A fina ironia, as fotos impactantes, o difícil começo, a fama e o pragmatismo de Helmut Newton, aliados ao fato da nossa quase  contemporaneidade (foi um de meus ídolos na década de 70, junto com Guy Bourdin), fizeram dele um star photographer a quem muito respeito. Pois o J.R.Duran postou no Twitter este pequeno trecho de uma entrevista com o Newton, trecho hilariante em que o velho mestre inicia escolhendo a jornalista de quem iria aceitar a pergunta baseado em critérios, digamos, questionáveis, e termina dizendo que ama fazer fotografia e dinheiro… O que nos chama a atenção, porém, é a keyphrase  da entrevista: “Existem duas palavras sujas na fotografia; uma é arte, e a outra é bom gosto”. Ahh… Entendi. Entendi e concordei. Fotografias são feitas para que uma pessoa se expresse não-verbalmente. E isso é, muitas vezes, uma necessidade; fazer fotografia pensando em arte, ou naquilo que se costuma considerar de ‘bom gosto’ (conceitozinho mutável, não?), é de cara cercear o próprio fazer fotográfico, e limitar-se a fazer o que do fotógrafo se espera. É pouco. Tenho pensado muito a respeito. Quem define o que é e o que não é arte? O ‘mercado’? Quem é afinal o mercado; os galeristas, os artistas, os vendedores, os compradores, os colecionadores, os arquitetos, decoradores? Os críticos e jornalistas? Curadores? Ou tudo isso junto? Ouço de alguns galeristas que é necessário fazer fotos alegres, coloridas, para que se venda bem; o ‘mercado’ pede isso. Por outro lado, vejo trabalhos ‘difíceis’ de artistas obcecados e angustiados, que encontram quem os valorize, quem os queira, e acabam se tornando referência, nas paredes de bienais e galerias de arte contemporânea. A mim, um trabalho denso e pesado como as fotos dos loucos do Juqueri feitas pelo Cláudio Edinger me parece tão bonito quanto as suas coloridas fotos de Paris, e como apreciador e consumidor de arte, colocaria qualquer um dos dois tranquilamente em minhas paredes.

foto: ©Claudio Edinger | Juqueri

Pois vejam que curioso; assistindo a uma aula do mesmo Edinger na Escola São Paulo, uma aluna nos mostra uma fotografia feita por ela como exercício em que, ironizando o universo publicitário, a modelo, em suposto anúncio de beleza, está “feia”. E eu, discordando, a achei linda. A foto, a modelo, a composição. Tudo lindo. Fiquei chocado! O significado é que não tenho bom-gosto… Tenho porém o meu gosto; e será que é apenas meu? Adoro as fotos de um mundo literalmente construído pelo Joel Peter Witkins; quem mais as adora sem ser chamado de “weirdo”? Tenho também fascínio pelo universo kitsch do David La Chapelle; parede, parede, parede! Pelo jeito, meu gosto por fotografias ‘difíceis’ vai me fazer passar por momentos de mesmo adjetivo… Fotografia ser arte, ter a chancela do gosto comum, ser palatável, nada disso tem muita importância quando um se vê compelido a fotografar. E fotografar, afinal, é o que importa. Por CLiC!O.