
Na reta final da definição de candidatos e equipes para eleição de outubro, a coluna reuniu dois experientes publicitários gaúchos em campanhas políticas.

Alfredo Fedrizzi (dir) e Fábio Bernardi responderam as mesmas perguntas, para mostrar como se constrói a imagem de uma candidatura. Nas próximas semanas, eles coordenam um curso de marketing eleitoral na escola Perestroika, com professores de todo o Brasil
Estilo Próprio – Coligações são feitas, muitas vezes, para conseguir tempo no horário eleitoral. Sem espaço na televisão não há chances?
Alfredo Fedrizzi – Ele é consequência da força dos partidos. A audiência na TV aberta diminuiu depois da TV fechada e da internet. Mas como os programas políticos são disponibilizados também no YouTube, as pessoas podem vê-los na hora em
que quiserem. As curvas de audiência tem sido em forma de “U”: maiores no início e no final da campanha. Como é difícil prender a atenção das pessoas, no programa eleitoral se faz mini programas para que o espectador possa ver
parte da mensagem, se quiser.
Fábio Bernardi – A televisão é, sim, muito importante. Quando bem utilizada, pode decidir a eleição. A importância vem do
uso da emoção, da capacidade de agendar temas e da disputa por audiência. Quanto mais tempo você tem, menos tempo resta para seus adversários, e mais vezes as suas propostas e visão de mundo serão ouvidas pelo eleitor.
EP – Sensação na eleição de Obama, o marketing digital é realidade nos EUA. E no Brasil, qual a relevância?
Fedrizzi – Vejo potencial de crescimento grande. Nos EUA, são o principal meio de arrecadação. Aqui, pela burocracia - doação feita pelas redes com cartão de crédito tem que mandar o comprovante para o TRE - isso não funcionou. Se antes era interessante para um candidato ter Facebook ou Twitter, agora é obrigação.
Bernardi – A legislação no Brasil é mais restritiva do que nos EUA, o que torna o impacto bem menor. Contudo, a força das mídias sociais é inegável e, mesmo com os limites, é crescente a influência na formação de opinião, especialmente entre
os jovens. Essa relevância será maior a cada ano.
EP – E a nova legislação?
Fedrizzi – É ineficiente. Todos que tentaram controlar as redes sociais quebraram a cara. As pessoas sempre acham uma maneira de burlar. Elas são redes de relacionamento e não exatamente veículos de comunicação de massa, como estão querendo enquadrá-las. Acho um equívoco tentar controlar. Quem faz isso são países onde a democracia não existe: China, Cuba e
ditaduras do Oriente Médio.
Bernardi – Sou absolutamente contra, é um anacronismo e um atestado de ingenuidade. No Brasil temos essa mania de o Congresso
legislar sobre tudo, mas é inviável querer controlar a internet ou os internautas. Na ânsia de proibir o abuso, acabam proibindo o uso.
EP – Cite um case que você admira:
Fedrizzi – Toda a mobilização e conscientização feita pela campanha do Obama. Foi um marco, especialmente por tirar de casa
gente que não votava. Mas lá se pode fazer muito mais.
Bernardi – O conceito “Rio Grande do Sul, do Brasil, do Mundo” da campanha de Tarso Genro em 2010. Foi muito bem pensado e muito bem executado.


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