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Segredos de uma visionária

25 de agosto de 2008 0

Adriana Franciosi

DO CADERNO DONNA DESTE DOMINGO (24/8)

Angela Hirata é a cabeça que transformou as Havaianas em chinelo de sucesso no mundo inteiro.

Ela ficou conhecida como a mulher que promoveu um chinelo de borracha a objeto de desejo fashion. Angela Hirata é consultora de empresas e seu cartão de apresentação é o case das Havaianas. De um chinelo de dedo produzido em cinco modelos, cuja participação no mercado internacional representava apenas 1,5% das vendas, Angela transformou o calçado em sucesso. Coordenou a internacionalização da marca e as vendas pelo mundo alcançaram 10% nas lojas e butiques de Paris, Nova York, Tóquio. Hoje são mais de 50 modelos. Existe o chinelo baratinho, de modelo simples. Mas existe também o carésimo, feito em ouro, que custa R$ 50 mil.

— Fui bem sucedida por gostar muito do Brasil. Consegui que um produto brasileiro tivesse respeitabilidade lá fora como marca, não mais um commodity. Vi um nicho de mercado.

Angela Hirata continua prestando consultoria para a São Paulo Alpargatas, responsável pela marca, e também trabalha com clientes como Basf e Tramontina.

Em Novo Hamburgo, a convite do evento Fórum de Inspirações, ela conversou com Estilo Próprio sobre os caminhos que levam uma marca nacional a vencer no mundo e como desenvolve sua atividade. Afinal, ela é considerada uma especialista em “ler mercados”.

Estilo Próprio — Sua formação é em Administração de Empresas, mas com seus clientes a senhora opina em estilos e modelos dos produtos?

Angela Hirata — Não sou estilista, não sou designer, mas tenho boa percepção de saber o que o mercado necessita. Conhecendo-o, você tem condições de transformar o produto rapidamente para ser vendido. As pessoas, hoje em dia, têm muita pressa na busca.

EP — A imagem do Brasil lá fora, em pleno 2008, ainda é a de um país exótico. Temos como tirar proveito disso?

Angela — A maior ferramenta de marketing do Brasil, hoje, é a Amazônia. Estamos falando de uma reserva de floresta que abastece 25% de oxigênio do Planeta. Reciclar os produtos, para que as indústrias sejam ambientais, é um excelente posicionamento.

EP — Vive-se um boom de agências de tendência que identificam o que o consumidor deseja. Como se diferenciar, se empresas no Brasil seguem as mesmas orientações de empresas no Japão, por exemplo?

Angela — Tendência é uma coisa internacional. Mas acho que tendência está dentro da gente. Nós, brasileiros, tempos uma coisa muito forte que é o conceito de criatividade. Um bureau da França pode lançar uma tendência de cores, mas nós brasileiros sabemos fazer muito bem a cor brasileira e a forma de vestir. Tendência é muito subjetiva. Não costumo ficar muito presa a ela, porque depende de cada pessoa.

EP — Em que momento você soube que seu projeto das Havaianas tinha dado certo?

Angela — Quando consegui colocar nos melhores pontos de venda do mundo e quando consegui calçar as celebridades, como a rainha da Suécia, a princesa da Inglaterra e a presidente das Filipinas. Criamos o desejo de consumo. Mas é preciso respeitar muito a cultura do país em que se quer entrar. Por isso, procurei parceiros que funcionam como uma extensão da marca em determinado país.

EP — Ligar uma marca à imagem de uma celebridade ainda vende?

Angela — Sim. É inevitável o aspecto aspiracional. As pessoas querem sempre ser um pouco mais.

EP — Como você desenvolve essa leitura de mercado?

Angela — Sem uma equipe, não sou ninguém. Tenho uma boa gestão de pessoas e tenho uma equipe jovem, ágil, que erra muito.

EP — Erra muito? Isso é bom?

Angela — Errar não significa ter problema. É errando que se aprende. Se você não erra, não cresce. Errar é uma alavanca para o crescimento.

EP — Como busca informações?

Angela — Gosto de ler, mas gosto mais de sentir.

EP — Como, então, você “sente” o mercado?

Angela — Estou aqui e mais ou menos sei a personalidade de vocês pelo modo que estão vestidas. É necessário você ver as pessoas, senti-las. Não precisa ir à França para ver tendências. Vai à Rua 25 de Março, em São Paulo. As pessoas de menos recursos não copiam pessoas do mesmo nível delas. Se a tendência for rosa, você pode ver: o mercado high (classe alta) e o menos privilegiado estarão vestindo o mesmo rosa.

EP — Quando você viaja, o que procura o observar?

Angela — Caminho, observo vitrinas. Olho até a freqüência de um restaurante. A economia está muito ligada ao consumo. A Itália, por exemplo, está passando por uma recessão. É preciso estar atento ao que possa ser consumindo melhor por lá. É preciso direcionar um produto que atenda à necessidade daquele momento. Por isso, é preciso a parceria local.

EP — Comenta-se que a roupa feita pelas grifes nacionais é vendida a preços altos porque as marcas têm medo da vulgarização dos seus produtos. Existe uma solução para atender a diferentes bolsos?

Angela — É preciso montar um produto que é como um caviar e manter, também, o que é arroz e feijão. Foi o que fiz com as Havaianas. Não precisa vender massivamente, mas tem que diferenciar. A Louis Vuitton faz bolsas de US$ 2 mil, mas muita gente compra a de US$ 200. Se você for ver, não tem tanta diferença entre elas, às vezes é só um detalhe em um metal. Não precisa depreciar o produto, mas é preciso chamar a atenção para ele.

Postado por Fernanda

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