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Perfil de Cesar Otacílio Gomes

27 de fevereiro de 2016 0
Cesar Otacílio foto Gilmar de Souza

Cesar Otacílio foto Gilmar de Souza

 

Cresci admirando as obras dele na casa dos meus pais, nas exposições, galerias e murais da cidade, como a famosa pintura Costureiras, na esquina da Rua 2 de Setembro, entre tantas que marcaram sua carreira.

Os maiores talentos de Cesar Otacílio Gomes sempre foram desenhar, escrever e jogar futebol – até romper o tendão de aquiles. Arrumar encrencas defendendo ideias, muitas vezes abstratas e utópicas, faz e fez parte de sua trajetória. Palavras dele.

Na adolescência, entre algumas tentativas de começar uma carreira profissional, criou uma série de personagens infantis com o objetivo de lançar uma revista em quadrinhos. Mas tudo mudou em 1980, quando descobriu que queria mesmo era ser pintor. Não sonhou mais com outra profissão. Começou a pintar seriamente e a participar de exposições, que marcaram época na cidade e no Estado, e a elas se dedica até hoje.

Cesar também gosta muito de escrever e começou pra valer nos anos 1980 com manifestos e artigos publicados na coluna do leitor do Jornal de Santa Catarina. Hoje tem um livro digital publicado direcionado ao ensino médio: Natureza Desenhista: Valorização e Atividades para o Desenhista Infantojuvenil, obra que ainda deseja publicar graficamente.

Ele foi lançado durante uma exposição no Teatro Carlos Gomes em setembro de 2015. A obra foi indicada pela Secretaria de Educação para ser distribuída nas escolas públicas de Santa Catarina.

Seus quadros são marcantes e imponentes. Para mim é uma honra publicar esta entrevista, com um artista tão importante para a nossa Blumenau.
Hobby: andar assobiando em meio ao mato.

Música: qualquer uma de Michael Hedges.

Mania: acordar todos os dias entre as 3h e as 5h da manhã.

Filme: Os Amores de Picasso, de James Ivory.

Luxo: andar de moto num dia frio na Serra do Rio do Rastro.

Não vive sem: lápis de desenhar, tintas, telas, livros, jornais e revistas.

Sonho: possuir um ateliê com diversas possibilidades produtivas, como confecção de telas, área de pintura, impressão de gravuras, vitrificação de azulejos, galeria de obras e com espaço para promoção e lançamentos de livros.

Caos: o egoísmo das pessoas e o trânsito das cidades.

Comida preferida: peixe assado, legumes e uma garrafa de vinho.

Cidade em que moraria: qualquer uma que prestigiasse meu trabalho.

Qual técnica usa nos seus quadros: bico de pena, aquarela, guache, óleo, acrílico e vitrificação de azulejos com pigmentos à base de sílica.

Qual obra sua que mais gosta: gosto de todas, pois não termino as que não estão me agradando. Tenho obras inacabadas há 35 anos. Se não precisasse, não venderia nenhuma obra. Mas, daquelas mais marcantes, não posso deixar de falar da séries Dançarinas (1982), Soldados (1983), Tomadores de Sopa (1988) e Cascas (2015).

Para quem sonha pintar um quadro: para a minha professora do primário lá do Corruchel (localidade de Pouso Redondo, onde nasci), a irmã Emília Anastácia, morta recentemente. A primeira pessoa que me chamou de artista. Me enche de saudades lembrar da sua frase em sala de aula depois de apreciar meus desenhos do dia do soldado. Olhando para mim, disse: “turma, nesta sala temos um artista, alguém especial”, todos os coleguinhas olharam-me admirados, empurrando-me para a carreira que tenho hoje.

Museu preferido: Masp, de São Paulo, onde em 1983 ganhei o Prêmio Pirelli de Pintura Jovem, único artista nascido em Santa Catarina a ganhar este prêmio nacional representando o Estado.

Pintor que inspira: poderia citar diversos, desde catarinenses e brasileiros a artistas europeus e asiáticos. Mas, especialmente, gosto muito dos pintores holandeses, para mim, estão entre os maiores mestres inspiradores da pintura universal de todos os tempos. Rembrandt é um dos que mais me emociona.

Exposição que marcou sua carreira: a primeira individual de pinturas em 1983. Promovida por Lindolf Bell, Galeria Açu Açu, Teatro Carlos Gomes, em Blumenau.

Se não fosse artista seria…Cozinheiro.

Conselho: acreditar sempre em si.

Frase: O artista é extensão da pulsação das cidades e das pessoas do seu convívio.

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