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Liga Mundial é vencida pelo melhor time da competição

21 de julho de 2014 4
Foto: FIVB

Foto: FIVB

A impactante atuação do Brasil na semifinal contra a Itália criou a sensação de que os tempos da década passada estavam de volta. Entretanto, todos se esqueceram de que o adversário da final era a seleção dos Estados Unidos, melhor campanha entre as equipes da Elite, num grupo que tinha Rússia, Bulgária e Sérvia.

O grande mérito da seleção americana foi sempre ter mantido o padrão de jogo. Perdeu apenas três jogos na fase classificatória, uma partida para cada adversário.

Já o Brasil começou atrapalhado, tentando encontrar um caminho em meio aos diversos obstáculos: a notória fora de forma e o planejamento visando o Mundial; os desfalques causados pela temporada de clubes que invadiu o início dos treinamentos da seleção e a recuperação de Murilo que provocou uma procura por seu substituto temporário.

Aos poucos o Brasil foi melhorando, encontrando sua forma e ajustando os jogadores ao sistema. Ficou nas mãos da Polônia e do Irã na reta final, que não quiseram ou não souberam armar para o Brasil ser eliminado – ali nasceu a chance de o Brasil jogar mais na Liga Mundial e se preparar melhor para o Campeonato Mundial.

Analisar como as duas equipes chegaram à fase final é importante, tanto quanto analisar que o Brasil fez duas partidas espetaculares em Florença contra a Rússia e a Itália na semifinal; assim como os Estados Unidos fizeram apenas uma grande partida, a semifinal contra o Irã – não jogaram bem contra a Itália e fizeram uma partida burocrática contra a Austrália.

A Final

A Questão fundamental para o Brasil sustentar seu jogo diante dos adversários, a recepção acima dos 60% de perfeição, não funcionou hoje. No início os americanos caçaram Lucarelli exigindo que Mário e Murilo cobrissem a quadra e deixassem um espaço reduzido para o jovem ponteiro. Sem o passe tão na mão, Bruno não conseguiu acionar suas principais armas de maneira confortável. Ainda assim desde o começo tentou forçar bolas de meio até com o passe nos 4 metros. Wallace acionado sempre com bloqueio montado não conseguiu virar.

Ainda assim, os Estados Unidos não estavam apresentando nada de especial e as duas equipes foram fazendo um set equilibrado. Dois lances de arbitragem foram determinantes no resultado do primeiro set, que terminou 31:29 para o time dirigido por John Speraw: o primeiro, quando o Brasil recebia o saque para rodar e fazer 23:21, o árbitro apitou dois toques de Bruno e o set ficou empatado em 22:22. Houve rigor no critério usado em cima do lance de Bruno, pois, no meio do set, houve um dois toques do levantador americano muito mais claro não marcado – aí no momento de definição do set vem uma decisão polêmica. O segundo momento, na bola que o Brasil teria fechado o primeiro set em 28:26, houve pedido de vídeo-check por parte dos americanos que comprovou toque na rede de Murilo com a testa. O set seguiu e os americanos conseguiram a vitória quando o Brasil até mantinha a frente, mas Bruno errou uma sequência de distribuição esquecendo Murilo na ponta, escolhendo para rodar na última bola Lucarelli na Pipe – bloqueado por David Lee.

No segundo set houve o mesmo equilíbrio, um voleibol cheio de erros dos dois lados e o Brasil em dificuldades até que durante a inversão de 5×1 com Rapha e Vissotto, o capitão americano Sean Rooney saiu do ar, cometeu uma série de erros bizarros dando à seleção brasileira a vantagem necessária no placar para levar o set na frente até o fim e definir em 25:21 a parcial.

Porém, a partir do terceiro set todos os defeitos brasileiros ficaram expostos com a entrada do ponteiro americano Garret Muagututia no lugar de Rooney desde o início, e Muagututia entrou sacando muito bem. David Lee passou a crescer no block, entendeu a insistência de Bruno com os centrais e a dificuldade dele em abrir o jogo para fazer o central adversário correr a rede. David Lee saiu do jogo com sete bloqueios individuais, exatamente metade do seu time que marcou 14 pontos de bloqueio no jogo.

Os americanos não chegaram a ter tanta dificuldade para fazerem 25:20 e 25:23 nos sets seguintes e fecharem o jogo em 3-1, ainda mais com o espetacular desempenho do ponteiro Taylor Sander, 24 pontos no jogo ofuscando seu companheiro o oposto Matt Anderson com 23 pontos.

A desconcentração ou afobação do Brasil estava tão grande que por duas vezes chegaram a saltar com o levantador no fundo, Sidão no primeiro set e Murilo no quarto set.

No geral a campanha brasileira foi cheia de altos e baixos, beneficiada sim pela questão da chave classificar três e ainda pela incompetência polonesa.

Por outro lado, não se pode criticar a Comissão Técnica por mirar numa outra competição muito mais importante. O Mundial da Polônia é o alvo, está certo. O vice-campeonato da Liga Mundial está acima do esperado em relação ao início da preparação.

Ainda acredito que apesar dos americanos terem sido o melhor time da Liga Mundial, o Brasil está num patamar acima, junto com a Rússia, para o Mundial.

Quanto ao jogo que definiu o terceiro lugar para a Itália, só quem participou de uma decisão de 3º/4º sabe o que é e como é difícil jogá-lo bem. Tecnicamente foi sofrível mas premiou o time da casa com o terceiro lugar e deu ao Irã, com o quarto lugar, a melhor colocação de um time asiático na história da Liga Mundial.

Para fechar o post, não poderia deixar de comentar sobre a premiação individual.

Melhores ponteiros: Sander dos EUA e Lucarelli; Melhores Centrais: David Lee dos EUA e Lucão; Melhor levantador: Marouf do Irã. Melhor Líbero: Rossini da Itália; Oposto: Wallace e MVP: Sander dos EUA.

Todas as escolhas acima estariam corretas dentro do razoável se não estivesse faltando o nome de um jogador que arrebentou nessa fase final e que numa partida só não foi tão bem, quem sabe até nem por culpa dele: Ivan Zaytsev.

Será que algum atacante de extremidade hoje joga mais do que Zaytsev?

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Comentários (4)

  • Rafael Pais Fernandes diz: 21 de julho de 2014

    O Brasil foi muito afobado.

    Bruno esteve bem tecnicamente e na defesa, mas errou a distribuição em momentos cruciais. No quarto set, Wallace havia rodado as três últimas bolas, e ele usou o Lucarelli numa bola decisiva de contra-ataque, depois de o mineiro ter errado quatro ataques. Tomou toco.

    Lucão tomou inúmeros bloqueios individuais, tava pulando pouco e um pouco torto. Éder entrou um pouco melhor.

    Murilo jogou bem no geral, mas deu um totó numa bola decisiva e boa no quarto set, levantada por Raphael. Sidão, muito afobado. Achei Wallace bem melhor nesse jogo, virando bolas mais decisivas que o costume, principalmente no primeiro e no quarto set.

    De uma certa forma, os ponteiros reservas (Maurício e Chupita) fizeram falta.

    A inversão funcionou um pouco, apesar de Vissotto ter levado muitos bloqueios tb.

    Bem, não é a primeira vez que Bruno erra distribuição em momentos decisivos. Lucarelli é ótimo e o melhor que temos, mas ainda inconstante nas horas decisivas. Ontem vimos isso de novo, como na final da Liga ano passado.

    Dava, sim, pra vencer os Estados Unidos, com passe, defesa e block perfeitos, e espero que no Mundial não ocorra esses erros brasileiros.

  • hicham diz: 21 de julho de 2014

    Olá Rodrigo.Assisti a final e que pena que o Brasil não ganhou desta vez de novo.Achei que no primeiro set o Brasil foi prejudicado com aquela marcação totalmente errada dos dois toques do Bruninho.A vitória seria do Brasil.Isso prejudicou o time.Quanto áquele jogador novato o Sander,achei que ele fez a melhor partida dele nas finais.Na ficha dele consta que ele tem 1,96cm,mas acho que ele tem no máximo 1,92cm,mas a sua grande impulsão compensa tudo.Achei que o bloqueio brasileiro tinha que invadir mais com as mãos para não dar brechas para os ataques dele principalmente.No quarto set set o Brasil perdeu por culpa do Lucarelli que errou 4 ataques.Acho que o Brasil para o Mundial deveria inovar e colocar jogadores mais altos e com poder ofensivo maiores no saque e ataquepara surpreender os grandes times principalmente.Por que ocentral MaurícioEX- halkfbank não foi convocado mais ? Ele é alto e vinha sendo o melhor bloqueador do Brasil há pouco tempo.Porque não convocar o Evandro ex-sesi de volta e faz~e-lo atuar como ponteiro no lugar do Lucarelli que é mais baixo e ainda irregular ?Chamem tambem o Dante e o joão paulo tavarez.Tirem aquele Chupita,lucas loh,daniel(novato),pois são jogadores baixos e piores do que estes que citei.Enfim acho que tem vários jogadores que precisam ser trocados á meu ver.Mesmo se o Brasil tivesse ganho a final esta é a minha opinião faz tempo Rodrigo.O que você acha ? Abraços.

  • Vagner diz: 21 de julho de 2014

    Oi Rodrigo,

    O Mario Jr é filho bastardo do Bernardinho ? So pode para ele insistir tanto neste libero, assim como ele insiste com o Bruno e deixa Rapha no banco.
    Com o levantador e libero que temos vai ser dificil ganhar o mundial, dai sobra para o Lucao.

    Se seguir a mesma logica dos ultimos anos, desde que Bruno virou titular, temos uma troca muito grande do segundo levantador (ja que Bruno é intocavel)…. o Marcelinho e Ricardinho voltaram por um tempo, o Marlon ficou um tempo, o Willian tambem…Agora o Rapha esta no banco e pelo jeito vai ser assim no mundial, vamos ter ele somente nas inversoes ou quando o Bruno insistir a mesma bola para um atacante umas 4 ou 5 vezes em sequencia… Uma perda muito grande para o volleibol nao ver o Rapha atuando como titular.

    Espero que o Murilo Radke nao perca espaço no futuro da seleçao, de repente numa renovaçao, mas nao sei se em tempo para 2016.

    Abraço

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