
Foto: divulgação Super Imperatriz
Para fechar o primeiro turno da Superliga masculina, aconteceu ontem em Florianópolis o jogo entre o time do Super Imperatriz e o líder da competição o RJX, do Rio de Janeiro.
O que se esperava era uma vitória fácil do time carioca, apesar de vir de uma surpreendente derrota por 3x0 para o Móveis Kappesberg/Canoas.
Entretanto, não foi o que se viu.
Ainda sem contar com seu líbero titular, Mário Jr, Marcelo Fronckwiak teve o restante de seu grupo à disposição. Mesmo assim, o RJX sofreu e muito para conquistar os dois pontos que lhe deram o título simbólico do turno.
Mesmo com o Saque do Super Imperatriz não sendo agressivo ou não incomodando a recepção do time carioca, que teve 79% dos passes executados na mão de Bruno, ainda assim o ataque não foi tão produtivo pois teve um aproveitamento de 46%.
Ou seja, o sistema ofensivo do RJX está fraco. Culpa de quem?
Bem, há muito venho escrevendo sobre as qualidades do levantador Bruno. A explicação para que Lucão seja o melhor atacante da equipe carioca e que o central esteja a frente do oposto titular Theo na tábua de maiores pontuadores da competição está além da competência dos atacantes. Está tembém na notória maior habilidade do levantador titular da Seleção em jogar com bolas curtas e de velocidade. Nisso ele é mestre. Porém, sempre escrevi que nas bolas longas sua qualidade cai e o rendimento dos atacantes fica comprometido.
Por outro lado, para mim fica evidente a falta de condicionamento físico de Theo que no começo da partida tem um vigor e conforme o jogo vai desenrolando-se vai perdendo força e via de regra acaba sendo substituído por Paulo Victor.
Juntando peças, lembro-me que Marlon, em sua entrevista para o Blog deixou no ar uma falta de comprometimento do grupo de jogadores do RJX na temporada passada. Será que o mesmo comportamento ainda se repete?
Outra coisa que me incomoda por demais é o comportamento dos jogadores durante os tempos. Pelo que percebi, a forma insolente como o grupo recebia as informações no ano passado, do técnico Marcos Miranda, continua a mesma com Marcelo Fronckowiak, ainda que a forma de trabalhar dos dois treinadores seja distinta.
Eu compreendo que o treinador deva moldar-se um pouco conforme a característica do grupo. Mas, não consigo entender e nem aceitar que um técnico tenha que ficar aos berros chamando determinado jogador para ouvir instruções. Parece-me que alguns mais experientes estão considerando-se acima da hierarquia.
Já contei isso, em minha passagem pela Superliga Masculina, tive a oportunidade de fazer um curso de treinadores com Fronckowiak hoje no RJX, que na época era auxiliar da Ulbra e eu da Unisul. E por isso, na época tivemos algum contato e acabei por observar as boas qualidades de Fronckowiak. Assim, estou estanhando a forma dele agir perante os seus comandados.
Essa forma negligente de agir dos jogadores mais experientes, acaba por contaminar os mais jovens e finda por nortear as atuações do time carioca. Quem sabe seja essa a explicação para os quatro pontos perdidos aqui no sul e a consequente aproximação dos demais na tabela de classificação, apesar da manutenção do primeiro lugar.
Por outro lado, a capacidade técnica dos jogadores acaba por ser o diferencial em momentos cruciais da partida. Como no quinto set, ontem, quando o Super Imperatriz conseguiu a duras penas empatar o set em 11x11 e Dante fez um passe espetacular para Bruno jogar em velocidade e no ponto seguinte um bloqueio para matar de vez as esperanças do time catarinense que morreu nos 11 pontos.
Do lado do Super Imperatriz, preciso tecer alguns elogios ao treinador Douglas Chiarotti.
Ao perceber que alguns jogadores seus mais experientes não estavam rendendo, resolveu lançar mão dos mais jovens e se viu recompensado pela ousadia.
O oposto Rafael de 2,07 e 21 anos deu na bola, complicou a marcação de bloqueio do RJX e saiu de quadra com 24 pontos marcados.
Outro destaque do time catarinense foi o ponteiro Léo. Porém, o único dos mais experientes a continuar como titular, ontem, o central Renato Felizardo foi muito importante para o rendimento do time. Mesmo sem aparecer muito, Felizardo com seu jeito tranquilo ajudou também para que a garotada, principalmente o levantador Felipe Quaresma pudesse distribuir bem o jogo e assim levar o time catarinense a conquistar um ponto contra o líder e recuperar um pouco do terreno perdido com a derrota para a UFJF.
Ainda sobre Douglas Chiarotti, gostei muito do seu desempenho durante os tempos dando instruções e falando com o time, bem melhor do que na temporada passada quando parecia assustado e perdido. Normal para quem havia sido apenas auxiliar desde o encerramento de sua carreira de jogador.
O returno começará na quarta-feira com o importante confronto entre Sesi e Medley na Vila Leopoldina. Jogo importante para ambos, principalmente para o time de Campinas que se vencer pode recuperar a quarta posição já que o time de Canoas enfrentará o Sada na quinta-feira. Será uma rodada de muitas emoções.