Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

Brasil colocou o Japão no seu devido lugar para conquistar o 10º título do GP

24 de agosto de 2014 16
foto: fivb

foto: fivb

Aqui no Falando de Vôlei, eu  tenho comentado e alertado para a situação de ser um ano diferente, um ano de campeonato mundial.

Portanto, uma temporada na qual as seleções farão uma preparação distinta das demais tendo como alvo exatamente a principal competição do biênio.

Até agora poucas seleções mostraram o que tem de melhor. Brasil e Japão foram duas delas. Porém, jamais, repito: jamais podemos elevar o Japão à condição de favorito à conquista do campeonato mundial no mesmo patamar que Brasil, Rússia, Estados Unidos e China – nunca.

O Japão tem um bom time, é verdade, o sistema de jogo apresentado pelo seu treinador Masayoshi Manabe atraiu os olhares dos mais novos e menos acostumados a sistemas diferentes, mas é só. As medalhas de bronze conquistadas no mundial de 2010 e em Londres sempre tiveram o favorecimento da tabela que provocaram confrontos precoces de adversários mais fortes deixando o caminho livre para que as japonesas tivessem adversários mais palatáveis.

Ao fazer 3-0 (25-15, 25-18, 27-25) e conquistar o décimo título de GP em Tóquio, a seleção feminina do Brasil põe um pouco de ordem na bagunça e devolve o Japão ao seu papel de coadjuvante.

Sobre a partida, o Brasil teve desde o início a correta percepção tática do que o Japão estava fazendo e marcando de forma ajustada – o Japão está estudado e o Brasil não foi surpreendido.

Contudo, a irregularidade de Dani Lins nos levantamentos, já comentada aqui no começo da semana, deu ao Japão algum respiro no começo do primeiro set. Aos poucos, a levantadora campeã olímpica ajustou melhor as bolas e o Brasil foi abrindo no placar.

Há um detalhe no Japão que é importante observar: na rede de duas muitas vezes a levantadora Miyashita(1m77 de altura) é quem fica bloqueando no meio; na rede de três numa passagem é Nagaoka, com 1m79, quem fica; nas outras duas passagens é Yamagushi (1m76) ou Ono (1m80). Portanto, a menor diferença entre as centrais brasileiras e japonesas é de 12 centímetros – Fabiana tem 1m92 e Thaísa 1m96.

Dessa forma, taticamente, o ataque do Brasil no primeiro set não foi tão eficaz, principalmente com as centrais, num erro, quem sabe, de avaliação. Pela diferença de altura acima citada, não há necessidade de abrirem-se tanto as jogadas de meio como fizeram até a metade do segundo set. Quando joga-se com china ou chutada de meio, está-se aproximando as centrais do bloqueio duplo, diminuindo ângulo de ataque ou jogando as atacantes para cima da única jogadora acima de 1m80 do Japão – Saori Kimura.

Ao passo que, se o Brasil jogasse como jogou, na parte final do segundo set, com mais bolas de meio concentradas em cima das centrais japonesas a vantagem passaria a ser gigantesca, literalmente.

Porém, o que parecia ter sido uma leitura correta do que estava acontecendo se mostrou algo inconsciente, pois com a substituição de Miyashita por Nakamichi, de 1m59, o Brasil continuou sem saber jogar quando a levantadora ficava no meio, Dani Lins continuou levantando com imprecisão as bolas de ponta em cima dela e o Brasil suou no terceiro set, mais do que deveria. Poderia ter sido mais fácil.

Uma clara demonstração disso foi a escolha da bola para o primeiro match point – um tempo atrás para Fabiana amortecido pelo bloqueio e defendido em seguida. O terceiro set prolongou-se até o 27-25 e o Brasil fechou com uma largada de Jaqueline.

O Brasil com todos os méritos conquista o seu décimo titulo de Grand Prix. É o melhor time do mundo, joga um voleibol acima dos demais e sabe impor-se nos momentos decisivos. Mas, é preciso ponderar que foi a única equipe entre as principais que deu importância à competição.

Correções precisam ser feitas, a seleção precisa com urgência voltar a treinar e preparar-se para uma competição longa, dura e que para qual todos irão, aí sim, com o que tem de melhor.

Bookmark and Share

Comentários (16)

  • hicham diz: 24 de agosto de 2014

    Rodrigo adorei mais essa conquista do Brasil frente ao Japão.Concordo com você que no mundial com todos os times completos será mais difícil.Uma pergunta : a Fabiana tem 194m e não 192m como você mencionou,não é? Abraços Rodrigo.

  • Edson Pelegrino diz: 24 de agosto de 2014

    Rodrigo pra mim o Brasil “venceu” o Grand Prix naquele jogo contra a Turquia.Se a Tandara,Gabi e Carol não tivessem levado aquele jogo para o 5º set…já era.

  • klaus diz: 24 de agosto de 2014

    Um bom dia Rodrigo.Ótimo domingo pra começar com mais um título da nossa seleção vitoriosa.Aliás,acho muito divertido quando tu coloca “colocar no seu devido lugar”.É bem isso mesmo, o Japão não tem bola pra ganhar do Brasil e mais uma vez provamos isso.Agora, sempre lendo os seus posts, vi que você estava reticente com relação à condição física das jogadoras em relação ao Mundial e isso é algo que já vem me preocupando desde a fase classificatória, pois entendo que o Zé Roberto podia ter usado mais as reservas e no entanto não o fez.Você como treinador e professor de Educação Física acha que temos tempo pra recuperar e chegar voando fisicamente no Mundial?Aliás, de todos os títulos, o Mundial é aquele que mais alegria eu sinto em conquistar e espero que esse ano seja os dois.Abraço.

  • Igor diz: 24 de agosto de 2014

    Parabéns Brasil por ser o melhor no vôlei e um dos piores em educação, saúde pública e segurança.

    Parabéns Japão por ser um dos melhores em educação, saúde pública e segurança e ter perdido um mísero jogo de vôlei.

    Japão sempre colocando o Brasil no seu devido lugar no que realmente importa.

  • João Lucas diz: 24 de agosto de 2014

    A premiação é que foi engraçada.

    Pura politicagem da FIVB, a jovem central Fetisova ficou até constrangida ao ser premiada como a melhor da sua posição a frente de duas bicampeãs olímpicas: Thaísa e Fabiana. A capitã brasileira ainda ficou como segunda central.

    Tatiana Kosheleva, Sonsirma e Jaqueline também não foram premiadas e foram nitidamente ijustiçadas.

  • João Lucas diz: 24 de agosto de 2014

    A premiação é que foi engraçada.

    Pura politicagem da FIVB, a jovem central Fetisova ficou até constrangida ao ser premiada como a melhor da sua posição a frente de duas bicampeãs olímpicas: Thaísa e Fabiana. A capitã brasileira ainda ficou como segunda central.

    Tatiana Kosheleva, Sonsirma e Jaqueline também não foram premiadas e foram nitidamente injustiçadas.

  • joao diz: 24 de agosto de 2014

    claro que nao , o japao é um dos melhores e com certeza melhor que a china , sempre leio suas resenhas , mas depois dessa… vergonhosa

  • Paulo diz: 24 de agosto de 2014

    Adorei o título do post.
    Resta ver agora como chega a seleção pro mundial. Sheila, Fabiana e Jaqueline não são mais garotinhas, Dani Lins embora tenha ganhado uma confiança absurda pós-Londres, continua com o mesmo padrão de jogo, e como você disse em ouro post os pontos fortes e fracos do time titular foram escancarados. Acho que o mais importante agora é dar ritmo de jogo rapidamente às reservas, o que aconteceu em Londres (as titulares segurarem a onda do ouro) dificilmente acontecerá, até porque o mundial é mais longo e com um número maior de jogos.

  • jerry diz: 26 de agosto de 2014

    Rodrigo acho muito bom o seu site e seus comentários, favor postar mais notícias e matérias sobre o nosso maior rival para a conquista do mundial feminino a equipe da RUSSIA, destacando as suas qualidades e dificuldades, um abração!!!

Envie seu Comentário