DO CADERNO DONNA DESTE DOMINGO (28/9)
A reportagem sobre esta coluna, visitando a casa do Bhuda Khe Rhi, estará no programa desta semana.
Quatro amigos gaúchos, jovens até mesmo para empresários da moda em início de carreira, criaram depois de uma viagem à Tailândia uma marca de rou pa. O nome e, principalmente, a grafia e o logotipo entregam logo o estilo da turma. Budha Khe Rhi, assim mesmo, com todos esses hs espalhados, apresenta a irreverência criativa deles.
O Budha (intimidade é parte do conceito da marca) nasceu há pouco mais de quatro anos, de uma oportunidade singela (explico a seguir) e já faturou o sonho de toda peça de roupa que quer subir na vida até alcançar o posto de grife.
As celebridades vestem Budha.
Edgar Piccoli, apresentador do Circo do Edgar, José Mayer, na novela A Favorita, e Serginho Groisman usam as peças. Estão nessa também Rodrigo Hilbert, parte do elenco da Malhação, o pessoal da MTV e por aí a lista segue.
— A gente queria vestir umas pessoas legais. Fizemos um primeiro contato, na cara dura. O primeiro famoso foi o Fred (do programa Happy Hour, do GNT) e a partir daí um foi chamando o outro — conta Cassio Zamel, um dos donos do Budha.
A turma de Cassio completa-se com Claudio Stein, Marcelo Schmidt e Guilherme Dias, nos seus 24 e 25 anos.
Todos estudaram juntos no Colégio Israelita, em Porto Alegre, e nunca, nem nos desejos mais remotos, imaginaram-se estilistas — muito menos empresários da moda. Hoje são criadores e administradores com um braço na Europa. O Budha Khe Rhi vende em sete Estados e também em Barcelona.
Foi a partir de uma temporada de dois meses na Tailândia que os negócios começaram despretensiosamente. Dois dos amigos, na viagem, olharam um modelo de calça, compraram e copiaram.
Produziram apenas duas peças. Duas que foram compradas justamente pelos dois amigos que viriam a se tornar sócios, completando o quarteto.
— A gente viu que tinha uma oportunidade de negócio. Todo mundo elogiava e pedia as calças — lembra Marcelo.
Para financiar uma temporada em Morro de São Paulo, os quatro amigos tornaram-se sócios. Fizeram os cálculos e chegaram ao número: a venda de 300 calças bancava os quatro meses na Bahia.
Quatro anos depois, o que começou para bancar a vontade que tinham de viajar e curtir roteiros paradisíacos virou o ganha-pão.
— Ganhar dinheiro ainda não dá, mas pagamos as contas — despista Cassio.
A turma do Budha não tem formação em moda — dois são administradores, um advogado e um publicitário. Como toda marca deste século, a dos jovens gaúchos embala suas coleções em um jeito de encarar a vida, uma série de opções como o esporte que se pratica, a música que se ouve, o filme que se assiste. É isto que a indústria batizou de lifestyle. Quem vive assim, como eles, encara a vida como eles, quer vestir o que o Bhuda Khe Rhi cria. Segundo eles.
— Budha é um estilo de vida. É o cara que é relaxado, que gosta de praia, que gosta de viajar e gosta de se divertir ... — diz Marcelo, sem esquecer da estratégia comercial. — Em 2014 queremos ser um grupo empresarial de destaque nacional e internacional.
A inspiração vem de outro gaúcho bem-sucedido, Oskar Metsavaht, o criador da Osklen, e que começou os negócios de maneira bem similar, transformado as primeiras jaquetas esportivas que costurou para esquiar em um dos cases de maior sucesso de moda no país.
— Não sabíamos se ia dar certo, mas hoje produzimos mil peças por mês.
O Bhuda Khe Rhi tem sede de dois andares e jardim. O casarão na Avenida Protásio Alves é o QG da marca e também um espaço multifuncional. Decorado com as pinturas de Cassio, abriga a parte administrativa, com área para festas, exposições (foi sede da Bienal B) e apresentações de artista.
Se existe loja conceito no mundo fashion, o Bhuda montou sua sede conceito. Pensando como grife grande, eles investem no marketing com as celebridades e também em ferramentas alternativas. Quem viu umas plaquinhas de sinalização de madeira espalhadas por Porto Alegre com a frase “Free Tibet” (Liberte o Tibete) agora já conhece seus autores.
Postado por Fernanda