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O Falando de Vôlei se despede da RBS

13 de outubro de 2014 0

A decisão de encerrar o blog Falando de Vôlei, aqui na RBS, é dolorida. Mas, precisa ser tomada, o projeto do Falando de Vôlei mudou.

Desde o primeiro post, no dia 23 de abril de 2012, até agora foram quase dois anos e meio. Coberturas importantes, opiniões polêmicas e muito aprendizado. Muito aprendi com vocês leitores pelos seus comentários, as críticas me deram rumo. Alguns se tornaram meus amigos, foi gratificante.

O Falando de Vôlei não deixa de existir.

O site www.falandodevolei.com.br está no ar desde o dia 23 de maio deste ano. Há também o Twitter (@falandodevolei) e a página do Facebook (www.facebook.com/falandodevoleinaweb)

Quero fazer um agradecimento público à jornalista Bruna Bernardes, do Diário Catarinense, pelo convite e por toda ajuda sempre que solicitada.

Espero vocês lá no site.
Um grande abraço,
Rodrigo.

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Mundial medíocre, campeão medíocre

12 de outubro de 2014 10
      Foto: FIVB

Foto: FIVB

Que me desculpem os que conseguem encontrar na equipe americana um voleibol de alta classe. Desculpem-me mesmo.

Mas, um time com uma levantadora que comete dois toques quase o tempo todo, ainda que acelere o jogo, é um time medíocre. Passa porque a abitragem hoje em dia é frouxa. Mas seu toque é feio – tenta jogar um voleibol acima de sua capacidade técnica. Quando jogou no Brasil, mesmo jovem demais, foi contratada para ser titular e acabou sendo reserva de uma levantadora que é conhecida exatamente pela falta de qualidade de seus levantamentos – é mais voluntariosa do que habilidosa.

O restante do time é composto por jogadoras que são, no máximo, boas coadjuvantes. Fez um mundial fraco, pegou uma chave fácil, na segunda fase beneficiado pelos adversários já chegarem com poucas chances foi vencendo e enfrentou o Brasil com as reservas, perdendo por 3-0, para as, também reservas, brasileiras.

Na terceira fase, perdeu vergonhosamente para a Itália por 3-0, em uma partida que deu vergonha de ver o voleibol jogado pelas duas equipes. Classificou-se em segundo lugar na chave pela incapacidade da Rússia, até então bicampeã mundial e atual campeã europeia, em vencer a Itália, já classificada, por pelo menos 3-1.

A semifinal contra o Brasil era para ter sido um jogo disputado, como todo Brasil e Estados Unidos, mas o domínio era para ser brasileiro, como foi no Grand Prix, por exemplo. A desastrosa atuação brasileira permitiu uma distorção no que deveria ter sido a ordem natural das coisas pela qualidade do voleibol.

Na final, contra uma China que contra o Brasil tomou um sacode constrangedor e chegou ali por cruzar contra a Itália, outro time medíocre, na semifinal, não poderia dar outra. As americanas só poderiam ser superiores a um time que tem apenas uma atacante decente, a ponta Ting Zhu. É claro que uma equipe mais equilibrada levaria vantagem sobre a China.

O 3-1, com parciais de 27-25, 25-20, 16-25, 26-24 foi uma final apropriada para o mundial.

Para não dizerem que não falei do Brasil, hoje mais cedo, a seleção brasileira venceu a medalha de bronze ao bater a Itália por 3-2 (25-15, 25-13, 22-25, 22-25, 15-7). Como se observa pelo placar, o Brasil tinha tudo para vencer por 3-0, mas deixou a Itália entrar na partida.

Para completar o “espetáculo”, a FIVB escolheu as seguintes jogadoras como melhores da competição:

Melhores pontas: Ting Zhu (China) e Kimberly Hill (EUA)

Melhores centrais: Thaísa e Junjing Yang (China)

Melhor oposta: Sheilla

Melhor levantadora: Alisha Glass (EUA)

Melhor líbero: Monica de Gennaro (Itália)

MVP: Kimberly Hill (EUA)

Está certo, campeonato medíocre, campeão medíocre… MVP medíocre.

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O melhor (?) cai nas semifinais

12 de outubro de 2014 1
      Foto: FIVB

Foto: FIVB

Alguns dirão que o melhor é o vencedor, aquele que se torna o campeão. Eu concordo. O Brasil foi o melhor do Mundial até a semifinal em um campeonato mundial fraco, com equipes fracas.

A crônica da morte anunciada eu venho escrevendo desde o meio do Grand Prix. O Brasil escolheu uma preparação diferente, usando as principais jogadoras o tempo todo, ainda que priorizasse o Mundial. A curva descendente de desempenho desde a metade do Grand Prix em diante era evidente e notória. Restava, então, a torcida para que o time brasileiro conseguisse recuperar a forma e o ritmo nas três semanas de preparação, após o final do Grand Prix.

Em qual momento, neste Mundial, a seleção brasileira jogou bola, realmente? Venceu quase todas as partidas jogando um voleibol arrastado, longe do que estamos acostumados a ver. A vitória contra a China, por 3-0 na 3ª fase, foi talvez o jogo mais parecido com o que o Brasil faz normalmente.

Contra os Estados Unidos, nesta semifinal de ontem, quase nada deu certo. Muito se deve ao total descontrole emocional da maior parte da equipe. Inclusive, do experiente treinador José Roberto Guimarães, que desconcentrou o próprio time, logo no primeiro set, ao reclamar de um fora de posição do time americano com o Brasil começando com 2-0 no placar. As americanas rodaram e fizeram 5-2 sem esforço. Apenas porque o Brasil desconcentrou-se. A partir dali nada deu certo.

Tecnicamente, as jogadoras de ponta e Fabiana estiveram muito abaixo do esperado. Exatamente com Fabiana começando na rede o início do jogo do Brasil foi um desastre. Alisha Glass chegou a largar de segunda, com a mão direita, na frente de Fabiana – que nenhuma reação esboçou.

Completamente fora do ar, Zé Roberto demorou a entender que o problema do time começava pelas pontas. Quando trocou, teve medo de colocar Gabriela em quadra, talvez pela imaturidade dela e optou por Natália no lugar daquela entre as titulares que já tinha conseguido estar mais lúcida no jogo: Fernanda Garay. Porém, em menos de 5 minutos desfez a substituição.

Jaqueline ficou em quadra com um percentual de ataque de 20% apenas. Garay ainda terminou o jogo como maior pontuadora do Brasil com 14 pontos.

Dani Lins repetiu as fracas atuações da maior parte da competição: errou na distribuição, errou na trajetória das bolas, principalmente nos contra-ataques, acabou substituída em todos os sets na inversão, numa tentativa desesperada de mudar a situação do jogo, o que em nenhum momento funcionou também.

Dias ruins acontecem, mas a derrota de ontem, por 3-0 (25-18, 29-27, 25-20), não aconteceu por causa de um dia ruim, aconteceu por causa de um mundial todo ruim. O Brasil venceu até aqui todos seus adversários devido ao fraco nível deste mundial. Uma competição sem várias estrelas, uma competição na qual vários treinadores erraram na preparação de suas equipes, uma competição desequilibrada até pela composição das chaves.

Em minha opinião é, sim, o fim do mundo o time campeão olímpico em Londres, tendo trocado apenas sua líbero, perder para um time americano muito inferior ao de dois anos atrás. O planejamento precisa ser revisto. Houve erros no caminho.

É um enorme erro o Brasil não estar na final.

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Brasil sobra no mundial feminino

09 de outubro de 2014 1
      Foto: FIVB

Foto: FIVB

O Brasil começou o Mundial feminino da Itália sem estar em sua melhor forma. Ainda assim, venceu todos os jogos. Venceu a Bulgária, Camarões e Canadá por 3-0. Depois, recuperou-se na partida contra a Turquia quando perdia 2-0 e virou para 3-2. Venceu a Sérvia por 3-1 e terminou a primeira fase com 14 pontos.

Na segunda fase, os mesmos defeitos técnicos e táticos da primeira fase continuaram a aparecer, mas o Brasil seguiu superando seus adversários. Venceu Cazaquistão por 3-0, Holanda por 3-1, a Rússia por 3-1 e na partida contra as americanas, para decidir o primeiro lugar da chave, ambos os treinadores decidiram jogar com os times reservas. O Brasil mostrou um grupo melhor e venceu por 3-0.

A partida contra a China, na abertura desta 3ª fase era preocupante. Com grande campanha, o time dirigido por Lang Ping tinha perdido apenas para a Itália, na última partida da 2ª fase, quando ambos também pouparam jogadoras.

Porém, a seleção de Zé Roberto mostrou ontem que está sobrando no cenário mundial. Mostrou que toda qualidade técnica, toda experiência e toda disciplina tática que o time impõe aos adversários é algo quase insuperável no momento.

O 3-0 foi constrangedor: 25-19, 25-16, 25-15. Outro nível de voleibol.

Sim, alguns dos mesmos problemas da primeira fase apareceram. Mas, foram superados por uma tremenda aplicação tática. Coisa que só um time com a qualidade e experiência como o Brasil tem hoje pode usufruir.

Sacou de forma consistente para anular Ting Zhu e Ruoqi Hui, as principais armas do time chinês, que apesar de atacantes de ponta são frágeis passadoras.

O Brasil produziu as três maiores pontuadoras da partida: Jaqueline, Thaísa e Fernanda Garay com 15 pontos – incrível.

Difícil apontar entre Jaque e Thaísa quem é a mais importante. Thaísa, mais uma vez, bloqueou demais: 7 blocks diretos. Jaqueline passou 8 bolas na mão de 10 e conseguiu 9 defesas perfeitas.

Dani Lins foi melhor que nas últimas partidas, acertou as bolas com as centrais e ajustou um pouco mais o ponto forte do Brasil.

Ainda que dê para notar que o Brasil não está a 100% o Brasil sobra em relação aos outros e será o bastante para ser campeão.

Hoje folga para acompanhar o jogo entre China e República Dominicana. Mas, com o 3-0 de ontem, bastará um set na sexta, ou que o jogo de hoje tenha vitória das dominicanas ou não seja 3-0 para o Brasil já estar nas semifinais.

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Já classificado o Brasil voltou a jogar bola contra a Rússia

05 de outubro de 2014 0
             Foto: FIVB

Foto: FIVB

O time americano entrou em quadra, hoje ao meio-dia, já classificado e seu treinador resolveu poupar algumas jogadoras. Karch Kiraly deixou de fora Foluke Akinradewo, Chista Harmotto e Jordan Larson. Ainda assim, as sérvias sentiram a pressão de vencer o time misto americano e colocar uma mão na vaga para a terceira fase, pois, bastaria então que o Brasil vencesse a Rússia que o grupo estaria definido com a classificação de Estados Unidos, Brasil e Sérvia. As sérvias perderam por 3-0 para os Estados Unidos e, dessa forma, apenas o Brasil já entrou classificou contra a Rússia.

Parece, então, que a falta de pressão por buscar a classificação fez o Brasil soltar-se em quadra. No primeiro set, desde o início sacando muito bem e forçando em cima de Tatiana Kosheleva, uma das melhores jogadoras do campeonato até aqui, a seleção brasileira conseguiu fazer tudo funcionar e com a motivação lá em cima massacrou as russas que até conseguiram respirar um pouco no final do set. Ainda assim, o placar foi 25-17.

O começo do segundo set foi a continuação do primeiro. O Brasil chegou a estar vencendo por 10-2. Mas, a partir dali, a Rússia entrou no jogo. Kosheleva começou a brilhar. O Brasil empacou na rede de duas com Fabiana e Jaqueline, quando Ekaterina Gamova (que começou no banco e tinha entrado na inversão do 5×1) estava sacando, e as russas empataram a partida em 13-13. A partir dali o jogo mudou. Mudou a ponto de Nataliya Goncharova voltar para a quadra, ao ser desfeita a inversão do 5×1, e se transformar no grande nome do final do segundo set. A Rússia empatou a partida ao vencer o set por 25-23.

No terceiro set, o Brasil reequilibrou a recepção do saque, voltou a sacar melhor e o bloqueio funcionou para o set ser vencido por 25-19, Thaísa passou a ser o nome da partida.

Porém, um Brasil vs Rússia sempre reserva suas surpresas. No quarto set o Brasil começou sacando fraco e errado novamente, a Rússia, ao contrário, passou a pressionar o Brasil e liderou o set desde o começo: 6-2, 8-4…18-11, 21-14…o set parecia perdido. Então, o técnico Zé Roberto colocou Gabriela Guimarães para sacar no lugar de Fabiana. O Brasil a partir dali foi espetacular. A Rússia que estava com Gamova na ponta e Goncharova na saída de rede parou.

O Brasil empatou em 21-21 e depois, venceu o set por 27-25 e o jogo por 3-1.

Individualmente, Thaísa começa a crescer na competição: marcou 22 pontos no jogo, 12 pontos de ataque em 19 bolas recebidas, 7 pontos de bloqueio e 3 pontos de saque – monstruosa atuação.

Camila Brait e Jaqueline garantiram a recepção do Brasil acima dos 60% na mão de Dani Lins.

Coletivamente houve grande melhora e o Brasil mostrou mais do voleibol que sabe jogar. Talvez faltasse motivação. Ainda aparecem sintomas dos defeitos apresentados anteriormente neste mundial? Sim. Mas, o Brasil melhora na hora certa.

Amanhã, contra os Estados Unidos decide o primeiro lugar da chave, que na prática significa pouco se a China confirmar o primeiro lugar do outro grupo. Ainda assim, o fato de Kiraly ter poupado jogadoras hoje sugere que virá para o jogo contra o Brasil de peito aberto.

É a hora da definição. Hora de grandes jogos.

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Vitória contra a Holanda aproxima o Brasil da 3ª fase

03 de outubro de 2014 2
Foto: FIVB

Foto: FIVB

O Brasil não perderia para a Holanda. Não seriam a experiente oposta Manon Flier ou muito menos a jovem Celeste Plak que tirariam da seleção brasileira a vitória.

O placar que corretamente daria a diferença técnica entre as duas equipes seria o 3-0. Não foi porque no primeiro set a seleção brasileira repetiu os erros que apresentou até agora no Mundial e permitiu que a seleção holandesa virasse o set que estava sendo vencido por 17-12.

Desde o Grand Prix venho escrevendo que em determinados momentos o Brasil apressa o jogo no ataque e, na afobação, dá às adversárias armas para equilibrar jogos impensáveis.

Foi assim, errando na recepção, partindo do saque forçado holandês, e na precipitação na virada de bola que o Brasil perdeu o primeiro set por 25-23.

O segundo set foi quase um replay do primeiro. O Brasil fez 8-2, permitiu que as holandesas encostassem e empatassem em 10-10, errando da mesma forma que no primeiro set. Porém, Zé Roberto decidiu inverter o 5×1 na reta final e deu certo. A seleção brasileira abriu e fechou o set em 25-20.

Depois da vitória no segundo set o Brasil parece ter encontrado o equilíbrio necessário para não mais permitir que a Holanda reagisse. Vitória no 3º e 4º sets por 25-16 e 3-1 na partida garantindo os três pontos e a distância de quatro para a Rússia que perdeu para a Turquia por 3-2, hoje.

Fernanda Garay foi a maior pontuadora do Brasil com 20 pontos. Mas, Thaísa, com 19 pontos (11 de ataque e 8 de bloqueio) e 45% de eficiência no ataque, a melhor atacante brasileira no jogo, foi o destaque técnico da partida.

Coletivamente o Brasil ainda tem a crescer e melhorar. Pode ser que com partidas mais parelhas e contra equipes do mesmo nível as jogadoras sintam-se mais motivadas a dar o seu melhor e tenhamos, enfim, o verdadeiro jogo do Brasil sendo apresentado na Itália.

Hoje houve alguns lampejos de melhora.

É importante, sim, sair de momentos complicados e de dificuldade. Mas, jogando bola. O Brasil até o jogo de hoje não tinha jogado bola. Na partida de hoje mesclou um pouco do ranço dos últimos jogos com aquele voleibol ao qual estamos acostumados. É bom mesmo. Nos próximos seis jogos não há lugar para erros. De agora em diante o Brasil terá que mostrar se foi mesmo buscar o título.

Para garantir a classificação já no sábado diante da Rússia a conta é simples, basta ao Brasil vencer o jogo por qualquer placar e não precisará fazer contas. Assim provavelmente no domingo decidirá o primeiro lugar da chave contra os Estados Unidos e a terceira vaga será decidida, também no domingo, entre Sérvia e Rússia em confronto direto.

 

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Brasil vence Cazaquistão por 3-0 em jogo sonolento

02 de outubro de 2014 0
Foto: FIVB

Foto: FIVB

A seleção do Cazaquistão só está na segunda fase do mundial porque a Tailândia optou por não levar à Itália seu time principal e dar prioridade aos Jogos Asiáticos. O time B tailandês não deu conta de classificar-se e aí está o Cazaquistão.

No começo do jogo, o Brasil apresentou os mesmos defeitos que vinha mostrando na primeira fase, dificuldade na recepção e na virada de bola. Aos poucos foi corrigindo esses defeitos, mas, cometendo muitos erros, arrastou-se em quadra e não soube lidar com o estilo de voleibol desajustado do adversário exatamente por não imprimir um ritmo de saque, de virada de bola, de consistência no sistema defensivo.

As desculpas por demorar em encontrar o ajuste certo para o time do Cazaquistão, dadas ao final da partida, serviram para esconder que o Brasil entrou para o jogo de ontem em ritmo lento. Se tivesse pressionado um pouco mais o jogo teria sido rápido. O 3-0 sonolento da tarde de hoje teve parciais de 25-22, 25-22, 25-18.

Thaísa foi a maior pontuadora do Brasil com 14 pontos (9 de ataque, 3 de bloqueio e 2 de saque), seguida por Jaqueline com 12 pontos.

O Brasil enfrenta, hoje, a Holanda, às 15h pelo horário de Brasília, que perdeu ontem para a Sérvia por 3-0.

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Análise sobre o time do Brasil no Mundial feminino até aqui

30 de setembro de 2014 3
Foto: FIVB

Foto: FIVB

 

A parte mais difícil para um comentarista é dissociar o pensamento de torcedor e o de analista. É claro que eu torço pelo Brasil.

Na análise que eu, humildemente, ofereço ao leitor existem três olhares: o de torcedor, o de comentarista e o de ex-treinador. A mistura deles dá o tempero do meu texto. Confesso que não sinto prazem em escrever certas coisas, mas tenho a obrigação de oferecer ao meu leitor aquilo que estou enxergando e externar minha opinião. Por essa razão, vamos analisar mais a seleção brasileira neste mundial.

Começamos Individualmente.

Dani Lins
É a melhor levantadora do Brasil. Melhor que Fabíola. O título olímpico deveria ter lhe dado a confiança necessária para usar a mão que tem. Mas está sendo irregular. A trajetória de seus levantamentos para as pontas está irregular e o tempo de bola com as centrais está desajustado. Não é a mesma levantadora de dois meses atrás. Zé Roberto a deixa intranquila? É provável. O treinador três vezes campeão olímpico já mostrou diversas vezes que pressiona demais suas levantadoras. Entretanto, ela já foi treinada por ele e por Bernardinho. É experiente o suficiente para não sucumbir à pressão. Grande parte das dificuldades do Brasil até aqui passam por suas mãos.

Sheilla
A oposta de 31 anos, que está disputando pela quarta vez um campeonato mundial, já não é uma menina. Mas, também não é nenhuma anciã. Fisicamente poderia estar melhor. Pode estar acusando esgotamento pela temporada emendada com a de clubes e não ter sido devidamente poupada.

Fabiana
A capitã da seleção brasileira também não está a todo vapor, ainda. Uma das três melhores centrais do mundo, Fabiana até agora está longe de seus melhores dias. Ainda assim terminou a primeira fase como a terceira melhor bloqueadora.

Thaísa
Assim como Fabiana é uma das melhores centrais do mundo. Mas, perdeu o entrosamento com Dani Lins e é visível seu sofrimento dentro de quadra. Acostumada a ser uma das principais pontuadoras do Brasil, Thaísa gramou muito nessa primeira fase. É uma das bolas de segurança do Brasil, marcada ou não. Ela roda bola. Mas, precisa que levantadora acerte. Mesmo assim, é tão boa jogadora que mesmo com atuações bem abaixo terminou a primeira fase como oitava melhor bloqueadora.

Fernanda Garay
A atacante de força do Brasil e um dos grandes destaques do time, desde os jogos de Londres, na virada de bola está apagada. O primeiro motivo é que, assim como Sheilla, parece não estar na ponta dos cascos. O segundo motivo é que, como não é jogadora de consertar levantamentos e sim de definição, necessita de bolas precisas para enfrentar bloqueios altos já que não é propriamente uma atacante alta – tem 1m79 de altura.

Jaqueline
Única jogadora do Brasil que não participou da temporada de clubes, Jaque está voando. Apesar de ser a ponta de composição da equipe, é até aqui a melhor atacante de todo o campeonato mundial. Jaque é uma jogadora completa, ótima em todos os fundamentos. Atuando dessa forma é indispensável ao time.

Camila Brait
Os adversários não sacam nela, caçam Jaqueline e Garay, pois ela passa muito. Nas horas decisivas tem aparecido com grandes defesas e está, a cada jogo, mais senhora da posição. Camila tem apenas 25 anos. Imaginem daqui a alguns anos quando for ainda mais madura.

Fabíola
Quando entra não dá prejuízo e as bolas de meio passam a funcionar, coisa que com a titular está difícil. Zé Roberto fala que confia em todas. Seria legal mostrar isso na prática não só em palavras.

Tandara
A crítica não é pessoal, é profissional. Tandara deveria querer o lugar de Sheilla. Não que Sheilla mereça ir para o banco. Mas, quem sabe, a titular não perceba em sua reserva a falta de vontade, o “olho de tigre” de estar em quadra, e assim, jogue acomodada. A expressão facial de Tandara ao entrar em quadra é de conforto. Está confortável com o banco, está confortável ao ser pressionada pelo treinador por ter entrado e não jogado o que poderia. Tandara poderia render mais.

Natália
Está na hora de pararem de passar a mão na cabeça dessa moça. A canela está boa, não? Não foi uma simples lesão, como muitos dizem, foi um problema sério de saúde. Mas, passou? Então, chega. Agora é guerra e na guerra não há espaço para dengos. Assim como outras são pressionadas para renderem mais, Natália precisa ser pressionada. Pode fazer mais do que entrar para sacar. Cadê a moça dos 30 pontos por jogo?

Gabriela
Uma das responsáveis pela mudança anímica, tática e técnica nos jogos contra a Turquia e Sérvia, a menina de 20 anos, no seu primeiro mundial, não merece ter etapas queimadas. Entrou, ajudou a resolver, ótimo. Mas a responsabilidade daqui para frente não pode recair em seus ombros.

Zé Roberto
Quase sempre concordo com suas decisões. Porém, esperava que abrisse mão do Grand Prix para priorizar a conquista do campeonato mundial. Não na fase final do GP, como fez o time americano em 2012 que mandou as reservas e ainda assim venceu. Mas durante a fase de classificação. Ao contrário, Zé Roberto jogou o GP todo com o time titular. Essa conta será paga em algum momento. O desgaste não é só físico, é emocional, há o cansaço por tantas viagens, treinos e jogos, são jogadoras profissionais, mas não são máquinas – são humanas.

Taticamente o Brasil não tem atuado bem no que sempre foi bom, a virada de bola. Dani Lins joga com o passe na mão, mas, há pouca variação de jogadas o que torna fácil a marcação aos adversários. A seleção brasileira tem sobrevivido pelo sistema defensivo – sacando bem e bloqueando melhor ainda. A relação bloqueio defesa tem funcionado e permitido contra-ataques com grande frequência. Ainda que o aproveitamento no ataque não tenha sido excelente, foi o suficiente para dar ao Brasil as cinco vitórias na primeira fase.

Enfim, eu torço demais para que minha percepção esteja errada. Estou vendo o Brasil jogar menos a cada semana desde a etapa do GP em São Paulo, quando venceu os Estados Unidos por 3-0. Depois, jogo após jogo a seleção brasileira foi apresentando menos voleibol. Venceu o GP porque é o melhor. Pode vencer o Mundial, mesmo assim, porque é o melhor. Mas, está longe de seu melhor.

 

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Balanço do Mundial feminino até agora

29 de setembro de 2014 1
Foto: FIVB

Foto: FIVB

O Mundial feminino da Itália começou com uma grande favorita, a seleção brasileira. Neste momento, apesar de o Brasil continuar com o favoritismo, suas atuações não inspiram a mesma confiança que antes e pode-se considerar, sim, a aproximação de outras seleções ao patamar onde só estava o Brasil.

Apenas quatro seleções continuam invictas no Mundial, todas com cinco vitórias. China, Estados Unidos, Brasil e…. a República Dominicana.

Sim, a República Dominicana. A mesma seleção que perdeu miseravelmente todas as partidas no Grand Prix e perdeu sua vaga na elite para o ano que vem. Pois, a República Dominicana, do treinador brasileiro Marcos Kwiek, venceu os favoritos da chave Itália e Alemanha, e só não chega melhor à segunda fase porque justamente as três vitórias que contam agora foram por 3-2. Mas, os seis pontos trazidos lhe dão o começo em terceiro lugar e uma possibilidade, sim, de quem sabe conquistar a vaga para a 3ª fase.

A anfitriã, Itália, com o time envelhecido em razão de o seu treinador, Marco Bonitta, resolver apostar na experiência das jogadoras mais velhas e cortar jovens talentos como a central Sara Bonifacio, perdeu pontos preciosos contra a República Dominicana. Ainda assim, começará em segundo lugar a chave E, atrás apenas da China, e terá contra a própria China, Japão, Bélgica e Azerbaijão a chance de mudar a impressão causada pela derrota para as dominicanas.

Único time a marcar os quinze pontos possíveis na primeira fase, os Estados Unidos chegaram ao mundial com o favoritismo da camisa, mas, sem a mesma confiança de outrora por não ter sequer classificado às finais do Grand Prix. Além disso, o treinador Karch Kiraly foi brincar de escalar as reservas na estreia contra o México, provavelmente esqueceu-se das lições básicas que estreia é estreia, e perdeu o primeiro set por 25-19. Passado o susto, nervos no lugar, as próprias jogadoras reservas deram conta do recado e viraram a partida para 3-1. Depois, as americanas tiveram alguma dificuldade para vencer a Holanda, ainda mais com a lesão da central Foluke Akinradewo (já recuperada), logo no início do jogo contra o Cazaquistão, a segunda partida do time americano.

O grande teste dos Estados Unidos foi o confronto contra a Rússia, na tarde de ontem. Uma grande partida na qual o time americano teve o domínio quase o tempo todo, em parte pelo seu melhor volume de jogo. Foi uma partida decidida na recepção de saque. A vitória americana por 3-1 foi nos detalhes e poderia ter sido diferente, os placares parciais mostram: 34-32, 25-19, 29-31, 26-24.

Na partida de ontem, entre Estados Unidos e Rússia, confirmou-se a atuação de uma das cinco principais jogadoras do campeonato até aqui: Tatiana Kosheleva. A russa, de 26 anos e 1m91 de altura, fez um estrago no time americano – 31 pontos. Ekaterina Gamova dá claros sinais de falta de ritmo, mas uma Gamova sem ritmo marca 20 pontos no jogo. O Problema da Rússia ainda é a recepção do saque e por isso o treinador Yuri Marichev tenha sentido ainda mais a desistência de Sokolova, que não é “aquela passadora”, mas ainda assim, melhora substancialmente a linha de recepção do time.

A chinesa Ting Zhu, a número 2 das duas ponteiras do time, é outro destaque do campeonato mundial. Pontuando sempre muito bem e assumindo a responsabilidade de virar as bolas na hora do pepino. Importante lembrar que a menina tem apenas 19 anos. Com 1m94 de altura, é a terceira maior pontuadora, segunda melhor atacante e melhor bloqueadora até aqui da competição.

A China passou por seus adversários com facilidade até enfrentar, ontem, o Japão e vencer por 3-2, em uma partida na qual o Japão soube sacar e explorar o que a treinadora Lang Ping tenta a todo custo corrigir: a recepção de saque. Para tanto, efetivou como titular uma oposta que nem é tão forte assim no jogo de rede, mas que melhora um pouco as coisas no fundo: a canhota Chunlei Zeng, que em algumas passagens participa da recepção, mesmo sendo oposta.

Vice-campeão do Grand Prix, o Japão começou o mundial decepcionando ao perder para o Azerbaijão por 3-2. Foi uma decepção, mas não chega a ser surpreendente. Todos sabem que as japonesas longe de sua torcida jogam menos. Talvez confiando demais, equivocadamente, em seu sistema “total”, o Híbrido-6, Masayoshi Manabe tem trocado de maneira constante a formação do time. Apesar de pensar que é a solução para o seu time, Manabe o empobrece ao deixar a levantadora bloqueando no meio, mesmo quando a canhota Miyu Nagaoka não está em quadra. Saori Kimura faz um mundial monstruoso até aqui. Carrega o time nas costas.

A Sérvia, duro adversário do Brasil ontem, tem em sua discreta, porém maravilhosa levantadora a principal arma. Maja Ognjenovic não é levantadora, como se dizia antigamente, de rebolar para levantar; é precisa, extremamente habilidosa e sabe fazer o jogo. Pena que seu time sempre tenha sofrido com a inconstância das atacantes e esteja contando, neste mundial, com a juventude de uma oposta de 17 anos: Tijana Boskovic, de uma central de 23 anos: Milena Rasic, e de uma ponteira de também 23 anos: Brankica Mihajlovic. A atacante mais experiente do time, Jovana Brakocevic, chega neste mundial totalmente fora de forma por ter ficado grande parte da temporada de fora, recuperando-se de lesão. Além dela, a Sérvia poderia ter no seu elenco a oposta titular no título europeu de 2011, Sanja Malagurski, que jogou no Molico/Nestlé na última temporada. Mas, Sanja lesionou o músculo abdominal faltando duas semanas para começar o Mundial na Itália.

Invicto na competição, sem apresentar ainda o voleibol que o fez bicampeão olímpico e deca campeão do Grand Prix, o Brasil apresenta Jaqueline Endres como o grande destaque do time até o momento. Escalada para compor o time, Jaqueline é surpreendentemente a melhor atacante do campeonato mundial com 52% de aproveitamento. É ótimo ver Jaqueline sendo a sustentação da equipe, mas ao mesmo tempo preocupante. Sinal de que, quem deveria atacar para valer (como as centrais, Fernanda Garay e Sheilla), não está atacando.

Individualmente, vejo cinco jogadoras como destaques: Jaqueline (Brasil), Maja Ognjenovic (Sérvia), Saori Kimura (Japão), Ting Zhu (China) e Tatiana Kosheleva (Rússia).

Coletivamente, ainda que os Estados Unidos tenham feito a melhor campanha e o Brasil não tenha sido perfeito, a história mostra que na reta final as coisas são diferentes.

A partir de agora, na segunda fase, os cruzamentos das chaves colocarão as coisas nos seus devidos lugares. É hora dos favoritos se apresentarem, é hora de a camisa pesar, é hora de, como dizíamos eu e um treinador com quem trabalhei na década de 80, a moçada mostrar quem tem o peito maior. E com todo o respeito, aí sou mais Brasil.

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Brasil não joga bem de novo, mas vence a Sérvia por 3-1

29 de setembro de 2014 3
Foto: FIVB

Foto: FIvb

O time feminino do Brasil não é do mesmo nível do time da Sérvia. Não. De forma alguma. Em condições normais de temperatura e pressão jamais o Brasil pode igualar o jogo contra a Sérvia. Não com as atuais formações.

Mas então por que o jogo contra Sérvia foi tão difícil?

Desde a fase final do Grand Prix, mesmo que o Brasil tenha conquistado o título, a seleção brasileira tem diminuído a qualidade do voleibol apresentado. Isso é visível. Encontrar os fatores corretos para tal ocorrência é que são elas.

Antes do Mundial, eu questionei a escolha do treinador José Roberto Guimarães em jogar o Grand Prix todo com o time titular, quando as outras equipes pouparam jogadoras ou não estavam completas e mostravam claramente ter um planejamento diferente do Brasil, ainda que o objetivo de vencer o Mundial fosse o mesmo.

A questão física, portanto, pode estar pesando. A única jogadora que está jogando com sobras no time, Jaqueline, é exatamente a única que não participou da temporada de clubes por estar voltando da gravidez e ter ficado sem time. As outras todas emendaram uma temporada na outra.

De forma alguma estou questionando o trabalho do competentíssimo preparador físico José Elias Proença. Questiono, sim, o lastro fisiológico de desgaste que as jogadoras trazem da temporada passada sem terem sido preservadas nesta.

Tecnicamente e taticamente, grande parte da responsabilidade de o Brasil estar suando mais do que deveria para vencer adversários de média qualidade está nas mãos de sua levantadora titular. Dani Lins é a melhor levantadora que o Brasil tem. É indiscutível. Merece estar ali. Mas, foi perdendo a acuidade de sua mão ao longo da temporada com a seleção a ponto de perder o entrosamento com as centrais. Dessa forma, o Brasil perde o que tinha de mais precioso há muito tempo: o jogo pelo meio com duas das melhores centrais do mundo. Que, sem estarem sendo devidamente acionadas, nem quando o passe sai na mão e recebendo as bolas, tornaram-se jogadoras comuns e marcáveis. A culpa não está nelas, pois a levantadora reserva Fabíola, quando entra em quadra, as aciona de forma mais eficaz.

As atacantes de extremidade têm sofrido pelos irregulares levantamentos de Dani Lins, pois, contra bloqueios altos como os da Sérvia, Turquia e Bulgária foram obrigadas e largarem muitas bolas – até de toque.

Outra jogadora de deveria estar melhor no momento é Sheilla. Ainda que não seja mais aquela jogadora de 30 pontos por jogo, como já foi, nem decisiva está sendo. Sua reserva, Tandara, não tem, como já escrevi, o olho de tigre para tomar a sua posição.

O Brasil venceu a Sérvia sem jogar muito diferente do que fez diante da Turquia. A Sérvia, quem sabe por afobar-se diante de enxergar a real possibilidade de vencer o Brasil, depois de vencer o 1º set por 26-24, e perceber o jogo na mão, começou a errar. Errou demais, errou 20 ataques, errou 13 saques, errou, errou…e deu chances ao Brasil errar menos e vencer.

O Brasil foi arrumando-se no jogo e venceu os sets seguintes por 25-21 e 25-19. No quarto set, o Brasil vencia facilmente por 18-12, tudo levava a crer que o set terminaria com facilidade, mas o time parou em quadra. A Sérvia buscou o jogo, empatou em 23-23 e o Brasil contou com ajuda do árbitro que não viu o ataque de Brankica Mihaylovic tocar na linha para dar o 24-23 para o Brasil que logo em seguida fechou o set e o jogo em 25-23.

Jaqueline, mais uma vez, foi o destaque brasileiro. Com 16 pontos (treze de ataque, dois de bloqueio e um de saque) é a comprovação de que as coisas estão erradas no Brasil. O time passou na mão, na partida de hoje, 66%, com Camila Brait passando 74% perfeitos.

Pela Sérvia, a oposta canhota Tijana Boskovic, de apenas 17 anos, foi a maior pontuadora do jogo com 24 pontos.

Em parte, concordo com o treinador brasileiro que ao final da partida declarou que valeu a vitória. Sim, valeu. Mas fica a preocupação com o futuro. Daqui para frente as coisas apertam no Mundial.

O Brasil passa para a segunda fase como primeiro de sua chave, mas chega ao Grupo F em segundo lugar com oito pontos. Os Estados Unidos chegam liderando com nove e a Rússia tem seis pontos. A tendência é que Brasil, Estados Unidos e Rússia abram vantagem pelo equilíbrio entre os outros adversários que devem roubar pontos uns dos outros, enquanto eles próprios mesmo que percam alguns, consigam pontuar mais em quatro jogos do que seus adversários.

O favoritismo do Brasil diminuiu? Não. Mas com toda certeza não é o melhor voleibol da seleção brasileira que estamos assistindo.

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