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Espraiados pelo Brasil

10 de abril de 2010 1

No mercado de moda ou de alimentação é comum o Estado receber marcas fortes, consagradas em grandes centros e que abrem suas filiais em solo local. Mas e quando esse movimento é inverso?

O Rio Grande do Sul manda, sim, para os grandes centros, seus empreendimentos – algo que vem se tornando mais comum em tempos recentes. O princípio desses empresários é: se eles conseguem vencer em mercado tão competitivo e fechado como o gaúcho, por que não conseguiriam cativar consumidores de outras praças?

A coluna selecionou três dos muitos exemplos locais:
um loja de roupas que acaba de abrir ponto em São Paulo, um bar com sede em Porto Alegre e filial mais do que bem sucedida no Rio e uma casa noturna que foi copiada nos Estados Unidos.

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Borbulhas no Rio de Janeiro

Quando foi aberta há sete anos, a Champanharia Ovelha Negra inovou em diversos aspectos.

Primeiro, a proposta do negócio em si: um bar aberto para happy hour e que só venderia champanha em pleno país da cerveja. Depois, o lugar escolhido: um casarão de 1927 na Duque de Caxias, centro de Porto Alegre. Por fim, Marcelo Paes, Marco Antônio Lima e Daniel Giacoboni estavam realizando o sonho comum a muito jovens: ter e gerenciar o próprio bar. Por isso, só abriria durante a semana e seguindo os moldes de pubs ingleses, com hora para fechar – no caso deles, à meia-noite.

Tudo muito diferente para a época e tudo se mantém igual desde então. Em só seis meses de casa, foram reconhecidos pelo juri da revista Veja como o melhor happy hour da Capital.

– Nos mantivemos fiéis à proposta inicial da casa. Não nos rendemos à tentação de colocar outras bebidas à venda ou mudar o horário de funcionamento – explica Daniel.

Depois da Ovelha Negra, que ganhou esse nome por ser diferente de todos os bares da época, pelo menos outras 20 champanharias foram abertas no país.

O sucesso do conceito fez com que os sócios decidissem abrir a filial no Rio, em 2005. Desde então, o casarão de 1883, em Botafogo, segue lotado. Tanto que o movimento é quatro vezes superior ao da champanharia gaúcha.

– O Rio é muito receptivo a novidades. Abrimos bem embasados, com estudos daquele mercado, e tínhamos certeza do retorno.

Recentemente, há dois anos, a casa ganhou uma filial paulistana, mas que teve a operação suspensa por entraves burocráticos locais

– Mas é o nosso caminho natural. Pretendemos reabri-la, para manter as três casas funcionando.

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Moinhos e Vila Madalena

Paulo Ceratti, Martin Valls e Gabriel Vanoni, donos da Aragäna,
que tem loja na Capital e em São Paulo

Com cara de moda regional, mas pegada rock´n roll, a marca de roupa jovem Aragäna fez o improvável: abriu ao mesmo tempo uma loja em Porto Alegre e outra em São Paulo.

– Foi mesmo muito coragem, mas acreditávamos. Sabíamos que tínhamos aceitação no mercado e talento para conseguir espaço – justifica Paulo Ceratti, um dos três sócios da empresa.

Há quatro meses com as lojas do Moinhos de Vento e a irmã gêmea na Vila Madalena, em São Paulo, abertas, o trio de sócios, complementados por Martin Valls e Gabriel Vanoni não tem do que reclamar.

A marca foi idealizada pelos três amigos de infância
que estudaram juntos em Uruguaiana e sempre gostaram de criar as próprias camisetas. Nos tempos de guri, no colégio, eram os responsáveis pela confecção do uniforme do time de futebol. Mas a vocação para empresários da moda teve que esperar o fim da faculdade.

– Largamos nosso empregos, definimos um investimento para todos e apostamos na marca própria – relembra.

A coleção de estreia de camisetas, com 400 peças, logo foi disponibilizada em multimarcas da Capital. A seguinte, já ganhou lojas em São Paulo.

Das primeiras coleções em 2006, a produção saltou para 5 mil peças no ano passado. E o caminho natural para os sócios foi a abertura de um ponto-de-venda exclusivo.

– Abrir em São Paulo e aqui ao mesmo tempo foi uma aposta. Para cortar custos, alugamos a loja de São Paulo e fizemos todos os projetos daqui mesmo. Quando embarcamos, fomos com tudo ao mesmo tempo, inclusive as roupas para abastecer as araras – comenta Ceratti.

Os planos de expansão não se limitam aos dois mercados. A próxima loja, Ceratti conta empolgado, deve ser aberta no Rio:

– O fato de marcas do Estado se instalarem em grandes centros só comprova o bom momento e a força do polo gaúcho de moda.

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Casa gaúcha tem clone nos EUA

Segredo, casa noturna de Juarez Jr. em Porto Alegre
serviu de inspiração para um nightclub em Wisconsin

Se há empresários gaúchos levando suas marcas para outras capitais brasileiras, há empresário estrangeiro vindo buscar as ideias por aqui.

Aconteceu com Juarez da Rocha Dutra Jr., o proprietário da casa noturna Segredo, na Cidade Baixa. Juarez ousou em colocar no mesmo espaço um restaurante, um bar, um boliche e duas pistas de dança separadas – uma para atender os fãs de música pop e outra para a tribo da música eletrônica.

– Recebi a visita de uma americano interessado na compra dos equipamentos da pista de boliche. Ele ficou encantado com a proposta, adorou o conceito da casa – relembra Juarez.

Pouco tempo depois, o gaúcho ficou sabendo da abertura de uma casa praticamente igual e com o mesmo nome, inclusive, em Madison no estado de Wisconsin nos Estados Unidos.

No site, o empresário americano não esconde o jogo. Em um link chamado “inspiração”, relata que o nightclub americano é inspirado em um inovador boliche butique de Porto Alegre (algo como um boliche fino para se diferenciar do padrão dos Estados Unidos). E complementa: “Segredo está trazendo um toque do ensolorado sul do Brasil para Madison.”

O empreendimento referência, em Porto Alegre, Juarez também considera inovador, por acreditar que uma mesma casa possa ser frequentada por públicos com preferências musicais distintas.

– Tenho capacidade para mil pessoas e um público que pode vir jantar, jogar boliche e terminar a noite em uma das duas pistas de dança.

Juarez não foi o responsável pela casa nos Estados Unidos, mas estuda uma proposta em Santa Catarina. Outra novidade é que, até o fim de abril, apresenta uma nova danceteria, a Wish, na área que já foi ocupada por um restaurante/fábrica da Dado Bier.

– É uma construção incrível, com um pé direito de 15 metros. Conservamos muito da arquitetura original, mas essa casa será só para música eletrônica.

Comentários (1)

  • Edinei Buzzatti diz: 11 de abril de 2010

    Em Cruz Alta existia a Fanzine, há uns 15 anos, com a mesma proposta de boate, bar, restaurante e boliche. Era muito movimentada; enquanto aguardávamos a vez de jogar boliche, íamos dançar ou comer. Muitos devem lembrar desta casa.

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