Na edição desta quarta-feira do AN, 1º de agosto, assino uma matéria para a editoria de Política sobre o estilo dos candidatos a Prefeito de Joinville. Entre as entrevistadas, está a consultora de imagem Milla Mathias, que escreveu junto com a jornalistas Luci Molina e Sergio Kobayashi o livro "Guia de estilo para candidatos ao poder - e para quem já chegou lá (Editora Senac São Paulo).
Como a conversa com a Milla foi muito legal, acabei fazendo algumas perguntas que têm a ver aqui com o blog. Veja o resultado do bate-papo:

A consultora de imagem Milla Mathias, uma das autoras do livro "Guia de estilo para candidatos ao poder - e para quem já chegou lá" (Foto: Divulgação Ed. Senac SP)
Larissa - Milla, porque o azul-claro, naquele tom mais conhecido como "azul-calcinha" é tão usado no meio político?
Milla Mathias - O azul é uma cor que transmite tranquilidade. E, se o azul é num tom claro, ele passa mais tranquilidade ainda. E também mostra que a pessoa é acessível, próxima do eleitor. A intenção é sempre fazer com que o cidadão comum se identifique com o político. Além disso, a camisa azul passa a imagem de que o político é calmo, acessível, confiável.
Larissa - Para não ficar só no azul-claro, existem outros tons que podem dar essa impressão de tranquilidade, de proximidade com o eleitor?
Milla - Na verdade, alguns tons de cinza também podem ser usados, variando de cinza claro ao cinza médio. Aliás, seria até mais adequado do que o azul-claro. Outra opção é usar o azul marinho, que também é uma cor muito boa para passar essa mensagem.
Larissa - Um senador aqui de Santa Catarina tem usado com frequência gravatas com motivos infantis, bichinhos, grafismos mais engraçadinhos. Você recomenda o uso desse tipo de peça como uma forma de o político ousar no visual?
Milla - De jeito nenhum! Isso na verdade deveria ser totalmente proibido em qualquer ambiente, seja no poder público quanto em empresas. A pessoa que usa esse tipo de gravata deve estar querendo fazer uma brincadeira. Ou ele está querendo ser infantil, o que jamais deve ser uma característica do político.
Larissa - Entre as mulheres, vemos que as pérolas são praticamente coringas entre os assessórios. Existem outras alternativas que ainda demonstrem sobriedade, sem necessariamente recorrer a este clássico?
Milla - O que acontece com a pérola é que a mulher acha que vai ficar clássica, mas se ela não tiver essa personalidade, esse estilo, vai parecer uma coisa forçada. O uso das pérolas depende muito da personalidade. Se a mulher for mais despojada, mais moderna, a pérola pode não ficar legal. Existem outros assessórios legais, que dão essa impressão de refinamento, seja um brinco de ouro pequeno ou uma bijuteria mais elaborada.
Larissa - Existe uma peça que você considera infalível para o político?
Milla - No vestuário masculino, eu diria que o blazer azul-marinho é a peça-chave. Mas o que acontece é o seguinte: ser for um candidato mais simples, mais despojado, o blazer pode ficar fora de contexto. A roupa funciona como uma segunda pele da pessoa, e com a roupa ela passa uma certa mensagem. Se a roupa não corresponder exatamente à imagem daquela pessoa, a imagem fica artificial e ela não consegue passar mensagem nenhuma. Não adianta você colocar um cara que tenha uma personalidade mais arrojada, com um terno e gravata, por exemplo. A mesma coisa é fazer um político super conservador usar camiseta, ou um tênis mais esportivo para ir fazer campanha. O eleitor pode não perceber conscientemente. Mas, no seu inconsciente, fica a impressão de que alguma coisa está errada.
Larissa - Existe algum ícone de estilo na política hoje?
Milla - Entre os políticos brasileiros, eu gosto muito do estilo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Ele sempre está muito bem vestido, tem um estilo clássico, é um cara mais conservador. Sempre aparece em público de terno e gravata, e, quando está mais informal, no máximo ele usa uma camisa polo. Nunca vi ele de calça jeans. Entre as mulheres brasileiras, eu não colocaria ninguém como um ícone. As mulheres se atrapalham muito na hora de se vestir. Fora do Brasil, eu diria que a Michelle Obama e a Kate Middleton são bons exemplos de elegância.