Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros
Capa ZH ZH Blogs Assine agora

Design brasileiro nos parques de Nova York

22 de janeiro de 2012 1

Hugo França é gaúcho de Porto Alegre e formado em Engenharia Operacional de Produção pela PUCRS. Hoje, sua formação acadêmica lhe ajuda na montagem, logística de transporte e fixação das obras que assina e que correm o mundo. Hugo vive entre São Paulo e Trancoso. Foi na Bahia, ainda nos anos 1980, que descobriu pedaços de madeira pequi vinagreiro, usada pelos índios pataxós para fazer canoas. Ele pensou diferente: usou a madeira centenária para móveis e esculturas. Ganhou fama nacional e internacional, e suas peças são destaque em Europa, Ásia, Estados Unidos e galerias que o representam nos principais centros de arte. Agora Hugo França prepara voo ainda mais alto.Aceitou o convite da prefeitura de Nova York para produzir mobiliário urbano na cidade que dita moda para o mundo. Confira trechos da entrevista onde Hugo França detalha seu futuro em Nova York e defende o design funcional e sustentável que, no caso dele,é sim obra de arte. O texto na íntegra esta na Zero Hora dominical
Estilo Próprio– Como a prefeitura de Nova York chegou até você para este projeto de fazer mobiliário para os parques da cidade?
Hugo França– Tenho um projeto de aproveitamento de árvores de parques e jardins,transformando tudo isso em mobiliário
público no Brasil.Em São Paulo, no Ibirapuera,tenho 11 peças, mais duas no parque Burle Marx e cinco peças no Museu.Quero formar uma parceria com a prefeitura e a iniciativa privada para a gente recolher árvores da cidade e devolver isso em forma de mobiliário público.Em paralelo, criar uma escola que forme mão de obra no aproveitamento do resíduo de material lenhoso.

EP – Mas como ele chegou até Nova York?
França – No ano passado,aconteceu em São Paulo o C40,um fórum anual para os 40 prefeitos das maiores cidades do mundo.
O presidente é o Michael Bloomberg, prefeito de Nova York. Ele doou para o Ibirapuera um dos bancos do Central Park.Propus
ao prefeito Gilberto Kassab, para retribuir a gentileza,a doação de um banco meu para o Central Park. Por critérios oficiais,o banco não pode ser colocado lá e foi para a Casa Oficial dos Prefeitos de NovaYork. Assim,o prefeito Bloomberg conheceu melhor o meu trabalho e autorizou a execução do projeto.

EP– E qual o andamento do projeto? Quando suas peças começam a ser colocadas em Nova York?
França – Estou indo em fevereiro para começar a organizar essa produção,porque vai ser feita parte em maio,e a outra parte, em setembro.Vamos produzir entre 30 e 50 peças,que serão distribuídas pelos cinco bairros de Nova York.Vamos fazer um documentário, um livro e também vamos usar algumas peças para uma exposição comercial na galeria que me representa na
cidade. Resumindo,vamos usar as árvores de parques e jardinsde de Nova York e transformar isso em mobiliário público. É o mesmo projeto que venho tentando viabilizar em São Paulo e em outras cidades.

EP– E você aceitaria propostas para outras cidades?
França – Com certeza.

EP –Não é estranho,ou triste, pensar que você é gaúcho e não tem obras em espaços públicos em Porto Alegre?
França – É uma coisa que sinto muito,completamente desagradável. Já fiz exposições no mundo todo e nunca consegui expor em Porto Alegre.E tenho poucas pessoas que tem peças minhas aí.Brinco que santo de casa não faz milagre.

EP – Estamos vivendo uma polêmica sobre a proteção, guard-rail,da ciclovia do Arroio Dilúvio.Agora,irão decidir por meio de concurso público o design mais adequado.A discussão parece envolver beleza,ou design,e sustentabilidade.Uma dupla que você sempre conseguiu resolver com delicadeza…
França – É. Minha história em Nova York também me deixou muito feliz porque,embora já tenha feito bastante coisa em SãoPaulo, não obtive lá o mesmo interesse que tive da prefeitura de Nova York.

EP –Você deixou Porto Alegre logo depois de formado? E como descobriu e chegou até Trancoso?
França – Nasci e me criei em Porto Alegre e só saí para ir pra São Paulo em 1979,onde morei até 81.Depois eu fui a Trancoso, onde morei até 1995.Em função do trabalho,retornei a São Paulo e aí me estabeleci aqui.Hoje tenho a casa em Trancoso, mas passo a maior parte do tempo em São Paulo.Viajo muito também. Agora,neste ano mesmo, tenho uma programação de viagem muito grande.Tem uma exposição nova,que está vindo o meu galerista de Nova York junto com um parceiro dele da Coreia. A gente deve expôr por lá, no início do mês de novembro.Essa história do design no limite da arte,que não é muita gente que faz,está sendo muito valorizada no mercado internacional.

Comentários (1)

  • NAIRA diz: 2 de fevereiro de 2012

    Que lindo ! Amo estes movéis de madeira tenho en casa mesa, bancadas de pranchas não posso ver uma raiz ou tronco imagino algo.Seu trabalho é fantástico!

Envie seu Comentário