O final de semana foi eleitoral para definir os vencedores e perdedores das eleições municipais. Mas em São Paulo, além da eleição de Kassab, o fim-de-semana foi cultural. Mais especificamente das artes plásticas.
Foi aberta oficialmente, sem a presença esperada de Lula, a 28º Bienal de São Paulo, mega exposição de arte contemporânea, que está entre as mais importantes do mundo.
A Bienal foi aberta com polêmica. Apesar de ela ter um tema, Em Vivo Contato, o evento ganhou um apelido, que grudou: Bienal do Vazio.
Em resposta aos cortes de orçamento, à crise da fundação responsável pela montagem da mostra e até uma crítica ao formato das bienais, o curador resolveu não ocupar parte do espaço que tinha para a exposição. Assim, o prédio da Bienal, no Parque Ibirapuera, tem o primeiro e o terceiro andar com obras. O segundo piso está totalmente vazio. Há quem veja como oportunista a escolha do curador Ivo Mesquita. Será que a não ocupação, o vazio, já não é um trabalho em si?
Eu, que estive na inauguração na noite de sábado, quero dar o depoimento que o vazio é interessante. Grandes mostras saturam os visitantes. Esta Bienal é mais leve. Participam 42 artistas contra 120 da edição anterior. Pode-se discutir as escolhas dos trabalhos. Mas o vazio, sinceramente, manda bem.

As "curvas" do prédio de Niemeyer
Até porque, em que outra oportunidade o público teria para aproveitar e observar a arquitetura de Oscar Niemeyer? De uma das rampas do prédio a gente vê curvas e formas criadas por Niemeyer e que, até hoje, inspiram arquitetos. Será que Zaha Hadid, a mais badalada do mundo, não deu uma olhada por lá?
Quanto à arte, se você for visitar a Bienal de São Paulo até seis de dezembro, procure as obras da francesa Sophie Calle, da sérvia Marina Abramovic e do paulista Iran do Espírito Santo.

Obra da sérvia Marina Abramovic
Postado por Fernanda