Memórias do Voleibol Catarinense - Capítulo 4: Joguinhos Abertos de São Miguel do Oeste 1995
02 de setembro de 2012 2Quando aqui em Santa Catarina se inicia a disputa de mais uma edição dos Joguinhos Abertos minha memória vagueia pelos momentos vividos nessa que é, para mim, a competição mais charmosa de Santa Catarina.
Claro que em termos de importância não supera os Jogos Abertos. Mas, por tudo que é proporcionado pelos jovens que os disputam, os Joguinhos Abertos são muito bons de se participar.
Minha história nos Joguinhos começa na segunda edição, a primeira disputada por Blumenau em 1989, na cidade de Lages. Eu, então auxiliar-técnico de Marcello Bencardinho, pude fazer parte de uma história vencedora que começou com a conquista daquela edição, seguida depois por vitórias nas edições de 1990, 1991, 1992 e 1993. Até 1991 com a minha presença.
Disputei a edição de 1992 dirigindo Florianópolis. Depois disputei novamente em 1995, quando tornei a Blumenau para dirigir a equipe numa das competições mais difíceis de minha história como treinador.
Difícil porque, em primeiro lugar não tinha auxiliar-técnico, então todo o controle de uma equipe de meninas de 17 anos era feito por mim. Depois, fui acompanhado da mãe de uma das atletas o que se por um lado me ajudava, por outro atrapalhava.
A minha equipe, era formada por jogadoras formadas em Blumenau, acrescida de três formadas por mim em Florianópolis.
Na verdade, tecnicamente falando meu time era a terceira força. Atrás de Brusque dirigida por Carlos Henrique de Oliveira, o Henrique, hoje técnico de Blumenau que além das meninas formadas em Brusque tinha fortalecido a equipe com uma jogadora muito boa, de fora do estado, uma que havia sido formada por mim também em Florianópolis e outra de Tubarão.
O segundo time era o de Jaraguá do Sul, dirigido por Cézar Carneiro Oliveira, que tinha fortalecido sua equipe com a excepcional jogadora infanto-juvenil da época Eloisa Schlinckmann.
Minha tarefa era vencer Brusque na primeira fase para escapar na segunda do cruzamento com Jaraguá ou vencer Jaraguá na segunda fase e cruzar com a equipe da casa, São Miguel do Oeste - que apesar de ser um pouco abaixo, jogava incentivada por uma grande torcida.
Lembro que na última rodada da primeira fase, fiquei no ginásio analisando os possíveis adversários da segunda fase e uma chuva de granizo atrasou a rodada, que foi terminar lá pelas duas da madrugada. Quando cheguei ao alojamento, minha cama estava toda molhada, pois havia entrado água por tudo em função do temporal. Sem outra alternativa, tive que dormir sobre um cobertor no chão.
As coisas saíram exatamente como eu previa, mesmo tendo perdido para Brusque na primeira fase, uma atuação memorável contra Jaraguá do Sul provocou um cruzamento mais fácil na semifinal, e vencido o jogo contra o time da casa por 3x0 nos classificamos para enfrentarmos Brusque novamente na final.
Mas, naquela partida meu time não conseguiu sair do lugar. Entretanto, vivi ao mesmo tempo que a frustração da derrota na final, a certeza de que levei meu time a uma posição acima do que deveria.
O esporte é assim.
No próximo capítulo, a lembrança da conquista dos Joguinhos de Brusque em 1998.
