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O que me interessa na psicanálise é a confusão

29 de outubro de 2011 4

A psicanalista francesa Laurence Kahn desembarcou no Brasil pela primeira vez a convite da
Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (SPPA).
Na última semana, Laurence, que é também historiadora helenista e foi presidente da Associação Psicanalítica da França, falou a profissionais gaúchos sobre holocausto, barbárie e violência social.

Ainda em temáticas atuais, analisou a importância da psicanálise no mundo contemporâneo. A autora de La Petite Maison de l´Âme e Faire Parlerle Destin conversou com o Estilo Próprio em um intervalo de uma de suas conferências. Encantada com Porto Alegre, deixou suas impressões em um bate-papo que você confere na íntegra na edição da Zero Hora dominical.
Confira alguns trechos:

Estilo Próprio – A senhora visita Porto Alegre pela primeira vez. Fiquei sabendo que fez tudo a pé.
Laurence Kahn – Conhecemos Porto Alegre caminhando. Foram quase duas horas, um grande tour, pois saímos do hotel
Blue Tree e caminhamos até o Centro Histórico. É uma cidade maravilhosa por causa da sua vegetação.
Tem árvores floridas, é uma beleza caminhar por aqui.

EP– A exposição da morte de Khadafi, a violência das cenas, o que faz com que essas imagens corram o mundo? Por que há interesse em ver estas imagens? Morbidez?
Laurence – Isso é mais complicado. As imagens do linchamento foram precedidas de imagens idênticas de pessoas bem
menos célebres do que ele. A mesma coisa as fotos que foram feitas na execução de Saddam Hussein.
A minha questão é: será que é um fato absolutamente novo? Estamos focando no hoje, quando as imagens são divulgadas
na internet. Mas penso que a paixão de ver isso é uma paixão que existe desde sempre. Quando existiam as execuções
públicas, as pessoas eram absolutamente fascinadas por ver o instante da morte. O problema é saber o que mudou na modalidade de regulação social, desta captação deste momento. Esta captação participa da vida psíquica.
Esta captação do pavor, de tentar prender o que não pode ser preso. Tivemos sem dúvida uma moral do Iluminismo que durou até o fim da pena de morte. De certa maneira, uma moral que governou bem e mal durante muito tempo os informantes da própria sociedade. Os jornalistas eram os primeiros da fila. O problema não está na difusão das
imagens, mas na falta do discurso político que acompanha.

Comentários (4)

  • Eliezer de Hollanda Cordeiro diz: 30 de outubro de 2011

    É pena que Fernanda Zaffari tenha intitulado a entrevista da
    psicanalista francesa, Lawrence Khan, ‘’O que me interessa na psicanálise é a confusão’’.
    O título pode até deixar a entender que a psicanálise é confusa! Ora, o método psicanalítico foi inventado por Freud para arrumar, ordenar, clarificar, fazer com que haja menos confusão nas pessoas que sofrem de problemas psicológicos cujas causas são insconscientes

  • Karen Giovanni Borowski diz: 29 de novembro de 2011

    A confusão está no meio de tudo. A confusão incita a discussão, a discussão nos mantém vivos e pensando alternativas sempre melhores! :)

  • Eliezer de Hollanda Cordeiro diz: 14 de dezembro de 2011

    A psicanálise não é confusão, ela é mesmo considerada por muitos como uma ciência. Em todo o caso, ela é um saber e uma prática que Freud começou a edificar há cerca de 120 anos! A psicanálise é também um movimento internacional comportando muitas escolas psicanalíticas e psicoterápicas.Admitindo que as teorias freudianas se renovam e vão continuar se renovando, isto significa que ela progride como uma ciência . A qual … ‘’incita a discussão e possibilita alternativas sempre melhores! ‘’OK, mas este saber não é confusão, termo podendo ser entendido como anarquia, caos, desarmonia, complicação, erro, embaraço…

  • Eliezer de Hollanda Cordeiro diz: 14 de dezembro de 2011

    Deixei no Facebook outra opinião sobre o artigo que você escreveu. Porque seu blog, muito bom, não aceita que o leitor não possa comentar duas vezes uma matéria?

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