O arquiteto brasileiro que fez Brasília e levou o traço nacional para o mundo lança amanhã (23/8) “As Igrejas de Oscar Niemeyer” pela editora Nosso Caminho. No livro, o arquiteto - ateu desde muito cedo - reúne imagens e desenhos de 16 obras (nem todas executadas). Entre as que sairam do papel e estão na publicação, a Catedral de Brasília, o templo da Igreja Adventista do Sétimo Dia (Paricatuba, PA) e a Igreja da Pampulha (Belo Horizonte, MG).

Vale conferir alguns trechos da entrevista exclusiva que o carioca concedeu ao jornal Valor Econômico:
Valor: Nunca cogitou a possibilidade de acreditar em Deus?
Oscar Niemeyer: Eu defini essa minha posição em relação à religião desde muito cedo, apesar das minhas origens familiares católicas. Na introdução que escrevi para o livro “As Igrejas de Oscar Niemeyer”, procurei lembrar que na casa dos meus avós maternos em Laranjeiras minha avó organizava missas todos os domingos, a que muita gente assistia. Eram pessoas de muito boa índole, solidárias e generosas, acima de tudo tementes a Deus.
Valor: Qual a diferença entre projetar uma igreja e outros tipos de construções? O fato de a igreja ser um lugar sagrado para seus frequentadores interfere no modo como o sr. idealiza o projeto?
Niemeyer: Sempre apreciei esse tema, procurando responder, com a minha fantasia de arquiteto, a tal identificação que muitos fazem desses templos religiosos como lugares do sagrado. Isso tudo sem que eu tenha alguma crença dessa ordem.
Valor: O Brasil está preparado para receber uma Copa do Mundo e uma Olimpíada?
Niemeyer: Acho que sim. É bem verdade que caberá a nossos dirigentes políticos assegurar as condições de realização dos grandes eventos desportivos a terem lugar.
Valor: O sr. pensa em aposentadoria? O que o motiva a continuar trabalhando?
Niemeyer: Que é isso? A arquitetura ainda me convoca, com toda a força, e permanece este meu entusiasmo em prosseguir, realizando esta arquitetura diferente, tão pessoal, que tenho defendido desde o projeto da igrejinha de São Francisco de Assis na Pampulha. Projeto que, aliás, se encontra bem destacado no meu novo livro sobre as igrejas.