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Posts do dia 17 novembro 2008

Tá na bolsa

17 de novembro de 2008 5

A publicitária Anamaria Légori já embarcou para a Itália, onde vai morar e estudar (moda e comunicação) por um tempo. Mas ela deixou por aqui parte de suas recentes criações.

Anamaria é a estilista da Legori Bolsas, estas peças das fotos. Este post traz a novidade das bolsas, do blog da marca e também de uma loja nova em Porto Alegre, onde as bolsas são vendidas.

As peças estão no Studio ENR, na Duque de Caxias nº 624, no Centro.

Postado por Fernanda

Richard Serra em fotos

17 de novembro de 2008 1

Divulgação

O escultor americano não mostrou imagens durante a palestra, ou melhor, bate-papo, que realizou no Fronteiras do Pensamento em Porto Alegre.

Na opinião dele, nada substitui a experiência real de estar frente uma escultura sua.

Mesmo assim, aqui vão umas fotos para quem não conhece matar um pouco a curiosidade.

Postado por Fernanda

Leveza monumental

17 de novembro de 2008 0

Lorenz Kienzle, Divulgação

DO SEGUNDO CADERNO DESTA SEGUNDA-FEIRA (17/11)

Richard Serra não costuma atender jornalistas, não tolera atrasos, não é de sorriso fácil — é uma estrela das artes plásticas. A não ser pela última parte, “estrela das artes”, os comentarios não se confirmaram durante sua passagem por Porto Alegre. Bom esclarecer que o título de estrela refere-se ao prestígio de seu trabalho — Serra é reverenciado como o maior escultor da contemporaneidade.

O artista de 69 anos, nascido em San Francisco, Califórnia, e radicado em Nova York, demonstrou simpatia em sua passagem por Porto Alegre para participar do Curso de Altos Estudos Fronteiras do Pensamento Copesul Braskem. Veio acompanhado da mulher, Clara, e foi ciceroneado pela amiga Wanda Kablin, responsável pela primeira exposição dele no Brasil, em 1997, no Rio. Serra desembarcou na terça à noite, palestrou na quarta, passeou na quinta e partiu na sexta-feira. Cumpriu o roteiro clássico de um gringo em Porto Alegre visitando pontos turísticos e encerrando a programação com um farto churrasco. Mas o artista, que está em cartaz com exposições em Londres e Nova York e prepara a próxima para Madri, surpreendeu. Atendeu, sim, a imprensa e de forma generosa falou sobre dois assuntos: sua própria obra, tópico que nem sempre é do agrado de artistas, e a eleição de Barack Obama.

Serra, o artista de imensas placas, lascas de aço que medem 15 metros de altura, como da recente mostra em Paris, ou de 23 metros de comprimento, como da escultura Snake, destaque do Guggenheim Bilbao, na Espanha, visitou grande parte dos aparelhos culturais locais: Margs, Santander Cultural, Fundação Iberê e Usina do Gasômetro. Parou ainda no Chalé da Praça XV para um chopinho (em frente ao Mercado Público, um dos locais que poderia abrigar uma escultura do artista) e visitou o Café do Lago, na Redenção, para bebericar um Campari.

Estilo Próprio ­— Os lugares onde estão suas obras são fundamentais para a realização do seu trabalho. Normalmente o senhor prefere escolher um lugar, sonhar em colocar uma obra em determinado espaço, ou prefere reagir a um local previamente determinado para o senhor trabalhar?

Richard Serra­ — A maior parte das vezes você não pode apenas caminhar pela rua e dizer: “Quero fazer um trabalho aqui”. Se existe a possibilidade de lidar com algum lugar específico, um espaço urbano, tento lidar com as circunstâncias que envolvem aquele lugar, com a circulação de tráfego, a forma como as pessoas transitam nos locais. Tento também revelar o lugar e também criticá-lo. Você não pode ficar esperando um lugar surgir para trabalhar. Se tenho a possibilidade de inventar algo sozinho, então tento fazer e exibir em algum espaço. Agora, por exemplo, estou com três trabalhos em exposição em Londres (galeria Gagosian, até 20 de dezembro), que basicamente só requerem uma sala com um piso plano, pois quero continuar trabalhando.

EP­ — Sua obra pressupõe uma experiência física. É preciso estar frente à frente com ela, experimentar, não apenas observar. É sobre isso que é arte, o momento da experiência entre o que foi criado e quem observa?

Serra­ — Penso que a maneira que meu trabalho se difere de anteriores é que, em outros tipos de trabalhos, o tema importa, pois o conteúdo está no objeto que você está olhando, ou na descrição e na representação do objeto que você está olhando. Em minhas obras, a medida que você caminha nelas ou por elas, você se torna o tema, você é o conteúdo. A sua reação, psicologicamente, fisicamente, o movimento do seu corpo, dentro e por dentro da escultura, é o conteúdo dela. Você não precisa saber nada sobre a escultura para vivenciar o trabalho, porque a experiência está no potencial de você se mover dentro, para dentro e ao redor da obra. E acho que é nessa simples troca entre sujeito e objeto que está a razão pela qual meu trabalho achou um público.

EP ­— A vivência, então, é fundamental?

Serra­ — Agora vivemos em um mundo de realidade virtual. Penso que as pessoas lidam com imagens e dispensam elas a medida que aparecem constantemente na publicidade, na televisão ou na internet. Meu trabalho lida com a realidade visual. Não é que a realidade virtual não seja real. Ela só é real na medida em que é virtual. Se as pessoas assistirem a esta entrevista (a conversa também foi gravada para a RBS TV), só é real enquanto virtual. Agora sua relação comigo é real, é muito diferente. Ela é física. Meu trabalho lida com a experiência física em tempo e lugar em relação ao espectador se movendo entre a obra.

EP­ — Este ano, o senhor integrou o projeto Monumenta, ocupando o principal hall do Grand Palais, em Paris. Em entrevistas, na época, o senhor comentou que não tinha idéia de qual seria o resultado do trabalho. Há algo também de imprevisível nesta relação entre obra, espaço e público?

Serra­ — Numa situação como esta, você faz o trabalho primeiro e aí você leva ao local. Neste caso não havia a possibilidade de instalar o trabalho primeiro. É um hall imenso. Você não sabe, até erguer uma das obras, qual o resultado na escala. Não tem como saber o resultado, como ficará o tamanho em relação à sala.

EP­ — Na época de sua retrospectiva, ano passado, em Nova York, o senhor afirmou que prefere pensar no presente e no futuro do que rever o passado. No que o senhor está trabalhando no presente e no futuro?

Serra­ — Semana passada, fiz uma peça para Norman Foster (premiado arquiteto inglês) na sua casa em Geneva. Agora estou tentando construir duas peças para o Prado (Museu do Prado, em Madri). Em duas semanas, estarei na Espanha para ver o que vou fazer por lá. E depois, colocarei uma obra em La Défense, em Paris.

EP ­— Sua escultura ficará perto do grande arco?

Serra­ — Mais ou menos, não muito longe. É uma área bem urbana.

EP ­— O senhor é próximo a Barack Obama? Vocês já conversaram, estiveram juntos, não?

Serra — Encontrei Obama há um ano e meio, em um evento para arrecadação de recursos da campanha, em Nova York. O que me surpreendeu foi o fato de que quando fui apresentado a ele, eu disse: "Meu nome é Richard Serra". E ele respondeu: "Ah, o escultor, eu conheço seu trabalho". Acho que me conhecia porque ele estudou na Universidade de Columbia, em Nova York. Suspeito que ele tenha ido ao Museu de Arte Moderna (MoMA) e que até tenha visto alguma das minhas exposições na cidade. Fiquei muito lisonjeado, porque você nunca vai achar um presidente ou membro do congresso indo a um museu. Artistas norte-americanos e políticos dos Estados Unidos não fazem parte da mesma turma. O fato de ele ter entendido meu trabalho e ter dito que conhecia foi muito gratificante.

EP­ — O senhor é identificado como um homem de esquerda. Está confiante nas mudanças depois da eleição do novo presidente americano?

Serra ­— Essas designações são bobas. Faço parte do Partido Democrata desde criança, devido a minha família, meu pai e meu irmão. Acho que é a primeira vez, desde 1968, que os Estados Unidos vão voltar a fazer parte do mundo. No governo Bush, o que aconteceu é que os Estados Unidos ficaram muito isolados e muitas das liberdades civis do país foram reprimidas. Outra coisa que precisa mudar é que temos um serviço de espionagem que prevê que qualquer cidadão, por qualquer motivo, pode ter seu telefone grampeado. Obama tem um mandato e toda uma nação o apoiando. Políticas fundamentais precisam ser mudadas, assim como as mudanças ocorridas durante Franklin Delano Roosevelt.

EP ­— O senhor demonstra muita empolgação ao comentar a eleição de Barack Obama...

Serra ­— É provavelmente a primeira vez, desde 1968, em que me sinto bem em relação ao meu país. Desde os anos 60, o país vinha dividido com a Guerra do Vietnã. A direita tomou conta nos últimos oito anos ao ponto que a agressividade nas políticas internacionais represaram o país, que acabou isolado. Acho que com Obama, ao menos é meu desejo, a primeira coisa que ele tem que fazer é se ver livre de Guantánamo.

Postado por Fernanda

Richard Serra 2

17 de novembro de 2008 0

Mais um vídeo do escultor norte-americano Richard Serra aqui no blog.

Este mostra a montagem de duas esculturas dele no jardim do MoMA de Nova York.

Serra, que é morador da cidade, foi homenageado com uma retrospetiva no Museu de Arte Moderna de NYC. Esculturas dele também fazem parte do acervo permanente.

Postado por Fernanda

Richard Serra 1

17 de novembro de 2008 0

O escultor norte-americano — entrevista na pagina central do Segundo Caderno de segunda-feira (17/11) — foi o convidado deste ano do projeto Monumenta.

Em sua segunda edição, a proposta é convidar anualmente um artista para ocupar o hall principal do Grand Palais de Paris.

Aqui vai um vídeo feito por um dos visitantes das instalações de Serra.

Postado por Fernanda

Arquitetura do vestir

17 de novembro de 2008 0

A recente coleção apresentada pelo mineiro Gustavo Lins em Paris. O arquiteto tornou-se estilista após um doutorado feito na Espanha

DO CADERNO DONNA DESTE DOMINGO (16/11)

Gustavo Lins é conhecido como o brasileiro mais bem-sucedido no circuito internacional de moda. A convite da Câmara Sindical de Alta-Costura é o único que desfila sua própria marca na desejada semana de alta-costura de Paris. É a temporada do luxo dessa indústria do luxo do acabamento, da qualidade, dos detalhes. Exatamente no que este brasileiro está interessado.

— Tinham me convidado há três anos e não aceitei, achei que não estava pronto. No ano seguinte, vi que já podia.

Para feito tão importante, pouca gente sabe dessa conquista. Provavelmente, só quem trabalha e acompanha com atenção o mercado. Como bom mineiro, Gustavo é de fama discreta, mas sonha encontrar o parceiro ideal para fazer moda no Brasil e exportar. Gustavo fala português com sotaque. Pudera.

Deixou Minas Gerais há 22 anos — os primeiros anos foram na Espanha, onde fez doutorado, e os últimos 19 na França. Depois de trabalhar com designers consagrados, entre eles Galliano e Jean Paul Gaultier, e para marcas de prestígio galáctico como Louis Vuitton e Kenzo, achou que teria condições técnicas e financeiras (vendeu um apartamento e o estúdio de Paris) para abrir a empresa. Hoje trabalha no Marais com uma equipe de japoneses, coreanos, um marroquino e um italiano. De francesa, só a contadora. Convidado da primeira semana de alto verão realizada semana passada, no Rio, Gustavo Lins conversou sobre estética, mercado e até moda. Explicou como o doutor em arquitetura tornou-se estilista. Elegante, assim como as roupas que cria para homens e mulheres e que são vendidas no Japão, na França e na Coréia do Sul, ele fez uma análise interessante do mercado de moda.

Estilo Próprio — Formas para viver e formas para vestir são mesmo próximas?

Gustavo Lins — Me formei em arquitetura no Brasil e fiz doutorado em Barcelona. Foi lá que tive esse clique em relação à moda e me formei autodidata em alfaiataria masculina. O tema da minha tese era a relação entre a arquitetura e a costura através do vocabulário. Por exemplo: o teto e uma gola, uma fachada e uma lapela, esboços e as formas, as mangas e os braços de uma construção. Quando fiz esse trabalho de semiótica, compreendi que a roupa tem o espaço articulado em torno do corpo. Trabalhei durante 12, 13 anos como modelista de corte para casas como Louis Vuitton, Galliano, Kenzo, Jean Paul Gaultier.

EP — Como resolveu abrir sua marca?

Gustavo — Para cada marca, tentava estabelecer uma correspondência entre o marketing, a morfologia, a estrutura financeira. Fui montando um programa à minha maneira. Depois dessa experiência, montei a empresa. No Japão, dizem que um bom artesão precisa mais de 10 anos para se formar. Fui paciente, persistente. O fato de ser modelista me ajudou, inclusive para as lojas. É um argumento de venda imbatível dizer “quem faz os moldes sou eu”.

EP — Seu grande reconhecimento foi o convite para desfilar em Paris?

Gustavo — A Câmara Sindical é intransponível, um rochedo. O fato de ser estrangeiro foi um fator importante, mas não carrego códigos tropicais. Eles têm muito medo que cada estilista estrangeiro traga o seu folclore. Querem uma moda mundial, global, contemporânea, não uma moda regionalista. Pode parecer muito pejorativo da minha parte falar assim, mas acho que o Brasil tem esse problema, de vender o Brasil por meio dos trópicos. Venho de Minhas Gerais, você de Porto Alegre, nós não temos característica tropical na nossa maneira de conceber, nem de expressar, nem de fazer. Temos uma dialética muito diferente. Reivindico isso enquanto brasileiro, nascido numa região do Cerrado, onde o sol é muito forte. O sol esmaece as cores. São todas meio acinzentadas, nada é muito brilhante, tudo é muito mineral. Minha idéia é um Brasil mais amplo. Conheço os códigos tropicais. Meu trabalho tem referências aos trópicos, em relação aos decotes, aos cortes, aos relevos. Desenvolvi isso à minha maneira.

EP — Acabamos de viver um evento de moda (Claro Rio Summer) que se propôs mostrar o estilo de vida brasileiro. Qual o limite para não ser caricato?

Gustavo — Essa proposta é a proa do navio. Pode vender biquínis e maiôs, a moda verão. Mas tem que desenvolver o que vem atrás. O prêt-à-porter masculino e feminino; cama, mesa e banho; acessórios; estilo de vida brasileiro, mas que passe pela culinária, pela decoração de interiores, até a maneira como nós ocupamos o tempo. Fazemos isso de uma maneira diferente do europeu. No Brasil, acordamos mais cedo, dormimos mais cedo. O europeu acorda mais tarde e dorme mais tarde. O interessante é explorar o que aconteceu no Brasil enquanto cultura ocidental, com influências indígenas, africanas e japonesas.

EP — Há tantos anos na França, não lhe impressiona que o europeu tenha uma visão estereotipada do Brasil?

Gustavo — É a imagem que o Brasil vende. Se você conversar com alguns dirigentes brasileiros, eles acham mais fácil vender o país por esse viés. Demanda menos dedicação.

EP — Temos competência, na moda, para mais?

Gustavo — No Brasil, tem que ser dito com muita clareza, falta um rigor industrial na área de moda para que ela se imponha. O Brasil sabe fazer aviões, foi ótimo em calçados nos anos 70 e 80, sabe fazer carros, biodiesel, por que não sabe fazer roupa? A roupa brasileira é “inexportável” é muito cara pelo que é. Isso tem que se dizer, tem que se pôr a boca no trombone. É algo muito estranho. Às vezes é mais cara a roupa aqui do que a roupa européia na Europa.

EP — Você trabalhou com alguns dos maiores estilistas. Como você descreve os bastidores deste mercado que vende a idéia do glamour?

Gustavo — Tem muito trabalho. Chorei muito, sozinho. É uma profissão difícil. Quando o Galliano te dá um desenho ao meio-dia e o esboço tem que estar pronto no dia seguinte, pela manhã, é difícil. Você está ali e ninguém pode te ajudar. E quando você está na prova com o Galliano e a corte toda em volta, uns querendo te alfinetar, outros te defender. O que gosto desta profissão é esta hora da verdade. Quem sabe fazer. No final, tem cem que começam, mas cinco que chegam ao final.

EP — Por que você é pouco conhecido no Brasil?

Gustavo — Não tenho dinheiro para ter um assessor de imprensa no Brasil (risos).

EP — O que é preciso para vencer no mercado europeu? Conhecer as pessoas certas conta muito?

Gustavo — Nessa indústria conta tudo: a maneira como seu cartão é desenhado, a maneira como você fala com as pessoas, como você pede um favor, como você agradece o favor que lhe fizeram, como você responde ao telefone. O mínimo gesto conta. Nesta indústria de luxo, para mim, o primeiro é o respeito que a gente tem com os outros, para com o trabalho e com a criação. A elegância é um gesto natural, não pode ser ensinado para ninguém.

EP — Por que há tanta afetação no mundo da moda, tanta “fazeção”?

Gustavo — Ah, se você souber a resposta, você me diz. (risos)

Postado por Fernanda