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Posts na categoria "Times Inesquecíveis"

Times Inesquecíveis - Capítulo 3: Itália 1990

18 de julho de 2012 3

No início dessas férias escolares estava assistindo com meu filho um canal novo infantil quando fui surpreendido por um desenho sobre voleibol, o Spike Team.

Acompanhei um pouco para saber do que se tratava, coisa que faço com tudo o que ele assiste na tv e não dei muita bola. No dia seguinte, quando ia começar um outro episódio fiquei ainda mais surpreso ao ler os créditos na abertura da série: foi criada e desenvolvida por ninguém menos que Andrea Luchetta, astro do time italiano campeão mundial em 1990. E isso fez com que eu antecipasse um post já imaginado sobre essa seleção.

Escalar aquele time apelando apenas pela memória é muito fácil: Paolo Toffoli, Andrea Zorzi, Andrea Lucchetta, Andrea Gardini, Lorenzo Bernardi e Lucca Cantagalli. E no banco ainda tinham Marco Bracci, Andrea Giani, Andrea Anastasi...quantos Andrea, não é mesmo?

O que esse time tinha de especial era sua regularidade - aquela Itália não errava. Na semifinal em 1990, contra um Brasil inspiradíssimo e um Maracanãzinho lotado, os italianos seguraram a onda e venceram por 3x2 o embrião do time campeão olímpico em Barcelona, na ocasião dirigido por Bebeto de Freitas.

Na final contra Cuba, outro jogo eletrizante, minha memória insiste em lembrar que o jogo foi  3x2. Mas a lembrança sucumbe à pesquisa que fui obrigado a fazer para corrigi-la. O jogo foi 3x1 para os italianos e no final praticamente apenas dois jogadores atacaram: Andrea Zorzi e Joel Despaigne. Foi sensacional. No fim, a Itália venceu e deu início a seu tricampeonato mundial.

Por que não conseguiram a medalha de ouro olímpica? Essa pergunta deve estar na cabeça de todos os componentes daquela geração italiana. Na minha opinião, apesar de terem um grande time, em Barcelona não chegaram tão bem e sucumbiram antes da semifinal. Em Atlanta fizeram um jogo espetacular contra a Holanda e qualquer um poderia ter vencido. E em Sydney já viviam um declínio.

Por detalhes não foi campeão olímpico, mas a Itália de 1990 ficará marcada para sempre como um dos maiores times da história e que deu origem a uma das mais longas hegemonias do nosso esporte.

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Times inesquecíveis - Capítulo 2: Peru 1988

22 de junho de 2012 0

A Olimpíada de Seul foi a primeira que assisti com olhar mais técnico e tático. Pois já trabalhava na comissão técnica de um time, apesar de ter apenas 18 anos.

Então, gravei os jogos e pacientemente fiz o desenho tático de cada um dos seis primeiros colocados. Com a formação de recepção, saídas para o ataque, formação defensiva, fazia anotações individuais e destaques técnicos.

É uma pena que não saiba onde coloquei aquele dossiê. Pode ter-se perdido em uma mudança. E seria legal tê-lo para fazer um post com alguma coisa além da minha memória. Por outro lado, o objetivo de fazer esse tipo de post é contar apenas com o que lembro sem fazer pesquisas -  pois, esses times são mesmo inesquecíveis.

Apesar do time campeão em Seul, a União Soviética,  ter apresentado boas soluções táticas, quem mais encantou naquela Olimpíada foi a seleção peruana dirigida pelo genial Man Bo Park.

Quando o coreano chegou ao Peru, encontrou uma geração de jogadoras não muito altas mas muito habilidosas, ágeis e potentes. Entretanto, lhe faltava a altura ou um algo a mais para que pudessem ir além do que a supremacia sulamericana da época.

E esse algo a mais aconteceu quando, em 1985, surgiu nas categorias de base uma menina de 1,95 de altura chamada Gabriela Pérez del Solar.

Como Man Bo Park não tinha outra jogadora mais alta para jogar no meio, na diagonal de Gabriela Pérez, resolveu colocá-la na diagonal da levantadora; e a sua levantadora, a espetacular Rosa Garcia, para bloquear no meio.

Rosa Garcia foi uma levantadora diferenciada, numa época de Jaqueline Silva, Debbie Green, Yang Xilan, Irina Kirilova e Kumi Nakada. Foi com Rosa Garcia que pela primeira vez vi aquela jogada na qual o levantador percebe que a bola vai passar para o outro lado e finge executar o levantamento deixando a bola passar fintando o bloqueio.

Mas Rosa não era o único destaque. Junto com ela, o treinador coreano tinha três atacantes de força: Cecília Tait (escolhida a melhor jogadora daquela Olimpíada), Cenaida Uribe e Gina Torrealva. Ainda completava esse timaço a ponteira Natália Málaga que jogava muito no fundo de quadra.

O grande azar desse time foi ter enfrentado na final o técnico soviético Nicolai Karpol.

Naquela final, lembro bem porque estava na faculdade e matei aula para assistir, o Peru começou muito bem, fez 2x0.  Só que, para nós brasileiros, a transmissão foi interrompida pela propaganda política. Quando a transmissão voltou a partida já estava no quarto set e as soviéticas dominavam o jogo.

Então, soube-se que o Peru teve a chance de fechar o jogo em 3x0, vencia a terceira parcial mas permitiu a virada.

Quando digo que o azar do Peru foi ter enfrentado Karpol, foi porque, apesar de eu não entender uma palavra de russo, dava para perceber que Karpol cobrava da levantadora Irina Kirilova uma mudança.

E depois, analisando a distribuição das bolas nos primeiros sets com o que acontecia, percebi o seguinte: nos primeiros sets, Irina jogou mais com Sidorenko e Smirnova pela ponta. Elas até rodaram bolas. Mas o Peru conseguia defender e fazer os contra-ataques. E Karpol berrava e berrava.

Depois, a partir do quarto set,  Irina acelerou mais o jogo, com bolas pelo meio para jogar em cima do block de Rosa Garcia.  E na rede de três peruana, fazer Gabi Pérez correr, principalmente com sua rede de duas, na qual Valentina Ogienko era o destaque atacando bolas de velocidade pelo meio atrás.

O quinto set foi sensacional. Lembro do Peru fazer 14x13 e ter várias chances para fechar o jogo. Várias mesmo. Até que depois de mais um contra-ataque peruano perdido as soviéticas rodaram e, se não me engano, com Irina Smirnova no saque viraram o jogo para 16x14 e tiraram o ouro do time de Cecília Tait.

Mesmo ficando apenas com a medalha de prata, o time peruano ficará eternizado como uma das equipes mais maravilhosas que apareceram e que não sairão da memória.

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Times Inesquecíveis - capítulo 1: Estados Unidos 1984

07 de junho de 2012 0

Comecei a jogar vôlei em março de 1982, exatamente seis meses antes do Brasil vencer a União Soviética pela primeira vez no mundialito realizado no Maracanãzinho.

E lembro bem daquelas cenas no Jornal Nacional nas quais apareciam Bernard dando o saque Jornada nas Estrelas e os soviéticos ridiculamente ajoelhados e humilhados por não conseguirem passar o inusitado saque.

Depois, lembro de conseguir assistir a trechos da final do mundial na Argentina, ainda em 82. Mas difícil mesmo era sintonizar a televisão - ficava rodando a bola da sintonia fina e mais via chuvisco do que imagem.

Ao conseguir assistir, a primeira coisa que vi foi Renan ir para o saque, jogar a bola para cima, saltar e dar com o saque no meio da rede. E pensei: mas o que ele está fazendo? Por que está sacando assim? Era a primeira vez que via um saque viagem.

Logo no ano seguinte, em 1983, tenho mais recordações do histórico jogo contra os soviéticos no Maracanã do que o ouro no Pan de Caracas. Naquela noite, no Maracanã, uma quadra foi armada em cima de um tablado no meio do gramado. Porém, como chovia, os jogadores tiveram a épica ideia de colocarem o tapete que dava acesso do vestiário até a quadra sobre o piso de madeira para não escorregarem.

Só que tudo isso, não foi maior do que o espanto e encanto que senti ao ver pela primeira vez a seleção americana titular jogar nos Jogos de Los Angeles em 84.

Escalo de cabeça, sem recorrer a nenhuma pesquisa, a equipe do técnico Doug Beal: o levantador era Dust Dvorak; o meio de rede Craig Buck de 2,07 (um assombro para a época); e os atacantes Steve Timmons, Pat Powers, Aldis Berzins e o espetacular Karch Kiraly.

Eu com 14 anos ainda não tinha conhecimento para entender tudo que acontecia taticamente naquele time. Mas dava para perceber que tecnicamente eram perfeitos e funcionavam como um relógio. Quando perderam na primeira fase para o Brasil, percebia-se que não tinham jogado tudo.

Na final, ao mesmo tempo que veio a frustração e tristeza por assistir aos meus ídolos tomarem aquele vareio, também veio o reconhecimento do quão fantásticos eram os americanos.

Timmons, Powers e Kiraly eram os principais atacantes. E Buck dava medo só pelo tamanho. Kiraly e Berzins eram os responsáveis pela recepção, além de Timmons quando necessário.

O bloqueio de saque, que ainda era permitido, ajudava a cobrir certas posições da quadra e diminuir os espaços para os passadores, então, era incrível ver Berzins passando. Durante algum tempo, tentei espelhar-me nele.

Uma recordação que tenho é de uma foto de Kiraly atacando e os pés quase na altura da fita de baixo da rede. Basta fazer as contas para saber que saltava mais de um metro do chão.

Um pouco antes dos Jogos lembro de ter comentado com meu treinador sobre o Brasil ganhar o ouro e ele me disse que o Brasil não venceria; que os americanos não perderiam em casa e tinham acabado de vencer os soviéticos quatro vezes lá na Rússia.

Na hora eu o contestei, claro, era mais torcedor do que conhecedor. Mas ele estava certo. Os americanos não perderam em casa e encantaram o mundo pelo restante daquela década com um jogo beirando a perfeição.

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