Com o objetivo de valorizar a agricultura e preservar o cultivo de um fruto cada vez mais raro de ser encontrado no Estado, o município de Bom Jesus realiza, de 13 a 16 de julho, a 7ª Festa da Gila. Além de destacar os pratos que podem ser feitos com o fruto, o evento conta com a Feira de Produtos Caseiros e Artesanais, com 50 produtores locais. Shows como o da dupla Cairon & Gustavo e do Guri de Uruguaiana, assim como espetáculos circenses e teatrais, também fazem parte da programação.
Os estudos que vem sendo realizados sobre o fruto serão apresentados no 4º Encontro dos Produtores Rurais de Bom Jesus, no qual serão debatidos outros temas de interesse dos produtores, como o Código Florestal e os incentivo à permanência dos jovens no campo. Durante a festa, Bom Jesus também celebra o aniversário de 99 anos de emancipação política e faz o lançamento do centenário, incluindo um selo alusivo aos 100 anos.
Meio melancia, meio abóbora
Embora seja um tipo de abóbora, por fora, a gila se parece com uma melancia: é verde e oval, mas um pouco menor. Entretanto essa impressão se vai assim que ela é aberta e apresenta uma polpa branca e fibrosa, com sementes pretas e achatadas. De origem controversa - entre os locais de procedência indicados pelos pesquisadores estão a América Central, a região dos Andes e o México - o fruto ainda é muito cultivado na região ao redor da Lagoa dos Patos e nos Campos de Cima da Serra.
Segundo a pesquisadora da Embrapa Clima Temperado Rosa Lía Barbieri, a gila está no país há aproximadamente 200 anos e chegou com os imigrantes açorianos e portugueses, povo que tem o fruto como parte da cultura doceira lusitana. Ela teria chegado a Portugal levada pelos conquistadores espanhóis que estiveram na América. No Brasil, é cultivada em locais que tem uma característica importante para o seu desenvolvimento: o frio. Isso torna os Campos de Cima da Serra um ambiente propício para o plantio e uma região onde o cultivo virou tradição que passa de pai para filho.
Em Bom Jesus, de acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, o município possui 1.100 produtores rurais e todos produzem uma média de 50 gilas por ano. Na zona urbana, é comum encontrar plantações nos quintais das casas. Ela é muito usada no preparo de doces em calda, cristalizados, bombons, rocamboles e folheados, e também em pratos salgados, como lasanhas, empadas e saladas. Também pode subestituir o coco ralado em várias receitas.
Entre os benefícios do fruto estão a ação antidiabética (detectado em estudos feitos na Ásia) e o baixo teor calórico da sua polpa, o que pode transformá-lo em um ingrediente para a alta gastronomia, aponta Rosa Lía. Em países asiáticos, como a China, o fruto é usado como porta-enxerto para melão e pepino, pois essas culturas são sensíveis a baixas temperaturas, enquanto a gila se desenvolve no frio.
A rainha da festa, Adaiane Deon, esteve na redação para divulgar o evento. Ela conta que teve cursos de culinária para aprender a preparar pratos que usem a gila como ingrediente. O que ela mais gosta de fazer é o doce em calda, pela facilidade. Já na hora de comer, o favorito é a rapadura.
O que: 7ª Festa da Gila
Onde: Ginásio Poliesportivo de Bom Jesus
Quando: 13 a 16 de julho
Quanto: entrada gratuita, show de Cairon e Gustavo RS 15 e do Guri de Uruguaiana R$ 10
Informações: www.bomjesus.rs.gov.br/festadagila e (54)3237-1585




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