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Uma reforma na vida de Vera

23 de agosto de 2008 0

Ricardo Chaves

DA ZERO HORA DE DOMINGO (24/8)

Encerra-se hoje a série de reportagens sobre o lado menos público dos candidatos à prefeitura de Porto Alegre. Neste espaço, Estilo Próprio não apresenta as plataformas políticas dos candidatos, mas um pouco do jeito de ser deles. Para isso, a coluna fez uma visita à casa dos oito concorrentes. A publicação das reportagens segue o critério de ordem alfabética.

Vera Guasso (PSTU) está às voltas com a campanha à prefeitura de Porto Alegre e com o fim das reformas em seu apartamento.

É sua segunda candidatura a prefeita — também concorreu a vereadora, senadora e deputada estadual.

É a primeira reforma. Um sonho antigo, no qual vem investindo há pelo menos dois anos.

Vera, 45 anos, mora em um apartamento na Cidade Baixa. Quando quitou o imóvel, guardou dinheiro para as mudanças. Transformou o apartamento de três quartos em dois, pintou e derrubou paredes. Deu um ar de loft ao local, com duas salas e cozinha formando uma peça única, integrada:

— Uma amiga minha está me ajudando. Agora estou na fase das compras dos móveis.

A parede principal da sala foi pintada em tom goiaba. Os objetos de decoração são, em sua maioria, recordações de viagens. É isso que ela gostaria de fazer se tivesse mais condições financeiras. Sindicalista e funcionária pública, atualmente licenciada para se dedicar à campanha, Vera sonha em viajar.

Pôde fazer turismo graças às edições do Fórum Social Mundial em Porto Alegre. No encerramento do evento, partia de carona com as comitivas que retornavam. Saía sem roteiro certo. Ia decidindo pelo caminho as paradas que lhe interessavam.

— Fiz duas viagens ao Nordeste de ônibus. Duas viagens maravilhosas. Quando tu viaja assim, conhece a região, a alimentação. Fui a Minas, Bahia, fui até Fortaleza, também.

As andanças em tempos de real valorizado em relação às moedas vizinhas se espraiaram para Uruguai e Argentina.

— Foi muito legal, conheci outras terras, experiências de vida.

Ela ainda planeja visitar a Europa, palco, lembra ela, de grandes lutas sociais. Em especial, a França, pela experiência do socialismo, e a Itália, pelas raízes da sua família.

Vera Guasso nasceu em Ernesto Alves, no interior de Santiago. Vem de uma família de pequenos agricultores. São 11 irmãos. Chegou a trabalhar na roça, plantando milho, soja e trigo.

Na vinda para Porto Alegre, em 1976, o pai da candidata, já falecido, comprou uma lanchonete na Riachuelo.

— Ele era um microempresário.

Assim como na plantação, todos da família ajudavam no negócio. Vera era a responsável pelo atendimento no balcão e pelo caixa.

Sobre viagens, sobre política e sobre a filha única, Natália, que é publicitária, a candidata, estudante de Pedagogia da Universidade Estadual, fala com desenvoltura. Só não gosta de dar muitos detalhes sobre sua vida amorosa.

Foi casada 16 anos. Está divorciada há seis. Hoje, tem namorado. Ele é “trabalhador”. Mais não revela.

— Você não gosta de comentar assuntos muito pessoais?

— Acho que pode ser interessante que os eleitores saibam alguma coisa da minha vida pessoal. Mas o centro é o que a gente pensa. Tem coisas que são muito pessoais que, provavelmente, não vão interceder e que não vão ajudar nem piorar o que penso, o que vou fazer.

Além de Vera, moram no apartamento três gatos: Feijão, Anita, em homenagem à Anita Garibaldi, e Tolstói, ao escritor. São eles, diz, as estrelas da casa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rebelde de brincos e quase vegetariana

Vera Guasso não se considera uma pessoa vaidosa. Se define como “clássica”, não gosta de acompanhar a moda. No dia da entrevista, chegou com um blazer vinho de veludo e calça jeans. Acabara de participar de um debate com os demais candidatos. Para receber a coluna, trocou a peça por um agasalho azul claro. Seu lado consumista, conta, é despertado quando está estressada. Não acontece muitas vezes, mas resolve o cansaço comprando sapatos, seu acessório preferido. Opta sempre por modelos confortáveis, alguns de cano alto, e não os de salto.

— Não vou a shopping, não gosto desta coisa da cidade de compras. Vou às lojas da Azenha.

A candidata conta que o que move sua candidatura, sua vontade de mudança, é a rebeldia.

— Me sinto uma pessoa rebelde, a velha rebeldia da juventude com certeza, a rebeldia de 68, está em mim.

Na manhã da entrevista, usava uma argola em uma orelha e um brinco pequeno na outra. Modismo?

— É o meu lado rebelde — justificou.

A receita para a forma esguia, ela credita à herança genética.

— Tem uma vantagem na minha família, depois dos 30 as mulheres emagrecem.

— Nossa, que maravilha. Explique isso, por favor.

Ela explica com o óbvio: caminhadas na Redenção. É também um dos programas preferidos do fim de semana. Vera Guasso cuida da alimentação, evita refrigerante e prefere os sucos à base de soja. Está tentando se tornar vegetariana.

— Me descobri uma defensora dos animais.

— Vera, você é faca na bota, diz o que pensa. Sua família lhe apóia?

— É uma relação de respeito. Mas nem todos defendem o mesmo projeto de sociedade que eu.  

 

A escultura foi comprada em uma recente viagem à Bolívia. Na mesma oportunidade, ela conheceu o Chile. Segundo a candidata, uma boa opção de viagem devido às opções culturais e o preço acessível

A candidata gosta de comprar sapatos. Esta botinha vermelha, de cano alto, foi uma das últimas aquisições. Outra compra foi um MP3 player para ouvir músicas no carro

A duas esculturas da mesa, na entrada do apartamento, Vera comprou no Brique da Redenção

Os DVDs de David Lynch são da filha da candidata, Natália. Mas Vera conta também gostar do diretor. Seu filme preferido de Lynch é “Veludo Azul”

“Eu estava lendo Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século. Tem contistas de todo o país que são maravilhosos. Leio vários livros ao mesmo tempo”, conta Vera Guasso. A candidata gosta também de Clarice Lispector

Postado por Fernanda

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