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Brasil não joga bem de novo, mas vence a Sérvia por 3-1

29 de setembro de 2014 3
Foto: FIVB

Foto: FIvb

O time feminino do Brasil não é do mesmo nível do time da Sérvia. Não. De forma alguma. Em condições normais de temperatura e pressão jamais o Brasil pode igualar o jogo contra a Sérvia. Não com as atuais formações.

Mas então por que o jogo contra Sérvia foi tão difícil?

Desde a fase final do Grand Prix, mesmo que o Brasil tenha conquistado o título, a seleção brasileira tem diminuído a qualidade do voleibol apresentado. Isso é visível. Encontrar os fatores corretos para tal ocorrência é que são elas.

Antes do Mundial, eu questionei a escolha do treinador José Roberto Guimarães em jogar o Grand Prix todo com o time titular, quando as outras equipes pouparam jogadoras ou não estavam completas e mostravam claramente ter um planejamento diferente do Brasil, ainda que o objetivo de vencer o Mundial fosse o mesmo.

A questão física, portanto, pode estar pesando. A única jogadora que está jogando com sobras no time, Jaqueline, é exatamente a única que não participou da temporada de clubes por estar voltando da gravidez e ter ficado sem time. As outras todas emendaram uma temporada na outra.

De forma alguma estou questionando o trabalho do competentíssimo preparador físico José Elias Proença. Questiono, sim, o lastro fisiológico de desgaste que as jogadoras trazem da temporada passada sem terem sido preservadas nesta.

Tecnicamente e taticamente, grande parte da responsabilidade de o Brasil estar suando mais do que deveria para vencer adversários de média qualidade está nas mãos de sua levantadora titular. Dani Lins é a melhor levantadora que o Brasil tem. É indiscutível. Merece estar ali. Mas, foi perdendo a acuidade de sua mão ao longo da temporada com a seleção a ponto de perder o entrosamento com as centrais. Dessa forma, o Brasil perde o que tinha de mais precioso há muito tempo: o jogo pelo meio com duas das melhores centrais do mundo. Que, sem estarem sendo devidamente acionadas, nem quando o passe sai na mão e recebendo as bolas, tornaram-se jogadoras comuns e marcáveis. A culpa não está nelas, pois a levantadora reserva Fabíola, quando entra em quadra, as aciona de forma mais eficaz.

As atacantes de extremidade têm sofrido pelos irregulares levantamentos de Dani Lins, pois, contra bloqueios altos como os da Sérvia, Turquia e Bulgária foram obrigadas e largarem muitas bolas – até de toque.

Outra jogadora de deveria estar melhor no momento é Sheilla. Ainda que não seja mais aquela jogadora de 30 pontos por jogo, como já foi, nem decisiva está sendo. Sua reserva, Tandara, não tem, como já escrevi, o olho de tigre para tomar a sua posição.

O Brasil venceu a Sérvia sem jogar muito diferente do que fez diante da Turquia. A Sérvia, quem sabe por afobar-se diante de enxergar a real possibilidade de vencer o Brasil, depois de vencer o 1º set por 26-24, e perceber o jogo na mão, começou a errar. Errou demais, errou 20 ataques, errou 13 saques, errou, errou…e deu chances ao Brasil errar menos e vencer.

O Brasil foi arrumando-se no jogo e venceu os sets seguintes por 25-21 e 25-19. No quarto set, o Brasil vencia facilmente por 18-12, tudo levava a crer que o set terminaria com facilidade, mas o time parou em quadra. A Sérvia buscou o jogo, empatou em 23-23 e o Brasil contou com ajuda do árbitro que não viu o ataque de Brankica Mihaylovic tocar na linha para dar o 24-23 para o Brasil que logo em seguida fechou o set e o jogo em 25-23.

Jaqueline, mais uma vez, foi o destaque brasileiro. Com 16 pontos (treze de ataque, dois de bloqueio e um de saque) é a comprovação de que as coisas estão erradas no Brasil. O time passou na mão, na partida de hoje, 66%, com Camila Brait passando 74% perfeitos.

Pela Sérvia, a oposta canhota Tijana Boskovic, de apenas 17 anos, foi a maior pontuadora do jogo com 24 pontos.

Em parte, concordo com o treinador brasileiro que ao final da partida declarou que valeu a vitória. Sim, valeu. Mas fica a preocupação com o futuro. Daqui para frente as coisas apertam no Mundial.

O Brasil passa para a segunda fase como primeiro de sua chave, mas chega ao Grupo F em segundo lugar com oito pontos. Os Estados Unidos chegam liderando com nove e a Rússia tem seis pontos. A tendência é que Brasil, Estados Unidos e Rússia abram vantagem pelo equilíbrio entre os outros adversários que devem roubar pontos uns dos outros, enquanto eles próprios mesmo que percam alguns, consigam pontuar mais em quatro jogos do que seus adversários.

O favoritismo do Brasil diminuiu? Não. Mas com toda certeza não é o melhor voleibol da seleção brasileira que estamos assistindo.

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Comentários (3)

  • Ricardo diz: 29 de setembro de 2014

    bom dia, sinto que o brasil esta jogando sem alegria não sei qual a fator determinante para isso ou seja cansaço ou peso de ter a obrigação de ganhar, alguma rusga por estar convivendo muito tempo juntas ou outro fator , so sei que mais para frente isso pode pesar . abraço

  • jerry diz: 29 de setembro de 2014

    Rodrigo, acho que os sucessivos campeonatos disputados por esta seleção , está sendo o principal motivo para a queda de produção de nosso time. Vejo a Taissa jogando sem vibração, isso me preocupa muito, mesmo assim confio que o Brasil na fase final vai apresentar o melhor do voleibol e ser campeão mundial.

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