Dar a minha opinião sobre o trabalho de Bernardinho sempre é muito complexo.
A soma de medalhas que ele alcançou é algo assustador para quem pratica modalidades que dão apenas uma medalha por edição dos Jogos - são seis, uma como jogador, duas dirigindo o feminino e três com o masculino. Sem contar que disputou os Jogos de Moscou como jogador e em Seul como assistente de Bebeto. Portanto, desde 1980, só não esteve nos Jogos de Barcelona.
É uma marca incrível. Não fosse pelas conquistas de seu colega(?) treinador do feminino, estaria isolado no Olimpo do voleibol brasileiro.
Entretanto, sempre tenho escrito isso, nenhum trabalho está tão acima do bem e do mal que não mereça ponderações a respeito.
Tenho lido e ouvido muitas pessoas atacando Bernardinho, dizendo que ele foi paneleiro, esse tipo de coisas.
Apesar de ele estar num patamar como treinador que o permite fazer o que quiser a frente da Seleção, Bernardinho ficou refém de um grupo de jogadores mais velhos e daria muito pano para manga cortá-los em nome de dar lugar a outros pensando em forma física e desempenho.
Quando resolveu cortar Ricardinho, em 2007, foi aquele auê. Independente de estar certo ou errado.
Imaginem se, às vésperas de Londres tivesse decidido cortar Giba, Dante e Rodrigão e não levar Ricardinho?
Esses jogadores, principalmente os atacantes, se mostraram durante os Jogos estarem muito aquém da forma física mínima exigida para a disputa de um torneio dessa magnitude.
Sobre Ricardinho não dá para falar porque não vimos ele jogar. Uma inversão por jogo é pouco para avaliar a forma e o desempenho.
Apesar de Giba encerrar a carreira na Seleção, ao meu ver, de forma honrosa com a medalha de prata, a cena de ser substituído na final depois de uma atuação deprimente quando se esperava dele a mágica que sempre mostrou poderia ser apagada de nossas memórias.
Rodrigão, em todas as grandes conquistas do Brasil, à exceção do Mundial em 2002, nunca esteve em forma. Sempre esteve recuperando-se de contusão. Como confiar num jogador que sempre se contundiu?
E Dante, estava tão no limite físico que na hora em que mais se precisou dele, sucumbiu a uma lesão no joelho.
Por isso tudo, não acho que o banco de reservas tenha sido mal pensado. O que houve foi a decisão de Bernardinho em manter os jogadores mais velhos, mesmo sem estarem em forma.
Esse foi um erro? Será? Acerto não foi, mas não vejo que houvesse outra saída.
As grandes atuações diante da Rússia (na primeira fase), Alemanha, Itália, e até na final mostraram que o time evoluiu. Mérito do trabalho de toda equipe técnica comandada por Bernardinho.
O jogo contra a Argentina não dá para considerar. Os garotos dirigidos por Weber sentiram muito a responsabilidade.
Então, no geral, o segundo lugar foi uma grande conquista. Mesmo que o ouro tenha ficado tão perto.
Com a divulgação que o Bernardinho está apalavrado com a CBV para mais um ciclo, a esperança, agora, é que ele renove o time. Que aproveite o momento para seguir em frente. Caso contrário, aí sim, poderemos todos o chamar de paneleiro.
Sobre a pressão imposta a ele e o levantador Bruno pela consaguinidade, agora isso acaba. Pois, não vejo outro levantador ao menos próximo do titular da Seleção para chegar em 2016 em condições.
Então, é o que temos de melhor e por isso os argumentos dos críticos, eu me incluo aí, caem por terra.
Tomara que a partir de agora, Eder, Luccarelli, Maurício, Renan e outros tantos garotos talentosos tenham oportunidades.
Ainda vejo o Brasil muito bem no cenário Mundial. É renovar e deixar a garotada jogar bola.