelli – ele está certo. O Sesi tem elenco suficiente para vencer 99% dos times com qualquer desfalque.

Agora, se o time do Sesi deveria estar jogando mais nessa altura da competição aí a crítica pode chegar a Pacheco. Ele é o responsável por isso. Não pela razão acima.

Em relação ao time do Sesi apenas vou comentar sobre a volta de Escadinha que, mesmo depois de muito tempo sem jogar, voltou melhor do que todos os outros Líberos – deveria tomar banho de formol e permanecer na Seleção, é incomparável. Principalmente quando há um confronto direto com o atual Líbero da Seleção; e também sobre a incrível performance de Evandro: 35 pontos. Incrível.

Do lado do RJ, a palavra Superação é a que me ocorre como a mais correta. Jogar com apenas um atacante e um levantador no banco, sem o treinador podendo atuar, sem salários, sob pressão…ufa!

De todos os jogadores o que mais gostei foi Riad. Não só por ter sido o maior pontuador do time mas porque foi decisivo nas horas importantes com bloqueios matadores, agressivo, como há muito não via.

Essa situação vivida por esses 9 guerreiros (mais a comissão técnica) certamente será um divisor de águas em suas carreiras. Principalmente para os mais experientes. Voltar a ter o chamado olho de tigre, lutar pelo prato de comida. Nos playoffs será um time complicado de se enfrentar pois é um franco atirador com fome de vencer.

Marcelo Fronckowiak, perto do limite aceitável para qualquer profissional e pai de família, vê seu esforço ser recompensado em apenas um jogo, para lavar a alma. Não precisa fazer mais nada nas próximas três partidas (ou quatro, seis, sete…quem sabe?).

O RJ foi à Vila Leopoldina e venceu por 3×2 o Sesi. Entretanto ainda não garantiu a quinta colocação porque pega o Sada na última rodada, quarta-feira, e o Kappesberg/Canoas enfrentará o São Bernardo. Caso o time gaúcho marque os três pontos e o time carioca não pontue, o Kappesberg ficará na quinta posição pelo número de vitórias. Porém o São Bernardo não entra nessa partida de sangue doce porque poderá perder a sétima posição para o Moda pelo mesmo critério: o número de vitórias.

Mudando de Marcelo, para o Mendez, o vitorioso treinador argentino ontem teve que trabalhar muito para arrancar de um rival conterrâneo o título continental.

O treinador do Sada teve uma atuação excelente. Instruções táticas importantes, inversões e trocas adequadas, não esperou demais para pedir os tempos…foi muito bem.

O jogo começou tranquilo para o Sada. Parecia que seria 3×0 fácil. Mas então, do meio do primeiro set em diante os dois principais atacantes do time mineiro pararam de rodar e as coisas ficaram complicadas.

William teve que contar principalmente com os centrais para colocar a bola no chão, quando o passe saía. Pois, sem poder contar com Leal e Wallace, mesmo com o jogo equilibrado, a dificuldade foi grande.

O UPCN, muito bem dirigido pelo treinador Fabián Armoa, que nessa temporada tem uma equipe inferior (na minha opinião) ao time do ano passado – que tinha Evandro de oposto e Bengolea na ponta, passou a vender caro cada rally, tocava em todas as bolas.

A distância do Rio de Janeiro parece ter feito bem a Theo, está bem melhor fisicamente, e o levantador González, com o passe na mão, já que durante boa parte dos dois primeiros sets o saque mineiro não entrou, distribuiu o jogo muito bem prendendo Eder e Isac e fazendo nas horas decisivas Theo jogar sozinho e em cima de Filipe.

Até o meio do terceiro set tudo parecia complicado, mas aí parece que ligaram o botão de Leal que numa sequência de saque espetacular recolocou o Sada no jogo. Com Leal de volta na partida, Wallace também entrou e o Sada reviveu.

O time argentino tentava sacar forte mas o Sada passava na mão de William que nessa situação torna-se “El Mago”. Porém, o que mais gosto no jogo do Sada é sua transição para o contra-ataque. William é mortal.

Dali, do meio do terceiro em diante, até o 12×6 no quinto set o Sada massacrou o UPCN com seu melhor voleibol.

Porém num incrível apagão, permitiu o empate em 12×12. Difícil debitar na conta de um só aquele momento. Todos saíram do ar. Mas,  a partida seguiu ponto a ponto até o  Sada/Cruzeiro conseguir fechar em 18×16 e conquistar seu décimo primeiro título em quatorze finais.

Fantástico o desempenho desse Sada/Cruzeiro. Marcelo Mendez e sua Comissão Técnica – Beto Martelete, Fabio Correia, Henrique  Furtado e toda equipe de apoio fazem um trabalho excepcional.

Mesmo com o vice-campeonato, é bom ressaltar que o UPCN está classificado para o Mundial pois o Sada, como sediará novamente a competição e é o atual campeão já tinha a vaga garantida.

O Mundial será disputado no começo de maio, diferente do que foi nos anos anteriores.

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Comentários (13)

  • Debora Correa diz: 24 de fevereiro de 2014

    Olá, Rodrigo. Você tem as estatísticas do jogo do Sada, quem foi o maior pontuador? Nossa, o time custou a engrenar. Nos dois primeiros sets o Wallace sofreu pra pontuar, o saque ia sempre no Leal e quem carregou o time nos braços foram os centrais e o Filipe. Só depois do terceiro set que os dois entraram no jogo. Foi um jogão, custoso, mas o Cruzeiro sagrou-se campeão. Ufa!

  • SH diz: 24 de fevereiro de 2014

    Pô, Rodrigo, nem fala no Serginho. Acho que só o Henno chegou perto dele. Quando vejo o Mário Jr na seleção sinto saudade do Serginho. Quem não? Eu, que não torço por nenhum clube, me vi torcendo pelo RJ no sábado, tamanha a garra dos caras mesmo descendo a ladeira. E Riad foi mesmo muito eficiente, lembrou seus melhores tempos, jogou com raiva, um cara que há mais de 10 anos já chamava a atenção e que ainda bem foi valorizado na liga italiana.

    Sobre a final do sul-americano, achei o Cruzeiro pesado. Tá certo que o time já estava classificado pro mundial, mas quase não engrenou, oscilou demais. Vi um time muito cansado, que precisa dar uma refrescada. Talvez o Marcelo Mendez esteja dando uma segurada, pra não virar o fio. Afinal, as finais da SL vêm por aí. O tie-break foi medonho: primeiro o time argentino era uma desorganização só, depois o Cruzeiro teve um blecaute, com os argentinos tocando em todas as bolas e dando a impressão que a vaca tinha ido pro brejo. Ainda bem que o Cruzeiro acordou a tempo.

  • João Lucas diz: 24 de fevereiro de 2014

    Parabéns pelo texto Rodrigo, não há o que acrescentar. Só gostaria de dizer que ao ver Escadinha tive a mesma impressão, trata-se do melhor líbero que o mundo já viu jogar e pasmem ainda está em grande forma apesar da idade.

    Mudando de jogo e ainda falando de libero (sou apaixonado por essa posição, creio que seja porque joguei nela e geralmente é o jogador que mais observo) fiquei impressionado com o líbero do UPCN (que mais uma vez me tirou o prazer de ver o meu Minas disputando o Mundial das arquibancadas), ele é um monstro na defesa e genial na recepção de saque. Joga muita bola, poderia ter nascido no Brasil e suceder Escada, nos livraria de Marios Jr e Allan ao menos.

  • Fernando Teixiera diz: 24 de fevereiro de 2014

    Jogo muito bom! digno de uma final entre times brasileiros e argentinos .Acredito que o Cruzeiro já está no limite fisico é uma competição atrás da outra, 14 consecutivas chegando a final e isso vai fazer a diferença na fase final da SLM. E o Wallace mais uma vez melhor oposto e MVP de uma competição internacional,( mundial interclubes,copa dos campeões , sul americano) fica um abraço aos recalcados que ainda insiste em dizer que ele não é decisivo e que não passa segurança…

  • MARC SANTOS diz: 24 de fevereiro de 2014

    Boa tarde Rodrigo!
    Dois grandes jogos este fim de semana!

    Excelentes comentários!

    O Sesi literalmente achou que o RJ seria cachorro morto e agora vai pagar caro podendo ver o Sada fazer as finais em casa!

    In loco pude comprovar que após um começo muito difícil, o Sada acordou e veio para o jogo, foram muitos erros de saque e erros em jogadas fáceis nos dois primeiros sets, realmente o UPCN complicou muito o passe do Cruzeiro forçando o saque e tocando em quase todas as bolas, a reação foi surpreendente!

    Gostaria de indaga-lo sobre sua opinião já com o olho voltado para as finais da SL

    Porque este time do SESI mesmo com vários grandes jogadores não tem uma identidade definida e vive cheio de altos e baixos? A mão do técnico ? Sua opinião por favor

    A próxima seria com relação ao Cruzeiro, o saque não entrou e os dois primeiros sets foram ruins, com o serviço melhorando e os estragos que Leal , Wallace e Filipe fizeram no saque tudo voltou ao normal, mesmo com essa maratona você acredita que o Cruzeiro chega como favorito? E como tal como fica o físico para o mundial?
    Obrigado pela atenção!

  • Nei diz: 24 de fevereiro de 2014

    Rodrigo, comentários perfeitos, como sempre.

    Sempre odiei o Rio porque não gosto do Bruninho. Mas torci muito para o time no jogo contra o Sesi. Muita garra. Passei a admirar muito o Fronckowiak, homem muito inspirador, principalmente nesses tempos de Brasil. Achei o Riad muito bom mesmo, mas erros muitos saques. O time todo errou saques quando não poderia, dando chances ao Sesi.

    A final do sul-americano foi pura emoção mesmo. Esse time da Argentina é muito bom de se assisti. Parabéns para o Cruzeiro.

  • Nei diz: 24 de fevereiro de 2014

    Tudo bem, Rodrigo. Entendido. Esqueci dos termos. Não vai se repetir.

  • Paulo diz: 24 de fevereiro de 2014

    Ao mesmo tempo que é muito bonito de ver o time do Rio jogando pelo amor ao esporte, é decepcionante ver como os empresários tratam nosso esporte e a Confederação não faz nada a respeito.

    Mais uma vez Rodrigo excelente texto. Uma pergunta, será que o Bernardo vai se render e colocar o Willian com levantador titular da seleção?

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