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Balanço do Mundial até agora, os melhores chegaram à reta final?

15 de setembro de 2014 2
Foto: FIVB

Foto: FIVB

 

O campeonato mundial masculino chega à reta final sem alguns dos favoritos atingirem a terceira fase, o que na prática reafirma o distanciamento técnico de Brasil e Rússia para os outros. É bem verdade que ambos não foram devidamente testados pelo chaveamento feito na medida para os poloneses chegarem entre os seis primeiros.

Três seleções que estão entre as seis melhores no ranking da Federação Internacional não conseguiram passar da segunda fase: Itália, Estados Unidos e Sérvia. O que deu errado para eles? Certamente não foi só o chaveamento.

Quando a primeira fase do Mundial terminou eu escrevi um texto dizendo que Itália e Estados Unidos não estavam jogando bem e que mostravam sinais de terem atingido o ápice da forma na época errada. Ambos sofreram com desfalques: Os Estados Unidos perderam o atacante de ponta Sean Rooney, antes do Mundial e a Itália perdeu seu principal jogador, Ivan Zaytsev, na última partida da primeira fase com uma torção no tornozelo.

A Itália, mesmo quando Zaytsev estava jogando, em nenhum momento neste campeonato apresentou o mesmo voleibol que mostrou aqui no Brasil, na primeira fase da Liga Mundial, quando em Jaraguá do Sul venceu a seleção brasileira nos dois jogos por 3-1, sem dar muitas chances.

Os americanos da mesma forma não apresentaram o mesmo jogo que os fizeram vencer a Liga Mundial, mesmo considerando os desfalques de Rooney e Reid Priddy, lesionado desde maio.

Parece, portanto, que as comissões técnicas de dois dos grandes favoritos ao pódio do Mundial erraram feio no seu planejamento.

Em relação aos sérvios, é um time ainda em formação com jogadores muito jovens. O levantador Nikola Jovovic tem 22 anos, o oposto Alexander Atanasijevic 23, o central Srecko Lisinac 22, o central Marko Podraskanin apenas 27, apesar de sua experiência. Então, o time ainda não pode ser cobrado por ser eliminado numa chave tão difícil.

Analisando os classificados, a Alemanha jogou um bom voleibol até aqui, mas é o time que passou em terceiro lugar na chave de Brasil e Rússia, cujos adversários mais qualificados na disputa por esta terceira vaga foram Bulgária e Canadá. Assim, a Alemanha está na terceira fase pelo chaveamento. Dificilmente passaria pela outra chave.

Citado por muitos como uma grande sensação, o Irã estaria fora do Mundial não fosse a trapalhada americana de perder por 3-2 para os já eliminados argentinos. O time iraniano é uma boa equipe, sem dúvidas. Mas na hora de decidir as partidas falta um pouco de peso à sua camisa.

A grande sensação da competição, depois do invicto Brasil, com toda a certeza é a seleção francesa dirigida por Laurent Tillie. Terminou a segunda fase com 17 pontos, a mesma pontuação que a Rússia, mas jogando contra adversários bem mais difíceis. Perdeu apenas para a Itália, num jogo no qual poderia ter feito 3-0, pois, vencia por 2-0; e para a Polônia, ontem, numa partida estranha na qual os dois times pouparam jogadores. A França tem jogado muito bem, apresenta um volume de jogo fora do normal, muita defesa, virada de bola consistente, será um duro adversário para qualquer um neste mundial.

Tudo foi direcionado para que a Polônia chegasse à terceira fase. Porém, os poloneses não contavam com o sorteio de ontem que os colocou na chave de Brasil e Rússia. Foi um desastre. Imediatamente as prerrogativas do País sede foram acionadas na formatação da tabela. O Brasil, primeiro lugar de sua chave, vê-se, então, obrigado a deixar Katowice e ir jogar em Lodz. Depois, a ordem natural dos jogos também foi alterada em função da sede, que escolheu enfrentar o Brasil primeiro e decidir a vaga contra a Rússia, na quinta-feira, na última partida do grupo. Patriotismo à parte, o pensamento polonês está absolutamente correto: enfrenta o Brasil de cara, pois o time brasileiro terá provavelmente dois desfalques para esta partida: Murilo e Wallace; deixa Brasil e Rússia se matarem na quarta-feira, para depois decidir contra o teoricamente mais fraco, hoje, entre os seus adversários por último.

Logicamente que ao nosso olhar brasileiro, e pelo regulamento antes divulgado, o Brasil foi prejudicado. Mas, como escrevi, quem sedia tem algumas prerrogativas, e sob esse olhar, a Polônia está correta.

Na bola a Polônia não está no mesmo padrão que Brasil e Rússia. O Brasil jogou melhor neste mundial e pode vencer os donos da casa mesmo sem Murilo e Wallace.

Sem saber a real proporção da lesão de Nicolay Pavlov, é difícil acreditar que a Rússia encontre-se de forma consistente com Dmitriy Muserskiy na função de dublê de oposto e central, como foi escalado ontem pelo seu treinador Andrey Voronkov, após a lesão de Pavel Moroz, o oposto reserva. Não sei se Muserskiy suporta tal carga por tantos jogos.

O Brasil chega à terceira fase do Mundial mantendo sua condição de favorito. Foi o time que melhor atuou, foi consistente, superou dificuldades e é o melhor. Além disso, Bernardinho tem dirigido o time muito bem, trocando corretamente, enxergando onde estão os problemas – um grande mundial do técnico brasileiro até aqui.

Mas, o Brasil não está inteiro. A lesão de Murilo, principalmente, preocupa pela função tática de passe e bloqueio – é insubstituível à altura, hoje. Caso a seleção brasileira confirme o primeiro lugar, vai enfrentar nas semifinais provavelmente o Irã. Uma dura semifinal e contar com Murilo será fundamental.

Contudo, parece que até nisto o Brasil está acima dos outros: tem sentido menos os desfalques e as trocas. É o grande favorito no momento.

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Comentários (2)

  • Paulo diz: 15 de setembro de 2014

    Olá Rodrigo.

    Pois é, está questão do Brasil chegar voando no mundial e algumas equipes que antes estavam bem chegarem muito mal, foi amplamente criticada por quem não entende o que é a preparação para uma competição de alto nível.

    No início da Liga Mundial, quando o Brasil estava perdendo algumas partidas que normalmente ganharia, a comissão técnica deixou claro que o objetivo e a preparação era visando o mundial. Ponde não parecer, mas a preparação física para atingir o ápice em uma competição que só seria disputada alguns meses depois, faz uma grande diferença.

    Além disso, estou bastante surpreso pelo desempenho do Bruninho. Não sou daquela turma que critica por ele ser filho do Bernardo, acho que ele ainda é a melhor opção (mesmo nos deixando com saudades dos craques anteriores, Ricardinho, Mauricio, William), mas nesse mundial ele está jogando demais. Esta muito consistente nas bolas de ponta, jogando rápido, e no meio está demais. Algumas bolas que ele faz com o Lucão com passe horrível no meio da quadra, são espetaculares. Espero que tanto ele, quanto o time todo consiga manter este nível agora na fase final, que é quando realmente começa o mundial para nós.

    Abraço

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