A Ilha de Marajó pertence ao estado do Pará e fica a três horas de balsa da capital Belém. Com uma extensão de aproximadamente 40 mil quilômetros quadrados, Marajó é a maior ilha fluviomarinha do mundo. Localizada na foz do rio Amazonas, a ilha é palco da famosa “pororoca” – o encontro das águas doces do Amazonas e da água salgada do Atlântico.
Visitamos a ilha em agosto, mês de seca. Por isso, não vimos a pororoca. Como o Amazonas estava baixo, a água nas praias de Marajó era salobra e era possível ver a diferença da cor no encontro das águas.
Duas coisas nos chamaram a atenção em Marajó: os rebanhos de búfalos e a vegetação. Conhecemos apenas uma parte da ilha (Soure, Salvaterra, Joanes e Cachoeira do Arari). Nessas cidades, foi possível encontrar praias que lembravam as de Florianópolis, como Joanes. Mas também passamos por locais pitorescos como Soure, onde há uma parte de mangue próximo da praia com uma mistura de pássaros da Amazônia e da Mata Atlântica e insetos que só vi lá.
Marajó é uma mistura de cenários: praia, mangue, fazendas de búfalo, árvores amazônicas, frutas amazônicas e também uma paisagem litorânea. Passeando pelas trilhas, nos deparamos com vários macacos. Na pousada em que ficamos, havia muito caju e urucu no pomar. Já na mesa, o cardápio principal era filé de búfalo com queijo na chapa.
Em Cachoeira do Arari, visitamos o Museu do Marajó e tivemos uma aula sobe as fases de ocupação da ilha e o legado dos índios marajoaras. Sua cerâmica é impressionantemente sofisticada e sua arquitetura pitoresca. Esses índios levantavam “morros” artificiais para construir suas casas, provavelmente pela característica de grandes banhados do Marajó.
A ilha tem boa infraestrutura para receber os turistas, mas se possível é melhor ir de carro. As cidades são distantes umas das outras e o transporte público é precário. Há vans que fazem o translado dos visitantes, mas com um carro é possível conhecer mais lugares. Para levar o carro até Marajó é preciso pegar uma balsa na localidade de Coaraci, em Belém. São três horas de travessia. Para um carro de passeio, o custo do transporte é R$ 80.
Os búfalos de Marajó
Não consegui descobrir, na ilha, uma versão oficial para a chegada dos búfalos em Marajó. Ouvi duas histórias e ainda não consegui confirmar se alguma delas é a verdadeira.
Sabe-se que os animais chegaram no final do século XIX. Uma das versões conta que foi o fazendeiro Vicente Chermont de Miranda, proprietário de muitas fazendas no local, importou os primeiros búfalos pretos do sul da Itália, em maio de 1895. Nos anos de 1896 e 1899, trouxe do Caribe um lote de búfalos Carabao, raça originária da Indochina.
A outra versão para a chegada do animal remete a 1920. Um barco que ia para a Guiana Francesa teria naufragado próximo ao arquipélago, e os búfalos que sobreviveram nadaram até a ilha, onde se adaptaram facilmente.
Origens à parte, os animais hoje são os reis do Marajó. Eles são criados livremente e podem ser vistos nas fazendas, na cidade e na praia. Utilizados nas fábricas de couro, são forças indispensáveis em tarefas pesadas nas fazendas, montaria para os turistas e meio de transporte para o policiamento. O animal tornou-se tão importante para o Estado que o Pará soma, hoje, cerca de 1,2 milhão de cabeças de búfalo, cerca de 40% do rebanho bubalino nacional.
Fizemos o passeio de búfalo. Foi mais ou menos uma hora no lombo do animal passando por uma trilha e pela praia. Mansos e domados especialmente para o turismo, os animais pareciam até saber o caminho sozinhos. O passeio custa R$ 20 por pessoa e dores nas nádegas até dois dias depois.




















































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